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Opinião: Lomography Petzval e a busca pelo futuro no passado

por em 26/07/2013
 

Foto acima de Thiéle Elissa

Pra quem anda meio desligado das bobagens novidades da fotografia analógica, a Lomography anunciou no último dia 25 (de julho… de 2013) seu mais novo projeto. A lente Petzval, que é um “revival” de uma clássica lente dos primórdios da história da fotografia.

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A nova Petzval…

Não vou me alongar falando da Petzval original nem do produto da Lomography, porque esse post não é pra isso. Pra isso, recomendo uma boa olhada na página do projeto no Kickstarter que, além de apresentar o novo produto, conta a história do original: http://www.kickstarter.com/projects/lomography/the-lomography-petzval-portrait-lens.

Quero falar é do hábito de se buscar no passado ideias para o futuro do nosso hobby.

Não é a primeira vez que a Lomography vai ao passado em busca de algo para o futuro. Na verdade, essa é a prática mais comum dela. Desde a LC-A, passando pelas clássicas Diana, La Sardina e mais recente Lomokino, todas são reedições de câmeras (ou “aparatos) antigos. A própria adorada Belair inclusive é um revival de câmeras beeem antigas de fole, também chamadas de bellows (já falamos disso aqui). O que me leva a supor que, intencionalmente ou não, a Lomography vem buscando ideias cada vez mais nos primórdios da fotografia. Cada novidade que aparece é derivada de algo mais antigo.

“E dai?”

E daí nada. E daí que é interessante pensar que eles fazem isso, e a gente também. Cada vez que a gente vai numa feirinha, num brechó, quanto mais antiga a câmera, mais fascinado a gente fica. Quando se fala em revelação, quanto mais artesanal o processo, mais fascinado a gente fica.

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Foto de Jana Rubber

E daí que acho legal a gente se lembrar de vez em quando de que a gente tem muito a aprender com coisas antigas, com práticas antigas, com hábitos antigos, com tecnologias antigas. Não simplesmente pra “melhorar e fazer algo melhor no futuro”, mas pra curtir aquelas tecnologias mesmo. Do jeito que elas são, só que nos dias de hoje.

Por exemplo, com câmeras TLR, eu aprendi a fotografar com mais calma, e pensando mais no que ia fotografar (hábito ainda mais forte na galera que fotografa em grande formato). Com rangefinders eu aprendi que não preciso de um trombolho de uma SLR que troca lente e o escambau pra controlar bem o foco de uma câmera. Com câmeras de fole eu aprendi que dá pra se ter uma câmera portátil com uma lente de distância focal grande.

E, é claro, com uma pinhole, que é nada mais do que um espaço escuro com um buraco numa ponta e um troço sensível à luz na outra, a gente aprende o que, realmente, é a fotografia no sentido técnico e material da coisa.

Abrir espaço pro passado na nossa vida pode ser uma oportunidade absurda pra se aprender muita coisa. Outra prova disso é a quantidade de equipamentos que temos pra explorar. Todo dia, no Grupo Queimando Filme do Facebook tem gente apresentando uma câmera que ninguém nunca viu. E isso não é pra ser surpresa pra ninguém.

Se quando vamos comprar uma câmera digital “boa”, temos, digamos… duas ou três marcas fortes, com uns cinco modelos recentes disponíveis… o que dá umas quinze opções. Trinta se você for pensar em modelos mais antigos, ou versõe smais compactas, ou mais caras e profissionais.

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Foto de Marcello Galvão

Meu… mano… trinta modelos diferentes é o que você encontra em UMA barraca de uma feirinha de São Paulo ou do Rio de Janeiro! Faça as contas comigo: ao falarmos de fotografia analógica podemos facilmente considerar os últimos cem anos, concorda? Nesses últimos cem anos tivemos umas vinte ou mais marcas fortes espalhadas pelo mundo. Se cada uma tiver lançado cinco modelos por ano… é isso mesmo. São DEZ MIL MODELOS de câmeras interessantes a se explorar! tá bom ou quer mais? Porque, na boa, deve ser mais do que isso… eu chutaria uns cinquenta mil modelos espalhados por todo o mundo.

E processos artesanais? Cianótipo, calótipo, seilaoquêótipo… todos processos “das antigas” que estão ficando cada vez mais na moda, com workshops, tutoriais e cursos se espalhando cada vez mais pelo Brasil.

Enfim, a Lomography faz, nós fazemos, e isso é bom. Isso tem dois resultados: A) quando nós fazemos isso, vamos descobrindo e trazendo pra galera (pra “comunidade”, se preferir) mais opções, mais conhecimento, mais riqueza. Quando uma empresa faz isso, ela valoriza essa nossa paixão, e torna novamente acessível algo que a muito não estava disponível “para as massas”.

A antiga Petzval...

A antiga Petzval…

A Petzval da Lomography vai ser cara, vai ser polêmica, vai ser tema de vários debates, como a Belair foi, mas reforço minha opinião de que nada disso interessa. Quando olhamos pra trás, vemos o quanto temos pra explorar, aprender, curtir, ensinar, viver. Vemos o quanto o futuro da fotografia analógica como hobby é rico.

Que venha o futuro, porque o passado nos espera! ;-)

#prontofalei

[Update de 26/07/2013 – 12:48. E, olha só que coincidência, ou não, esse post que a Lomography acabou de publicar em seu site… ;-) http://www.lomography.com/magazine/news/2013/07/26/top-5-analogue-products-that-have-made-a-lomographic-comeback ]

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comentários
 
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  • Diego Galípolo
    31/07/2013 em 12:10 pm

    Cara… – rs
    Esse é o tipo de coisa que eu bato o olho e penso “Que merda… pra quê?!” e depois incinero minha língua num grande “Wow!!!”
    Achei muito legal a lente, a nitidez dela e o efeito dela!! Pra uma 85mm f/2.2 (pelo que entendi no site), ela tem um bokeh muito legal e é engraçado o efeito de distorção que causa naquilo que não está em foco.

    Bem legal mesmo!!!

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  • Marcello
    27/07/2013 em 5:21 pm

    Ótima matéria, tenho cameras digitais, mas a que mais me diverte ultimamente é a camera de 63 anos que tirou a foto de um telefone de uma época em que telefone não tirava foto :-)

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  • Jana
    27/07/2013 em 9:46 am

    Obrigada pela matéria elucidativa e por ilustrar o post com uma foto minha. fico lisonjeada

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