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“Uma Memória Fotográfica”: um projeto de todos nós.

por em 05/07/2013
 

Imagine que você é um fotógrafo, ou fotógrafa, cuja mãe morreu logo depois de você nascer. Você passa a conhecer ela por fotos e histórias de amigos e parentes. Você sabe que você e ela compartilham uma paixão enorme pela fotografia. Quanto mais você cresce, mais você quer saber sobre ela. Você sabe que ela gostava de viajar, era jornalista, cineasta, e coisas assim. E você começa a a conhecer mais detalhes da vida dela, e isso aproxima vocês.

Daí você se descobre que uma vez ela fez uma viagem rodando o mundo entrevistando alguns fotógrafos. Você busca essas entrevistas e acha as gravações. Os entrevistados são Henri Cartier-Bresson, Cornel Capa, Bruce Davidson, dentre outros.

E você ouve, pela primeira vez desde que você era um bebê, a voz da sua mãe, entrevistando alguns dos maiores fotógrafos de todos os tempos.

Isso daria um filme, né? Pois é. Rachel Elizabeth Seed, que está vivendo exatamente essa história, também acha. Sua mãe, Sheila, fez de fato essa viagem pelo mundo e, de fato, entrevistou essas pessoas. Entrevistas essas que, pasmem, nunca foram publicadas ou divulgadas.

Pra conseguir produzir o filme que ela acha que sua mãe, e todos os fãs de fotografia merecem, ela lançou um projeto no Kickstarter. Dá uma olhada no vídeo de introdução do projeto:

Esse filme – que espero realmente que seja produzido – pra muitos, vai ser um filme sobre “as entrevistas perdidas de Henri Cartier-Bresson”. Mas na verdade vai ser um filme sobre a busca de uma filha para se aproximar da mãe que e4la não conheceu, através da fotografia. E isso tem muito, muito a ver com o que a gente fala aqui todo dia. Cada vez que a gente fala de uma câmera antiga, sobre projetores de slide, sobre nossa afeição pelas câmeras que eram de pais, avôs, tios, e que agora estamos usando, estamos falando sobre o mesmo tema.

A fotografia, quando retirada dos debates (chatérrimos na minha opinião) de o que é arte, o que é fotografia profissional é, basicamente, uma ferramenta de afeto, de sentimentos. De transmitir algo através de imagens, de registrar sensações, momentos, lembranças. Câmeras fotográficas, projetores de slide, filmes, são máquinas do tempo (como bem disse Don Draper) que nos permitem ir pra frente e pra trás, vivenciando eventos que já ocorreram, conhecendo pessoas que nunca conhecemos (como no caso de Rachel e sua mãe) e indo alugares que nunca fomos.

Todos temos histórias assim pra contar. Talvez sua mãe não tenha entrevistado Cartier-Bresson, mas mesmo assim, sempre temos histórias pra resgatar através das fotos de família. O nome que Rachel deu ao seu filme “Uma Memória Fotográfica” é muito feliz por isso. Porque podemos criar ou descobrir memórias dos outros através de fotografias do passado.

Parece banal falar disso, né? Mas não é. É importante a gente se lembrar de vez em quando que fotos são mais do que registros imediatos e descartáveis. Nesse sentido, a gente, que fotografa com filme, sabe que a fotografia analógica ajuda, porque a gente acaba dando mais valor a elas do que a fotos de celular ou digitais. E isso aumenta a chance delas resistirem ao tempo e passarem pros nossos filhos, sobrinhos netos e, dessa forma, permitir que eles nos conheçam um pouco melhor no futuro.

Pense nisso. Pense nisso como um motivo pra armazenar com carinho suas fotos.  Tenha você 15 anos, 30 ou 60, pense que uma fila ou neta sua, num futuro incerto, vai saber do que você gostava, qual era o seu olhar com relação ao mundo, pelas suas fotos. Essas fotos que você faz hoje. Pense na memória fotográfica que você vai deixar pro futuro. Mas não pense muito. Não filtre. Simplesmente preserve. Guarde. Tudo. Deixe que sua filha, sua neta, descubra e te conheça sem filtros, sem seleções.

#prontofalei ;-)

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