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Revelando negativo colorido em casa com Jardel Silveira

por em 03/06/2013
 

Recentemente falamos aqui (de novo) sobre revelação de negativos coloridos (processo C-41) em casa. Nos comentários desse post o leitor Jardel Silveira, figurinha fácil nos grupos de fotografia analógica do Facebook como o Grupo Queimando Filme e o Lomo Fortaleza, deixou um comentário falando sobre suas próprias experiências no assunto. Daí pensei na hora “ué… o Jardel tem que contar no QF essa experiência!”. E cá estamos. Em uma entrevista exclusiva pro Queimando Filme, Jardel conta quem é, o que faz da vida e, é claro, como chegou a revelar negativos coloridos em casa, e que dicas dá pra quem quer começar a fazer o mesmo.

Fala Jardel!

Quem é você? Faz o quê da vida?
Meu nome é Jardel Silveira, moro na capital Alencarina (também conhecida como Fortaleza), tenho 34 anos, sou Engenheiro Eletricista e Professor de Engenharia de Teleinformática na Universidade Federal do Ceará (UFC).

Fotografa com filme desde quando?
Desde Julho de 2011, quando comprei uma Nikon F80 do amigo Mariano pra dar de presente pro Meu Pai. Me apaixonei pelo filme quando fiz um rolinho de Ektar 100 na F80.

Fotógrafo: Éden Barbosa Processo: C41 Filme: Lomography redscale 120 Câmera: Mamiya RB67 Pro SD

Fotógrafo: Éden Barbosa
Processo: C41
Filme: Lomography redscale 120
Câmera: Mamiya RB67 Pro SD

Quando começou a revelar em casa? Porque?
Fui seduzido pelas cores azul e branco de um canister de um Ilford FP4 125, mas não conhecia ninguém por aqui que pudesse revelá-lo. Então eu mesmo decidi fazê-lo.

Começou com preto e branco ou cor?
Comecei revelando PB, depois um amigo, o Marcos Andersen, me ensinou a fazer E-6 e por último um outro amigo, o Gustavo Miguel me deu suporte para iniciar no C-41 também.

Quantos rolos já revelou em casa?
Olha, estimo que uns 20 rolinhos de cromo (processo E-6), uns 10 de negativo colorido (C-41) e mais de 50 PBs (D-76)…

Amplia em casa também?
Sim. Amplio somente PB. Nunca me aventurei no RA4 (papel fotográfico para ampliações em cor). Tenho dois ampliadores, um Opemus Meopta Standard 3 um Durst L1200. O primeiro serve para 35mm e 6×6. O Dursrt serve para 35mm, 6×6, 6×7, 6×9 e 4×5.

Scaneia?
Sim. É algo necessário para publicar o trabalho da internet. Usava um HP G4050 e agora tenho um Epson V750. Sinceramente ainda não vi uma diferença de qualidade considerável (que justifique o v750 custar 4 vezes o preço do G4050) entre esses dois scanners, especialmente para filmes de médio e grande formato.

Faz alguma outra coisa com os filmes (cianotipia, outras tecnicas.. )?
Em geral meu trabalho é muito tradicional. Aprendi a fotografar com uma turma da antiga. Então de uma maneira geral toda minha produção é muito bem comportada. Mas ultimamente andei testando o processo de bleach bypass (ou silver retention), a qual consiste basicamente em pular o químico branqueador. O filme “O Resgate do Soldado do Ryan” utilizou esta técnica para obter uma imagem menos saturada.

Fotógrafo: Jardel Silveira Processo: C41 Filme: Fuji Reala 100 Câmera: Nikon F4

Fotógrafo: Jardel Silveira
Processo: C41
Filme: Fuji Reala 100
Câmera: Nikon F4

Pra quem tá começando a fotografar com filme, revelar em casa filme colorido é fácil?
Não é difícil. Depende apenas de um conhecimento básico de diluição de soluções, muita dedicação e disciplina. Os produtos químicos podem ser comprados na Compact Color, que são:
– Kit para 500 filmes 24 poses Compatível com C41 RA Kodak e linha neg Fuji
– Starter do Revelador e do Branqueador.
No mais, basta seguir o tutorial do Oliver nesse link aqui .

Quais as vantagens e desvantagens?
Vantagens:
– Negativos limpos, sem spots, sem arranhões e bem processados. Os atuais minilabs entregam negativos sujos, riscados e mal processados.
– Ser algo que você mesmo fez da prancheta à etiqueta e pode ser orgulhar;
– Possibilidade de puxar o filme, fazer bleach bypass e qualquer outro processo ligado à revelação. Nenhum minilab faz isso hoje em dia.
– Se você tiver um volume considerável de filmes, o custo é tão barato quanto R$ 0,50 por filme.

Desvantagens:
– Se você não tiver um volume considerável de filmes pra revelar, pode sair mais caro do que no minilab;
– Necessidade de um investimento inical para comprar um termostato, um mergulhão de fazer café, um tanque de revelação com espiral, vidraria de laboratório etc.

Dizem que os quimicos são bem tóxicos… é isso mesmo?
Sinceramente eu não sei, mas posso te dizer que senti algumas dores de cabeça no começo. Sempre uso luvas e uma máscara que comprei no mercado livre.

 

Bom… valeu pela ajuda, Jardel! Agora é ver quem mais vai ter coragem de experimentar… ;-)

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