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Marinando suas fotos e outros pensamentos sobre edição – Parte 2 de 2

por em 23/07/2013
 

Foto acima por Hoa Tran

Hoje temos a segunda parte da tradução do texto de Eric Kim sobre edição fotográfica (leia aqui a primeira parte). Nessa última parte do texto, ele fala sobre projetos, feedbacks de amigos, e de bônus deixa um video bem interessante sobre tudo isso. Vale o tempo gasto ;-)

Fala Eric!

 

4. Trabalhando em projetos ao invés de imagens avulsas.

Nos últimos dois anos, tenho focado mais em projetos do que em imagens avulsas. E qual é a diferença? Com um projeto você tem algum tipo de ideia unificadora e a partir dela sai fazendo fotos para, posteriormente, montar um livro, uma exposição, ou uma série.

Por Kodaki

Por Kodaki

Já fotos avulsas são sobre ter uma única foto que é realmente forte e que fala por si só. São aquelas imagens que te trazem montes de “likes” e “favoritadas” no Facebook ou no Flickr. Não me entenda mal. Sou fã de imagens avulsas. Steve McCurry fez uma incrível carreira em cima de imagens avulsas, que aliás ele edita posteriormente em séries, o que também é bem legal.

Porém, uma das desvantagens de se trabalhar com imagens avulsas é que elas  têm menos profundidade e significado (quando comparadas a projetos). Eu adoro o poder de poemas curtos, mas acho a profundidade de romances muito mais imersiva.

Um projeto pode levar você a explorar uma determinada parte da sociedade, um conceito, uma ideia, em uma escala muito mais profunda. Além disso, em um projeto nem todas as suas fotos precisam ser incrivelmente fantásticas. Em um projeto você busca um ritmo constante de imagens (algumas mais fortes, outras mais fracas). Você acaba buscando fotos que se focam em detalhes, e que sozinhas soariam fracas, mas em um contexto funcionam bem.

Além disso, imagens avulsas nos fazem pensar demais em redes sociais e em sermos aceitos. Todos amamos ter um monte de seguidores, favoritadas, curtidas e etc. Eu sei que eu amo. Mas descobri que isso geralmente me distrai. Quando eu me vejo muito enfiado em redes sociais, percebo que estou fotografando pra agradar os outros, ao invés de pra me agradar.

Apesar disso, é claro que de vez em quando eu subo algumas imagens avulsas nas redes sociais, pra mostrar pros amigos que eu estou vivo e fotografando. Mas no geral, mantenho o foco nos meus projetos. Projetos demoram mais pra ficar prontos e amadurecer, e não quero apressar esse processo. Assim como na hora de marinar uma carne, você não quer apressar o processo.

5. Feedback dos outros.

Não tenho como enfatizar o quão importante é receber feedback de outras pessoas. Nenhum homem é uma ilha. O feedback que recebemos dos outros é de um valor incalculável porque são mais objetivos, e mostram a questão de uma perspectiva diferente.

Sei que isso pode parecer ir contra o item anterior, mas trata-se de se buscar o equilíbrio. É importante levar em consideração as opiniões dos outros pra se obter uma visão mais balanceada. Mas no final das contas, é a sua opinião a que importa mais.

Eu percebi também que feedbacks por telefone, ou de preferência pessoalmente, são muito melhores do que pela internet. A internet é muito legal, e nos permite estar em contato com pessoas que nunca encontraríamos pessoalmente. Mas o feedback que recebemos é, em geral, fraco. Pense em todos os comentários que você recebe no Facebook, com pessoas dizendo “bela foto!” ou “gostei dos tons!”. É legal receber esses tapinhas nas costas, mas eles não nos dizem nada.

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Por 200diasconpeli

Quando estamos conversando com alguém por telefone ou pessoalmente, ela pode nos dar descrições muito mais ricas sobre o que ela gosta e o que ela não gosta em nossas fotos. Se for pessoalmente, ela pode apontar partes especificas da foto pra que você visualize melhor o que funciona e o que não funciona na sua foto. Durante meus workshops, quando a gente faz a sessão de criticas e feedbacks, os estudantes sempre dizem que essa é a parte mais valiosa porque, segundo eles, nunca tinham tido feedbacks e criticas sinceros antes.

Além disso, quando estou pedindo feedbacks de outras pessoas sobre meus trabalhos, sigo esses passos:

a) Pergunto de quais fotos eles não gostaram (ao invés de quais eles gostaram). Faço isso porque, se temos pouco tempo com a pessoa, é mais importante saber seus pontos fracos do que seus pontos fortes.

b) Pergunto se eles acham que a(s) foto(s) funcionaria(m) no contexto de uma série. Novamente, algumas fotos não são fortes o bastante sozinhas, mas podem funcionar bem em uma série contextualizada.

c) Pergunto sobre o que eles acham da direção que estou tomando, e se têm algum conselho para mim. Isso me ajuda a direcionar meu trabalho como um capitão de um navio com uma bússola.

d) Finalmente, peço pra que sejam brutalmente honestos comigo. Acho melhor ter uma critica incrivelmente honesta (até levemente cruel) do que um um blablablá sem tempero. Novamente, o problema da internet é uma ausência de feedbacks e criticas honestas. Se as pessoas não gostam das suas fotos, eles simplesmente não dirão nada.

Finalmente, eu explico um pouco mais sobre a importância de se deixar as fotos marinando no vídeo abaixo.

Link pro post original aqui: The Importance of Letting Your Photos Marinate — Eric Kim Street Photography.



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comentários
 
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  • Lonez
    23/07/2013 em 3:04 pm

    É verdade que as vezes, nos perdemos em sentimentos ao escolhermos fotos.
    Nunca havia pensado nisso, mas é uma realidade!
    Também achei interessante a idéia de trabalhar em projetos.

    Enfim, me fez pensar.
    Ótimo texto do Kim! Obrigado por compartilhar com a gente. ;)

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