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Na hora de fotografar… anote!

por em 17/07/2013
 

Foto acima: por Buiu

Nos meus workshops, uma das lições menos aprendidas, um dos conselhos mais não ouvidos, uma das ordens mais desobedecidas, é o “anote tudo!”.  Sempre falo pros alunos anotarem os detalhes das fotos que estão fazendo, pra posteriormente poderem se lembrar do que rolou (afinal, foto analógica não tem EXIF… :-). Mas nem todo mundo segue minha dica, e depois fica se lamentando que não sabe como foi que fez aquela foto e tudo mais.

Daí resolvi escrever esse post rápido com alguns pontos sobre o tema, com algumas coisas que eu faço, pra tentar inspirar as pessoas, já que existem mil maneiras de preparar Neston registrar suas notas. Simbora:

“Mas anotar o quê?” Costumo ter um grupo de informações obrigatórias por rolo de filme. São elas:

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Por Thiéle Elissa

– O número do rolo: eu dou um numero pra cada um, em sequência cronológica se possível. O meu primeiro negativo revelado (dos que estou mantendo organizado) é o 001, o seguinte é o 002, e por aí vai. Euzinho, aqui, já estou no cento e setenta e poucos, e posso garantir: depois dos cinquenta rolos, essa sequencia ajuda muito. Isso porque você também usa esse numero no nome das fotos digitalizadas, o que te ajuda a saber qual é o negativo daquela foto que você quer  redigitalizar em uma qualidade melhor pra imprimir uma cópia bem grande pra dar pra sua mãe.

– Datas: data em que colocou o filme na câmera (sempre!) em que tirou o filme e mandou revelar (sempre que se lembrar… eu nunca lembro ;-). Se quiser, e for importante, anote também quando as fotos foram tiradas, principalmente se forem tiradas com dias, semanas, meses de espaço entre elas.

– O filme: anote nome, ISO, formato e observações especiais… ex: Fuji Superia Xtra 400 (ou ISO 400) 135 (ou 35mm). Por “observações especiais”… o filme está vencido? Você fez sopa com ele? Alguma outra experiência? Você está esperando algum resultado especial? Vantagens de se anotar essa informação, que parece óbvia?
* Anotando isso na hora em que coloca o filme na câmera, caso você se esqueça qual filme está em uso (por deixar a câmera guardada por semanas no armário com filme dentro, por exemplo) pode se lembrar rapidamente e evitar fazer fotos pensando em pb quando na verdade está com um filme colorido na câmera, por exemplo.
* Facilidade pra, depois de revelado, saber que filme usou e, por consequência, poder colocar nos arquivos digitais. É claro que você pode também ver nqual é o negativo pelo código dele, mas anotando fica mais fácil ;-)

– Puxada e revelação: o filme foi puxado pra cima ou pra baixo? Se sim, quantos pontos? E a revelação? Foi normal? Xpro? Teve algum improviso? Alguma experiência?

– Câmera usada: Eu anoto só a câmera, apesar de usar SLRs com lentes variadas. Isso porque não tô nem aí pra distância focal que usei e tal e coisa. Mas tem gente que gosta. Ou, se estiver experimentando algo, ou testando algo com a câmera (como se o foco de uma lente está bem afiado ou se está com defeito).

– Dados das Exposições: Onde as fotos foram tiradas? Em quais situações? Você esperava algo em especial? As fotos foram feitas por você, ou por algum amigo(a) / namorado(a) com a sua câmera? Sempre têm coisas que são boas de se anotar pra depois poder consultar…

“Tá… mas anota aonde?” Bom, aí a coisa – pelo menos pra mim – fica mais complexa. Eu tenho um “pobrema”. Não consigo manter o mesmo processo por mais de alguns meses. Tenho que dar uma variada. Por isso, revezo entre caderninhos e aplicativos de celular, sendo que, quando uso aplicativos, depois passo as anotações “virtuais” pro caderninho. O caderninho é que manda na minha organização. Os aplicativos pra celular são apenas ajudantes.

urlPra caderninhos, algumas dicas:

– Prefira cadernos pequenos, estilo Moleskine, com capa dura. São melhores na hora de guardar nos bolsos, anotar na rua na correria. Eu uso Moleskines originais (não por esnobismo. Eu coleciono eles mesmo. Entre usados e não usados, tenho algumas dezenas ;-) mas existem outros bem bons, como os Cicero.. Se preferir tem até os da boa e velha fabricante de cadernos escolares Tilibra, que nunca usei, mas devem funcionar bem.

– Pra anotar, use canetas com tinta resistente à água (não é tão complicado quanto parece. Qualquer papelaria tem dezenas). Eu uso as Uni Pin, da familia das UniBall, da Mistubishi. Custam coisa de dez reais e duram pra cacete. A tinta delas seca rápido no papel, não mancham com suor ou gostas de chuva, e duram mais (caso você queira arquivar esses preciosos registros das suas experiências por anos e anos).

AnaLogger_iPhone_screensPra aplicativos, algumas sugestões:

– Antes de tudo, sempre, sempre mantenha uma cópia do que você registra nos aplicativos, caso perca seu celular, formate ele, ou algo do tipo. Apps não são confiáveis como fontes primárias dessas informações (a não ser que eles tenham backup num Google Drive / Dropbox / iCloud da vida…).

– Tenho usado muito o AnaLogger e o PhotoExif, sendo que o segundo tem a vantagem de te permitir, com a ajuda de um programa-irmão que você instala no computador, gravar os dados da foto no arquivo digital (scan) da foto, gerando dessa forma um EXIF real em uma foto analógica. Os dois são bem intuitivos. Existem outros apps legais.

Enfim. O importante, no final das contas, é registrar tudo, seja lá onde for. Na hora de organizar as fotos numa pasta, num computador, num fichário, numa gaveta, essas infos provam sua importância na hora. Vocês vão ver ;-)

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comentários
 
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  • Tadeu
    02/10/2014 em 6:35 pm

    Só para fim informativo, o aplicativo “Film Rolls” faz o mesmo e é gratuito. Abraço, Tadeu.

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  • Fernanda Machado
    01/12/2013 em 11:36 pm

    Curti, baixarei esse AnaLogger… eu costumava anotar, mas descacetei

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  • 19/07/2013 em 1:50 pm

    O Flickr é também um parceiro bacana para organizar as fotos. Simplesmente suba o rolo inteiro. Não precisa deixar as fotos feiosas para todos verem, basta limitar o acesso a elas a VOCÊ apenas. Daí a gente usa as Tags para anotar o rolo do filme, a camera e tudo mais.

    Ao procurar uma determinada foto basta buscar nas tags q o Flickr te mostra. Caso vx queria localizar o rolo que aquela foto pertence – se vc quiser fazer um outro scan melhor, p.ex,fica fácil desde que vc tenha colado um adesivo correspondente no rolinho.

    Filmes revelados em Lab profissa em geral já veem com um numero… filmes revelados em casa precisa ter seu numero manualmente, como informado pelo post.

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  • 19/07/2013 em 1:44 pm

    Adorei este aplicativo PhotoExif… Bem bonitinho e parece prático de usar. Vou ver se me adapto :)

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  • Debora
    19/07/2013 em 9:01 am

    Eu faço um tipo de controle semelhante, mas em uma planilha do Excel. Coloquei colunas como o número do filme (esse que vc mencionou que começa com 001 e vai ad infinitum) e eu coloquei uma etiquetinha com o mesmo número no próprio negativo (por motivos óbvios né?), uma coluna com o tipo do filme (Lomography Tungsten 64, por exemplo), a câmera usada, o local em que tirei, como está a qualidade dele (engraçado que a maioria esmagadora está como “média” ou “baixa”. Tristeza), uma me dizendo se eu digitalizei ou não e outra de informações adicionais (tipo de revelação, se foi filme swap ou qualquer outra coisa relevante).
    Depois, crio pastas no PC com o mesmo número do filme (caso tenha digitalizado o filme).
    Assim, consigo manter mais ou menos organizados os filmes e consigo voltar ao negativo com facilidade se precisar digitalizar em qualidade melhor para imprimir a foto grande pra minha mãe hehe.
    Eu ainda não consegui usar o caderninho ou o app para registrar cada frame utilizado, mas um dia dá certo.

    P.S.: sou neurótica, então mantenho essa planilha atualizada em três locais diferentes (pc, hd externo e tablet)… vai que perco um.. ou dois.. sei lá.

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  • Lonez
    18/07/2013 em 3:59 pm

    Eu vou anotar as coisas mesmo! Valeu pelas dicas, acho que vai ajudar bastante.
    Já estou imaginando como será parte da organização do esquema, porém tenho uma dúvida: como guardo os meu negativos?

    Depois de corta-los, basta coloca-los dentro de um envelope de papel com as anotações que farei, e depois dentro de uma caixa de tênis com anti-mofo, ou seria outra a forma correta de guarda-los?

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  • Thiago
    17/07/2013 em 12:11 pm

    Boa! Tava precisando de um incentivo pra fazer isso mesmo! Estou com dezenas de rolos revelados em casa, e me perco neles. Usualmente só registro nos arquivos digitalizados a câmera, filme e data da foto. Mas tenho que fazer as vezes um trabalho de investigação pra descobrir em qual câmera foi tirada aquela foto… rs.

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