8comentários

Revelando filmes coloridos com químicos pra pb

por em 11/07/2013
 

Outro dia o Gustavo Reginato publicou no Grupo Queimando Filme (no feice) umas fotos “muito doidas” que, segundo ele, tinham sido feitas com filmes coloridos e reveladas com processo de revelação pra filme preto e branco. Eu já tinha ouvido falar que dava pra fazer isso, até porque ele não tinha sido o primeiro a postar isso lá no grupo. Mas, que me desculpem os que postaram antes, as fotos deles foram as mais legais feitas com esse processo já postadas por lá (pelo menos até aquele dia ;-)

Fujicolor ISO 160 Vencido (3)Depois de ver as fotos, na mesma hora chamei o cara no canto e perguntei se ele não queria contar pra gente como tinha sido essa história. Ele topou, e contou tudo tudo, até os detalhes mais técnicos, pro caso de um dos nossos leitores malucos querer repetir a receita. Dá uma olhada no que ele contou…

Sempre tive curiosidade de saber quais os efeitos de um filme colorido revelado em químicos P&B. Na loja onde revelo meus filmes, conversando com o laboratorista, resolvi tirar algumas dúvidas pra saber se deveria testar esse tipo de revelação. Estava com vontade de experimentar tal façanha desde que comecei a revelar meus filmes em casa. As respostas do laboratorista só me deixou mais incerto de que fosse funcionar, mas resolvi testar mesmo assim.

Mesmo com medo de perder um filme durante o processo, arrisquei meu primeiro teste com um 120 Fujicolor NSP ISO 160 que eu sabia que estava vencido. Carreguei a Lubitel 166B e saí passear em um domingo à tarde para visitar a casa de amigos. Na curiosidade acabei revelando o filme no mesmo dia.

[ATENÇÃO: overdose de dados técnicos!] Utilizei PaRodinal caseiro como revelador, suco de limão como interruptor e uma solução de Tiossulfato de sódio como fixador. Na revelação utilizei a proporção de 1:25 no revelador à 38ºC, agitando 2 vezes a cada 15” durante 8 minutos.

O resultado aparentemente tinha sido trágico: um negativo extremamente denso sem contraste algum e nenhuma imagem aparente. Mas decidi tentar escanear mesmo assim. E valeu à pena. O scanner (Epson V500) fez uma mágica que eu não esperava que fizesse. As imagens surgiram de uma maneira que eu não esperava, com características íntimas que eu ainda não tinha visto em filme algum.

Kodak ProImage 100 (2)Depois do primeiro resultado me empolguei para testar filmes não vencidos nesse processo. Fiz o teste no dia do meu aniversário (o que tornou o filme mais especial que os outros). Tirei fotos incansavelmente, utilizando o meio-quadro da Diana Mini. Quando o filme acabou, rebobinei e continuei fotografando sem parar, fazendo duplas exposições. O resultado foi uma linha do tempo do meu aniversário, o filme reagiu bem ao flash e a iluminação do sol, ocasionando um alto contraste.

Muito legal, né? E simples, bem mais simples do que pelo menos eu imaginava. Mas e ai? Como terminou a história, Gustavo?

Ainda não possuo controle sobre todas as características que o filme pode me passar, e talvez não exista um controle a se ter. Encaro cada rolo de filme como um campo de experimentos, seja ele vencido ou não. O processo de revelação e a digitalização do negativo são igualmente importantes para a obtenção da imagem final.

p.s. a foto mais azulada que contém os sprockets foi tirada a partir de uma câmera de fole médio formato a qual eu construí, ela ainda é um protótipo pois foi feita em papel paraná e pretendo confecciona-la em madeira.

Valeu Gustavo! Mostra pra gente quando fizer mais experiências, ok? ;-)

Abaixo você vê as fotos dessas experiências loucas.




Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
Deixe uma resposta »

 
  • 26/09/2013 em 3:51 am

    Olá André.
    Belo post.
    Poderia me dar uma dica?
    Conhece algum link que eu possa me informar sobre a possibilidade de revelar – usando os químicos para P&B – papel para revelação colorida?
    Já pesquisei muito e não encontrei quase nada.
    Desde já agradeço.
    Silas.

    Responder

  • Yoshio
    28/08/2013 em 12:19 pm

    Onde você compra o tiossulfato de sódio? até hj eu não encontrei em lugar algum. :[

    Responder

  • Lonez
    11/07/2013 em 4:50 pm

    Esses dias eu estava la no grupo perguntando sobre isso, e alguem respondeu que dava certo (nao lembro quem).
    Mas depois de ver essas fotos legais ai, COM CERTEZA vou acabar fazendo isso também!

    Parabens e obrigado pela overdose de informações tecnicas! ;)

    Responder

    • Lonez
      12/07/2013 em 5:18 pm

      Fiquei na duvida… dá certo mesmo fazer um fixador em casa então?
      E qual é o lance do interruptor a base de limonada?

      Pelo que eu já li em outros lugares, parecia-me que não tinha como fazer um fixador “caseiro”… acho que foi simples falta de criatividade/curiosidade das outras pessoas.

      Uma das coisas mais divertidas da fotografia analógica, é bancar o cientista maluco pra ultrapassar os limites do nosso pobre mercado de químicos para revelação.

      Responder

  • Vinicius
    11/07/2013 em 12:45 pm

    Caraca, que fotos daora. Muito bacana mesmo. Quando começar a revelar em casa, vou fazer isso. Muito bom isso aí.

    Responder

Deixa aí seu comentário!