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Instagram Generation e o afetivo do fotografar…

por em 30/07/2013
 

Foto por Dead And

Antes de começarmos, dois avisos:

Esse post foi inspirado pelo video aí embaixo., Portanto, veja ele antes de começar a ler.

Esse post foi escrito coletivamente, pelos seguintes colaboradores: André Corrêa, Andrea Xavier, Bruno Massao e Diogo G. Portanto, apesar do post estar em meu nome, pertence a todos esses caras, ok? ;-)

http://www.vimeo.com/64620292 ]

Pensamos muito no porque de postar isso aqui, e não encontramos uma resposta. Mas encontramos vários pontos que nos fazem pensar. Porém, apesar de termos nossas opiniões, colocadas aqui, gostaríamos de convidar vocês a tentarmos descobrir juntos o porque de nos (e talvez alguns de vocês) sentirem uma conexão entre a fotografia analógica como hobby e a fotografia de Instagram.

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Foto de Jana.

Uma das primeiras coisas que podemos pensar, é o como o Instagram é a Toycamera da fotografia digital (ou, se preferir, as Toycameras são o Instagram da fotografia analógica ;-). Tanto as toycameras (ou “câmeras lomo” se preferir usar um nome mais mercadológico) quanto o Instagram te  inspiram a uma fotografia despretensiosa, descompromissada, brincalhona, divertida. É claro que dá pra fazer “coisa séria” nos dois casos. O Jorge Sato (http://www.jorgesato.com/) faz séries de fine art fantásticas com uma LOMO LC-A e o Alexandre Urch (http://www.alexandreurch.com.br/) faz lindos ensaios com Instagram, por exemplo. Mas eles são exceções que comprovam a regra. Basta ver o vídeo acima e comparar com a dinâmica dos “Lomógrafos” típicos.

Além disso, Instagram não é só clicar. Depois do clique você tem aquele momento de olhar a foto, escolher o filtro que melhor traduz a sua ideia, olhar a foto novamente, pensar num texto/hashtag bacana. Pra quem fotografa com filme de forma experimental, com processos improvisados, pinholes, e gambiarras, poucas coisas são, falando em fotografia digital, tão próximas da fotografia com filme.

Mas as semelhanças entre a “Instagramografia” e a Lomografia vão bem além, inclusive nos preconceitos. É claro que em qualquer tribo você vai encontrar imbecis, e vai encontrar coisas muito ruins. Mas assim como a Lomografia teve e ainda tem um papel importante e inegável pro mundo da fotografia analógica como hobby, o Instagram teve, e ainda tem, um papel inegável na fotografia digital. A Lomografia mantém vivo o “fogo industrial e comercial” da fotografia analógica – o que é essencial pra um hobby sobreviver no mundo capitalista ocidental em que vivemos. Já o Instagram acendeu o fogo da fotografia portátil, da fotografia instantânea, compartilhavel e compartilhada no mundo digital. Inclusive já falamos como o Instagram e a fotografia estilo “Polaroid” estão diretamente ligadas (leia que a gente espera ;-).

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Foto de Sergei Neamoscou

 Outra conexão que pode ser vista é a da Street Photography (sobre a qual falamos toda hora aqui no QF) com o Instagram. De repente “todo mundo” tem uma câmera na mão. E isso permite que elas registrem tudo e todos, a qualquer momento. E a fotografia de rua deixa de ser algo de poucos e passa a ser algo de todos. O que era raro e excepcional nos tempos das câmeras enormes, se tornou mais popular nas décadas recentes, e agora se torna algo comum, banal (e, não, banal não é uma palavra pejorativa). E, assim como na Lomografia, que também produz, em sua maioria, imagens banais, o terreno se torna fértil pra que surjam coisas novas, inovadoras, diferentes, de qualidade. A quantidade, afinal, é um terreno fértil pra que surja um pouco de qualidade.

Finalmente, tem o tema do video acima: o Instagram une as pessoas.

“Ah, pô! Mas toda forma de fotografia une as pessoas. Uma saída fotográfica como essa do vídeo une analógicos, digitais, amadores, profissionais… faz todos que amam a fotografia estarem juntos, compartilhando o que fazem e o que sabem! Isso não é mérito do Instagram”.

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Foto de Jana.

Ahá! Te peguei! Esse é o ponto! Se fotografia une as pessoas, e Instagram une as pessoas, porque deixar o Instagram (ou a Lomografia, ou qualquer outra forma de fotografia) de fora da galera? Porque discriminar?

Enfim, podemos passar dias falando sobre isso. Mas o objetivo aqui é mostrar que, apesar de sermos analógicos de coração, não devemos ser xiitas, serparatistas, radicais. Outras formas de fotografia podem e devem ser usadas, pra que possamos melhorar cada vez mais nosso hobby, nossos resultados e nossos rituais.

Pense nisso ;-)



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