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Contando até 10 com Fabio Yamaji

por em 06/07/2013
 

Quem lê o QF a muito tempo (e por “muito tempo” diga-se uns 12 meses….) deve se lembrar de uma série semanal de entrevistas chamada “Contando até 10“. Nessa série, eu entrevistava, todos os sábados, alguém que achasse relevante pra galera leitora. Pois bem. Acontece que em em janeiro de 2012 eu mandei um email pro Fabio Yamaji perguntando se ele gostaria de participar e tal… e ele respondeu. Só que respondeu semana passada, com, tipo… um ano e meio de atraso… :-D

Mas, sinceramente, fiquei feliz. Foi bom voltar a essa série com um cara tão legal e cheio de coisas pra contar. Portanto, sem mais delongas… fala Yamaji!

1) Apresente-se pro povo…
Meu nome é Fábio. Palmeirense, paulistano, pedestre, poliglota e photógrafo (rá!). Ex-designer, ex-maquetista e ex-desenhista de arquitetura.

screenshot_272) O que faz da vida?
Sou freelancer em Cinema. Trabalho como animador de stop motion, diretor de filmes, montador e diretor de fotografia. Também sou professor de Animação, na pós-graduação da Anhembi Morumbi e na graduação do Mackenzie. O resto do tempo passo fazendo curtas, indo ao cinema, viajando, lendo, procurando lugares pra comer e colecionando posters de cinema e filmes em Super 8. Andar de bike, desenhar e pintar são coisas que tenho feito menos do que gostaria. E vou ao estádio toda semana, ver meu Palmeiras jogar.

3) E a fotografia?
Fotos e desenhos me levaram ao que sou e faço hoje. Sempre tive essa inquietação em ver e fazer imagens. Ando com uma câmera na mochila desde os 14 anos, quando usava uma automática de filme 110. A ideia era fotografar os amigos e coisas do cotidiano – sem qualquer preocupação estética. Lá pelos 18 anos me tornei um cinéfilo que via cerca de 300 filmes no cinema por ano. Isso me despertou pro potencial de um desenho de luz e suas cores nos aspectos narrativo e artístico de um filme. Hoje vivo de Cinema e Animação Stop Motion, que envolvem fotografia diretamente. Meu trabalho é criar movimento em objetos através da manipulação quadro-a-quadro, com sequências de fotos que viram filmes.

4) E a fotografia analógica?
Meu pai tinha várias câmeras e sempre fotografou bastante a família. Passava horas montando álbuns e identificando as fotos. Cresci vendo esses registros e isso me influenciou. Comecei com uma Yashica 110 que era da minha irmã. Depois ganhei uma Olympus Panorama de filme 135. Em 2001 passei pro digital (Sony Cybershots P1, P10, T1) pois era mais prático e barato – mas no começo de 2008 voltei ao filme com uma LC-A (minha “laranja mecânica”), que veio direto de São Petersburgo, pelo eBay. Daí a paixão pela fotografia reacendeu de vez.

O que antes era somente registro do cotidiano virou experimentação, expressão e projetos. Hoje fotografo mais com analógico que com digital (usado no trabalho). A película tem uma qualidade própria, incomparável – sem contar que é tátil, tem cheiro, sabor. É sensual. E gosto de escolher uma máquina, uma lente e um filme de acordo com a situação – pensar na foto, interferir na captação e na revelação. É algo mais elaborado e íntimo que o digital. Cada efeito é buscado conscientemente, pelo processo químico, mas sempre com espaço para a surpresa.

5) Quais cameras analógicas você tem?
Duas LC-As russas (a laranja mecânica e uma preta edição comemorativa do Partido Comunista), LC-A+ White Special Edition, LC-Wide, Nikon FM2 (duas, prata e preta), Nikon EL, Nikkormat FTn, FED Mikron 2, Canonet QL17, Voigtländer Vitessa L, Olympus Trip 35 preta, Olympus Pen EE-3, Konica C35 EF, Spinner 360º, Horizon Kompakt, SuperSampler Dalek, LomoKino MUBI Edition, BlackBird Fly, Pocket Fujica 350 (110), SX-70, Polaroid 500 e Meopta Flexaret tcheca (120). E uma filmadora Super 8. Sempre saio de casa com a FM2 ou com uma LC-A. As outras são pra casos específicos.

Tô aceitando doação de Leica M6.[nota do editor: eu também]

screenshot_286) Tem algum filme de preferência?
Meu slide preferido é o Kodak Elitechrome EB100 – perfeito pra LC-A. Também curto AGFA CTPrecisa e os Fujis Sensia 100 e Velvia 50 – faço sempre x-pro. P&B gosto dos Ilford HP5 400 e Delta 3200, e o Kodak Tri-X 400. Uso os monocromáticos na FM2. Negativo só nas toys e panorâmicas – daí vai mais pelo ISO que pela marca. Sobre polas, o pouco que usei da Impossible Project foi bem decepcionante. Em Super 8 fico nos Kodak reversíveis Tri-X 7266, pra poder projetar direto, em casa.

7) Tem algum estilo de preferência, dentro da fotografia com filme?
Basicamente snapshots. Gosto de fotografar discretamente, sem interferir no assunto enquadrado, sem dirigir poses ou iluminar. A ideia é flagrar coisas e momentos interessantes, e pra isso estou sempre com uma câmera à mão. E a câmera perfeita pra isso é a LC-A, por ter uma lente clara (2.8), curta (32mm) e fotômetro embutido. Vai bem em qualquer situação. Fora que é pequena, robusta e linda. Também gosto de fazer retratos dos amigos, dos sobrinhos e da minha moça, e pra isso vou de Nikon FM2 – minha preferida. Vario entre as lentes 50mm f/1.4, 35mm e 28mm f/2.8. Fotografo na rua, em estádios de futebol, viagens, andando de bike ou de busão. Eventualmente faço fotos de arquitetura e do meu bairro. E evito usar flash.

8) Tem algum fotógrafo que seja referência pra você nessa área? Porque?
Cartier-Bresson, Robert Capa e Antanas Sutkus, pelo registro documental de instantes incríveis, seja em contexto histórico ou numa situação banal. Estudar suas fotos é educar o olhar e ser desafiado.

Em retrato gosto das texturas em P&B de Anton Corbijn e as polaroids de Lou O’Bedlam. Em estilo curto bastante uma pouco conhecida fotógrafa irlandesa, Hannah Starkey, que descobri numa Bienal. Seu trabalho sincroniza com meu pintor favorito, Edward Hopper. Na faculdade fui aluno de Nelson Kon – fotógrafo de arquitetura. Suas aulas me influenciaram na fotografia em geral. Na lomografia acompanho com interesse as experimentações de Fábio Codevilla (Porto Alegre), Daniela Goulart (Brasília) e Jorge Sato (São Paulo). E claro, admiro muitos diretores de fotografia de Cinema: Christopher Doyle, Robert Richardson, Darius Khondji, Janusz Kaminski, Harris Savides, Lance Acord, Gabriel Figueroa, Sven Nykvist, Storaro. Seus filmes sempre inspiram novos cliques.

9) Uma dica pra quem tá começando na fotografia analógica.
A Lomography produz câmeras e acessórios bacanas, mas o sashimi mesmo está nas feiras de antiguidades, lojas de usados e eBay – tanto pela variedade de equipamentos e filmes quanto pelo preço. Pesquisa e garimpagem fazem parte da diversão do fotógrafo analógico.

Sugiro começar com uma câmera automática com fotômetro – LC-A, Olympus Trip 35 – usando slides revelados em C41 (xpro). É garantia de fotos incentivadoras. Começar com filme 120 ou lentes de plástico pode ser frustrante por aspectos estéticos e econômicos.

screenshot_2510) Outra dica, pra não te chamarem de egoísta…
Dedique-se a fazer imagens pessoais com a sua câmera, e não fazer da câmera sua imagem pessoal. E frequentar grupos de discussão e saídas fotográficas te dá acesso filtrado a dicas, câmeras e filmes.

E se você quer conhecer mais sobre o Fábio e suas fotos, dá uma olhada no fantástico Flickr dele. É demais! :-D

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