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O dia em que o exército americano pintou o Vietnam

por em 04/07/2013
 

Ah, a guerra. Todas as guerras são marcadas por sangue, violência e um caos total. E, apesar de guerras sempre terem feito parte da sociedade, as memórias não ficaram mais limitadas apenas a quem sobreviveu após a invenção da fotografia: inúmeras pessoas, que não estavam presentes, passaram a presenciar esses acontecimentos.

Mas nem sempre quem carrega uma câmera para o campo de batalha é um fotógrafo: até hoje, inúmeros soldados carregam DSLRs, mirrorless ou mesmo montam GoPro em seus capacetes (e armas) para registrar tudo o que vivem (ou sobrevivem). Existe até um concurso anual, realizado pelas Forças Armadas dos EUA, onde eles premiam o melhor “fotógrafo-soldado”! E essa cultura, de soldados no front carregando câmeras, sempre existiu.

No dia 21 de junho de 2013 isso voltou à tona: James Speed Hensinger, hoje com 66 anos, revelou algumas imagens produzidas por ele mesmo durante a guerra do Vietnam, mais especificamente as imagens de um contra-ataque americano contra um unico franco-atirador vietnamita, em abril de 1970.

James, na época, com 22 anos

James, na época, com 22 anos

“Nós tínhamos estabelecido uma base para nós, e todas as noites esse franco-atirador vinha e atirava em nossas tendas”, James contou. “Nós ficamos putos e decidimos revidar de forma ‘pesada’ se ele atirasse novamente contra a gente”. Foi então que, na noite seguinte, James montou guarda numa torre de vigilância próxima ao perímetro do campo e, junto com sua Nikon FTN, um cabo disparador e alguns sacos de areia fazendo a vez de tripé, e esperou.

Quando a escuridão da noite caiu, eis que o vietnamita deu suas caras. E o exército americano liberou o inferno.

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Da esquerda e da direita, duas metralhadoras M60, que usam munição de 7.62mm, cobriram as colinas com balas (os rastros vermelhos são de munições sinalizadoras, disparados a cada 4 munições “normais” de cada rajada). Logo à frente de James, um tanque M42 Duster atirou contra as colinas usando suas duas metralhadoras anti-aéreas de 40mm (os rastros brancos são de munição sinalizadora, disparados aleatoriamente durante a rajada). E, finalmente, tudo isso foi complementado com munição explosiva disparada de uma metralhadora M2 Browning .50 (sem sinalizadores, apenas as explosões na colina  aparecem nas fotos).

James capturou essas imagens utilizando exposições longas, entre 15 e 60 segundos, e foi capaz de capturar esse momento de forma unica e surreal. Sem ideia alguma do que havia capturado, ele enviou os filmes de volta para casa para serem revelados e ficou maravilhado, quando voltou para casa após sua turnê de 12 meses, e descobriu que ele conseguiu registrar a força e capacidade daquela resposta americana.

Ele guardou essas fotografias consigo até o dia 21 de junho de 2013, quando decidiu liberá-las ao público em celebração ao Memorial Day (feriado nos EUA, onde eles relembram todos os homens e mulheres que perderam a vida enquanto serviam as forças armadas americanas). Apesar de continuar fotografando, ele nunca se tornou um profissional da área de fotografia, escolhendo seguir outras carreiras após seu período com o exército.

Mas… Será que eles pegaram o franco-atirador?

“Nós enviamos patrulhas durante o dia, e encontramos rastros de sangue durante uma manhã. Além disso, nunca o encontramos”.

Aposto, porém, que o franco-atirador também nunca mais voltou ali.

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