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E agora para algo completamente diferente*…

por em 24/09/2013
 

Hoje queria compartilhar uma experiência recente com vocês. Aliás, tão recente que ela ainda está rolando. Mas, mesmo assim, acho que pode ser legal compartilhar. Vai que ajuda um de vocês, como me ajudou ;-)

Sabe quando você começa a olhar pras suas fotos e não vê nada? Fica achando tudo muito0 blé… muito mazomenos? Pois é. Outro dia eu estava assim. Achava que estava fazendo alguma coisa errada, que estava pouco inspirado, que estava precisando ler mais, estudar mais, ou até, porque não, parar de fotografar pra ver se a ausência de fotografia melhoraria minha fotografia.

Mas, como dá pra imaginar, nada disso funcionou (sim, tentei todas as opções acima). Até que desisti e liguei o famoso e proverbial foda-se. Deixei rolar (sabe aquela teoria de que quando a gente tá procurando namorado(a), quanto mais você procura, pior é, e que quando você para de procurar, ele/ela aparece? Pois é…)

RP01_aO tempo foi passando, e felizmente, me deu um estalo: e se eu tentasse fazer algo completamente diferente? Algo que eu nunca havia feito, e/ou que nunca achei que conseguisse fazer? Achei a ideia interessante, mas faltava ainda a outra metade da resposta: qual das milhões de coisas que eu nunca faria eu escolheria pra fazer? Pois bem, demorou mais umas semanas, mas a resposta veio, em uma aula do amigo e professor Alex Villegas: eu iria fotografar cenários urbanos, com filmes coloridos (e não cromos/slides), com a maior profundidade de campo possível, ao estilo de um dos fotógrafos que mais curto: Robert Polidori.

É claro que eu sabia que não iria fazer o que o Polidori fazia (mesmo que tivesse a câmera que ele usa…). Ele serviria simplesmente de guia. Eu tentaria imitar ele pra encontrar alguma coisa interessante. Alguma coisa que eu gostasse e que nunca pensaria em fazer sem estar me desafiando dessa forma. Será que iria funcionar? Sei lá… paguei pra ver.

Calhou de, alguns dias depois, eu ter que viajar duas vezes – uma a passei e outra a trabalho – pra praia (Búzios, RJ, passando pelo Rio de Janeiro) e pro campo (Itatiba, SP, mais precisamente no Hotel Fazenda Dona Carolina). Aproveitei pra colocar minha experimentação à prova.

Primeiro veio Rio de Janeiro e Búzios. Pra dias ensolarados, escolhi os filmes Kodak Pro Image e Kodak Ektar 100. E o desafio aqui é que eu nunca curti fotografar com negativos coloridos. Sempre preferi cromos/slide. Mas paguei pra ver, já que eu precisava da latitude dos negativos coloridos pro “efeito Polidori” que queria nas fotos, com detalhes tanto nas altas luzes quanto nas sombras. Além disso, como disse acima, fotografei apenas com profundidade de campo alta, com a lente em f/11 ou superior.

O resultado (é óbvio, ou eu não estaria aqui contando pra vocês) foi surpreendente. Quando as fotos chegaram e me preparei pra tratá-las, parecia que eu estava vendo fotos que não eram minhas, mas que eu havia gostado muito! Os negativos, principalmente o Ektar, me surpreenderam muito, e me fizeram perceber o quão burro eu estava sendo menosprezando eles.

Abaixo, as fotos no Rio e em Búzios.

Bom. Dois dias depois de fazer essas fotos, mas sem ter visto elas (eu nem havia mandado elas pra revelar ainda), parti pra uma viagem à trabalho pro interior de SP. Com o tempo muito, muito feio, achei que filmes coloridos não iam trazer o efeito que eu queria, e resolvi transformar meu desafio colorido em um preto e branco: eu manteria a profundidade de campo gigante mas, com a ausência de cores, iria tentar fazer pbs diferentes do que eu estou habituado a fazer. Como sempre faço pbs muito contrastados, resolvi fazer pbs com muitos tons de cinza, e poucos extremos. O filme escolhido foi o Kodak Tri-X 400.

O resultado, novamente, me deixou pasmo. Fotos pb que eu achei que nunca pudesse fazer, simplesmente porque mudei meu olhar pra algo completamente diferente. Os centenas de tons de cinza, que eu sempre esmagava em pretos e brancos fortes, foram libertos, e dominaram as fotos de uma forma que só achei que fosse possível em fotos dos outros. Confesso que passei horas editando e tratando as fotos só pelo prazer de ter elas na minha frente. E, é claro, nem as fotos da fazenda, nem as da praia, ficaram sequer parecidas com uma foto do Robert Polidori ;-)

Novamente, abaixo as fotos do Hotel Fazenda.

A essa altura você já deve ter sacado a moral da história que quero passar, né? É isso mesmo: quando se sentir completamente esgotado criativamente, quando achar que não sai mais nada da sua cabeça, por mais que você esprema, pare tudo. Dê dois, dez passos pra trás, esqueça um pouco suas fotos, suas câmeras, e se permita – sem procurar por elas – deixar novas referências virem até você.

Às vezes a gente se esquece que “estilo fotográfico” é tão mutável quanto nosso gosto por comida, ou por música. E isso é saudável. Felizmente, basta uma pequena mudança pra percebermos isso, e sentirmos de novo aquele prazer pelo que fazemos…

E você? Tem alguma experiência que pode ser interessante pros coleguinhas? Manda pra gente! Quem sabe não vira post? ;-)

P.S: Essas fotos aí estão bem prejudicadas, porque roubei elas do meu Facebook. Pra ver elas numa qualidade melhor (se, por exemplo, não tiver achado as cores tão legais assim, ou os tais cinzas tão legais assim) sugiro dar uma olhada no meu perfil do 500px, aqui.

* O título desse post é uma citação ao filme do grupo Monty Python com o mesmo nome. Mais detalhes aqui.

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comentários
 
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  • Dona
    16/08/2014 em 1:00 am

    cara, esse texto me deixou tão bem agora. hj estou tão pra baixo, e achando as fotos que eu fiz tão ruins. agora, após ler isso, vou sair no domingo e tentar mais umas, usar outro filme, outras aberturas…
    essas fotos ficaram lindonas!

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  • Betina
    13/10/2013 em 4:40 pm

    lindas as fotos, andré! o rj, como sempre inspirador, e esses p&b tão lindos, também (e olha que eu dificilmente gosto de fotos sem “vida”, quero dizer, sem gente, sem animal…)
    nesse momento eu to no rio, vim passar o fds. e pela primeira vez, resolvi viajar trazendo só minha pentax. coloquei uma pro image nela também, vamos ver como sai… mal posso esperar pra ver os resultados!

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