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Depoimento: Numa manhã de sexta eu tive uma revelação…

por em 30/05/2013
 

Na última sexta-feira fui sacudido por uma epifania. Eu deveria revelar um filme preto e branco na manhã do dia seguinte. Eu tinha todas as peças do quebra-cabeça, faltava somente o revelador. Logo liguei para uma amigo que já processa filmes nestas mesmas condições há uns 2 anos e ele ficou de me disponibilizar o bagulho na manhã seguinte.

Captura de Tela 2013-05-18 às 14.36.05Clicar um filme inteiro em 12 horas

Bem, eu (pensava que) tinha tudo, mas o meu filme pb ainda estava virgem! Teria de queimar aquele filme durante o resto da sexta e o começo do sábado. E vamos clicar no trabalho, no intervalo do almoço, no retorno para casa.

Chegou o sábado. Ainda tinha um restinho de filme, e resolvi ver o sol das 6 horas da manhã cair sobre a cidade. Caminhei pelas imediações do meu bairro e finalizei o filme. Até aconteceu uma merdinha: achei q o filme era de 36, mas quando fui bater a foto 25 tiver de cair na real. Acabara o filme, justa na hora que ia fazer uma bela foto. A foto ficou só aqui na cabeça. As vezes acontece, né?!

O revelador de meu amigo deu xabu

Agora era só esperar o revelador de meu amigo. Mas eu estava esquecendo de algo. Talvez a ansiedade da espera do revelador me fez esquecer que eu precisaria preparar o fixador, o qual era em forma de pó. Para fazer isso eu precisaria de todo jeito de garrafas, termômetro e tais. Resolvi ligar para meu amigo em busca do prometido revelador. Liguei às 9, às 10, às 10h30… 11 horas desisti pois ele não atendeu o fone nenhuma vez. Foi quando recebi um torpedo dele dizendo que o revelador não estava em mãos mas poderia conseguir logo mais… Nesse momento eu já havia ligado o plano B.

Peguei informação com um outro amigo. Ele me indicou onde estava comprando os químicos da faculdade em que ensina fotografia. Eu sabia onde ficava a tal loja. No sábado o comércio fecha cedo, então corri logo para a lá. Comprei o revelador em pó, Kodak D-76 e em seguida segui para o centrão em busca das garrafas ambar e termômetro. Minha intuição indicava em quel loja procurar. Comprei então as garrafas âmbar, vi numa prateleira água destilada e resolvi checar na web do celular se eu deveria usar àgua de torneira ou destilada. Descobri recomendações do uso de água destilada e resolvi obedecer aos gurus dos foruns da net. Comprei o suficiente para preparar 2 galões. Seria um galão para o revelador e outro para o fixador. Comprei também um funil e o termômetro. Cheguei em casa, de volta, às 14 horas. Estava finalmente com tudo em mãos!

Captura de Tela 2013-05-18 às 14.34.25Preparação dos perigosos químicos

Eu sabia que para usar o revelador é recomendável aguardar o produto “descansar” algumas horas após o preparo. Decidi que o resto do sábado deveria ser dedicado para o preparo dos produtos e a revelação mesmo só ocorreria no domingo… dia das mães!

A fotografia analógica é fascinante, mas jamais devemos nos esquecer que os produtos químicos necessários para fazer a mágica acontecer são perigosíssimos. A caveira na embalagem da Kodak entrega tudo. Portanto, normas e cuidados devem ser obedecidos. Inicialmente eu iria preparar o material no escritório onde trabalho. O prédio tem uma zona morta para serviços internos que é ideal. Mas o desencadear dos acontecimentos estavam me levando para o apartamento da minha família. Eu teria de ter ainda mais cuidado pois estava perto de alimentos e de objetos de uso de todos.

Na noite do sábado escolhi uma área reservada do condomínio, onde não costuma ter uso frequente e – devidamente munido de luvas e máscara – processei os químicos acondicionando-os em garrafas previamente rotuladas. Estava enfim com todo o material em mãos. Na verdade muito mais material do que eu iria usar na dia seguinte. A vantagem de ter nosso próprios materiais, ao invés de pedir emprestado, é este estoque que ficamos para trabalhar e errar e aprender à vontade.

O dia da revelação

Domingo Dia das Mães não combina muito com alguém manuseando produtos tóxicos em casa. Então aguardei o anoitecer daquele dia para enfim entrar em ação. O banheiro de empregada foi QG. Levei as poções de revelador, stop, fixador e banho final para o banheiro onde tudo aconteceu. Instalei uma mangueira na pia da área de serviço para o demorado banho final, aquele que deixamos a mangueira injetando um “fio” de água por dentro do carretel de aço durante uns 10 minutos. Há certo desperdício de água nesta hora, mas é o que pede o processo.

Retirei o filme do espiral e estendi diante da luz. Chegara enfim a hora de ver se todo aquele processo havia trazido bons resultador ou seria apenas uma experiência a não se repetir.

Sim. Haviam imagens gravadas naquela película, e não eram poucos imagens. O filme estava cheio… de ponta a ponta. 24 frames, para ser exato. A experiência havia sido um sucesso. Chamei todos de casa para ver e vibrar comigo!

Para tirar a prova dos nove eu precisaria ter o filme seco no dia seguinte para poder escanear. E foi que eu fiz. Pendurei o filme estirado, lá mesmo no banheiro e fui dormir.

Acordei cedinho na segunda-feira e levei o filme para o escritório onde escaneei e pude enfim multiplicar o resultado positivo da jornada.

Captura de Tela 2013-05-18 às 14.35.05Palavras finais

Sou fascinado pela fotografia há muito tempo. E sempre fui muito envolvido pelo processo de concepção da imagem. Sou hávido por imagens, meus olhos brilham diante delas, seja quem for o autor, mas confesso que participar da criação e percorrer todo o processo que transforma a emoção particular do momento da foto até algo que pode ser compartilhado com seus amigos e com todos é algo muito maior. É tão bom e dá vontade de repetir e repetir e repetir.

Espero que esta minha narrativa sirva para encorajar outros a fazer o mesmo. Vamos fotografar mais e mais sobretudo de forma analógica. É fascinante e rico o processo que transforma luz em processo químico devolvendo em forma de luz aos nosso olhos.

 

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