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Depoimento: Mariara Freitas e sua Leica R4s

por em 16/06/2013
 

Pois hoje é dia de depoimento! E quem vos escreve hoje não é ninguém menos que a Mariara Freitas, filmmaker e responsável pelo documentário premiado Yes, girls can skateboard. No texto, Mariara conta como que essa Leica R4s (a qual eu já dei meu depoimento aqui) acabou parando em suas mãos. :}

Sem mais delongas, fica com a palavra, sua linda. <3

Oi, gente! Vim aqui contar um pouco da minha recente história com a fotografia analógica! :)

Me chamo Mariara Freitas, tenho 21 anos, sou formada em Audiovisual e Cinema Digital, e trabalho como filmmaker. Muitos amigos e conhecidos meus têm câmeras analógicas, e sempre achei bem bonito o resultado. Comecei a “caçar” na família alguma câmera que não fosse usada mais, e que alguém pudesse me presentear, mas tudo em vão.

Foi então que, três meses atrás, recebi uma mensagem do meu primo, Gandur (aproveita a fama, meu filho!), perguntando se eu ainda tinha interesse em adquirir uma câmera porque uma amiga dele foi passar carnaval no Rio de Janeiro e acabou dando a sorte de encontrar uma Leica no táxi.

Eu disse que sim, mas perguntei se eles já haviam tentado localizar o dono. Ele disse que tinha um nome e telefone marcado no case, mas era dos Estados Unidos. Pedi o telefone e autorização pra entrar em contato com a pessoa.

leica_r4s_03

Foi aí que tudo começou a ficar interessante. Liguei pro tal número e quem me atendeu foi uma senhora super educada que disse adorar o Brasil, ficou super animada com o fato d’eu ligar de tão longe pra contar que achei a câmera que ela acreditava ser do filho.

Foi aí que ela me passou o telefone do filho dela, Dave, e quando finalmente consegui falar com ele, ele me disse que a mãe havia lhe contado toda a história. Ele me disse que a câmera era do seu falecido pai, um físico de uma universidade dos Estados Unidos que tinha como hobby a fotografia, tanto que contava com uma coleção de câmeras analógicas, além de um livro de fotografia de pássaros publicado, e que provavelmente esqueceu-a aqui em alguma das vezes que veio passar férias, pois já estava muito frágil nas últimas viagens e sua memória já não era tão boa. Dave conversou com seu irmão e chegaram à conclusão de que não precisavam da câmera, já que eles não iriam utilizar, e foi uma grata surpresa receber essa mensagem:

“Eu vi que você é uma filmmaker. Muitos de meus amigos trabalham (ou trabalharam) em publicações. Meu pai iria gostar de deixar a câmera com você – ele adorava encorajar pessoas mais novas que compartilhavam de seus interesses. Vou contatar sua amiga e vocês podem resolver isso. Não precisa me pagar.”

Como quem achou a câmera foi a amiga do meu primo, acabei comprando (na verdade ainda não paguei, hahaha. Obrigada pela paciência, Carol!) a câmera dela. E, assim que recebi, já mandei revelar o filme que estava dentro da câmera e continha o carnaval de alguém.

Foto do Carnaval de alguém (que eu não faço ideia de quem seja)

Foto do Carnaval de alguém (que eu não faço ideia de quem seja)

Vou ser sincera, o meu conhecimento sobre esse modelo e experiência prática com fotografia analógica era ZERO (vírgula um, porque usei uma na faculdade por uns cinco minutos). Levei numa assistência técnica aqui da minha cidade (que indico pelo ótimo atendimento), e o senhorzinho que me atendeu ficou encantado com a história e disse que eu tinha um belo equipamento nas mãos, e com toda a paciência do mundo me explicou o funcionamento de cada coisinha na câmera, depois fui consultando o Bruno Massao e o manual que encontrei na internet.

Foto: Bruno Massao

Foto: Bruno Massao

Eu sou uma pessoa muito apegada à histórias, então independentemente da marca, do modelo, do valor material, de qualquer coisa, o que mais me importa nessa câmera é o legado do antigo dono e imaginar o que a câmera devia significar pra ele.

Agora, já comecei a me arriscar na fotografia analógica e, confesso, me apaixonei. Não troco e não vendo, essa câmera agora faz parte da minha história também.

Para quem ficou curioso, segue o endereço da assistência técnica que a Mariara levou a Leica dela:

Assistência Técnica Nippon
http://www.nipponcameras.com.br
Praça Afonso Pena, 105 – 5º Andar – Sala 52 – Centro
São José dos Campos – SP
CEP: 12210-905

Abaixo, uma galeria com algumas das imagens já produzidas com a câmera. As coloridas foram tiradas pela Mariara (exceto quando há indicação), as fotos em preto e branco são do rolo que estava dentro da máquina quando foi encontrada).

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comentários
 
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  • 17/06/2013 em 3:21 pm

    Esse carnaval aí é nos fundos do MAM, no Rio de Janeiro. Provavelmente é a Orquestra Voadora :)

    Responder

  • Kari
    16/06/2013 em 2:20 pm

    Muito bom! Só pela história por trás da câmera e das fotos que estavam nela já deve ser uma coisa incrível, e sendo uma Leica ainda, uau! ;}
    Queria dar uma sorte dessas! :}
    Use bastante mesmo! :D

    Responder

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