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Viagem e fotografia analógica: os problemas e os prazeres…

por em 03/10/2013
 

Dia de estreia de colaborador no QF! \o/ Conheci a Caroline Hecke quando li o (super legal!) post que ela escreveu pro Techmundo outro dia (não leu, aqui, ó). Ela começa os trabalhos no QF falando sobre algo que ela conhece bem: viajar levando câmeras de filme.

Diga lá, Carol! A palavra é sua! ;-)
Viajar é sempre incrível. Viajar fotografando então, para quem gosta muito dos dois assuntos, é um prato cheio. Mas nem sempre você pode ficar feliz de andar com câmeras por aí, principalmente se elas são analógicas. É claro que os momentos de arrependimento acabam sendo pequenos em comparação aos resultados, mas vou contar para vocês algumas das minhas experiências mais recentes.

Primeiro, vou contar um pouco sobre mim e como entrei na fotografia analógica. Sempre fui apaixonada por fotografia, mas sempre como uma paixão fora do trabalho (já trabalhei contratando fotógrafos e comprando imagens em agência de publicidade, mas se vendi mais do que 60 fotos até hoje foi muito).

DDD7426-R1-01-36 A fotografia analógica para mim sempre foi um mistério: quando eu tinha idade para fotografar pra valer, já contava com câmeras digitais em casa. Fiz cursos de fotografia e revelação analógica assim que saí do ensino médio, mas nunca tinha tomado coragem para começar na prática. Faz pouco mais de um ano que comecei pra valer e posso garantir que esse é um caminho sem volta: é puro amor.

De lá pra cá, minhas câmeras já me acompanharam pelas ruas de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Miami, Orlando, Fortaleza, Londres e Paris (ufa!). Com essas experiências na bagagem, posso garantir para vocês: é preciso gostar muito disso para continuar encarando aventuras analógicas mundo afora.

Para mim, o primeiro problema é o transporte. A gente já sabe que o raio-x é um problema, mas não tão grande assim, mas, de qualquer forma, a cada passada no raio-x, a aventura aumenta e você tem a sensação de poder ouvir os gritos dos filmes de dentro daquela máquina da morte. E quem já conheceu grandes cidades fora do país sabe bem quantas vezes isso se repete. É raio-x para entrar em museu, parque, memorial, igreja… Enfim, é quase uma provação divina para os mais ansiosos. Eu nunca percebi grandes problemas, mas posso não ter passado os rolinhos vezes o bastante para experimentar aberrações.

Mas os problemas no transporte não se resumem apenas às grandes caixas de luz em que os filmes devem entrar. Se você é exagerado um grande entusiasta como eu, jamais vai se contentar em carregar só uma câmera por aí. Afinal, para que usar apenas um filme em uma câmera quando você pode carregar diversas câmeras, cada uma com um propósito diferente e com filmes alternativos? O grande problema é que, na verdade, você não pode. Você até pensa que pode, se anima e leva tudo o que você conseguir enfiar na mala, mas vai ter problemas com isso.

Voltei da Europa na semana passada e quase fui barrada no aeroporto por tentar levar uma mochila gigantesca comigo. É claro que eu não poderia despachar nada ali. Eram câmeras, lentes, filmes e mais câmeras. Além da digital e suas 5 lentes, eu carregava uma Olimpus Trip, uma Diana Mini, uma Holga Mini, e uma Spinner 360 – e todos os seus acessórios, é claro. A Trip, carregada com um filme PB, o resto apenas com variações de ISO de filmes comuns da Lomography.

Ao mostrar tudo isso no balcão da companhia aérea, meu argumento foi dado. Mas isso não impediu a condenação latente no olhar da funcionária da empresa. Fui salva pela justificativa de que estava viajando a trabalho “imprensa, sabe como é…”, acompanhada de uma risadinha amarela. Sim, eu fui a trabalho, mas mal sabia ela que tudo aquilo era só para os meus momentos de folga e final de semana.

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Em Paris, saí quase fantasiada pelas ruas. Quem conhece os parisienses, já pode imaginar o tipo de olhar que recebi por lá. Chuva, vento e eu com uma enorme mochila nas costas, com todas as câmeras que eu poderia carregar. Obviamente, eu tinha esquecido a capa de chuva da mochila. O resultado: coloquei uma capa de chuva em mim, cobrindo também a mochila. Não consigo descrever o que eu parecia, mas posso garantir que até eu me assustei quando vi meu reflexo nas janelas no metrô.

Nas minhas férias, enfrentei problemas com a Spinner 360. Como ela tem um formato, digamos, nada convencional, às vezes é bastante difícil convencer alguém logo de cara que aquilo se trata de uma câmera fotográfica. Por isso, a cada embarque era preciso explicar o seu funcionamento, além de aguardar a inspeção manual e, até mesmo, a verificação de resíduos químicos no equipamento.

Embora os obstáculos possam ser enormes, quem gosta de fotografar sabe bem o gostinho que dá ao ver o resultado de tanto empenho. Ainda não tive tempo de revelar minhas fotos da Europa, mas as imagens digitais ficaram surpreendentes. Assim que eu tiver novidades (e espero que sejam boas) terei o enorme prazer de mostrar para vocês.

E você, já teve alguma experiência diferente em viagens?

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comentários
 
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  • Alfeu
    09/06/2015 em 10:22 pm

    Uma dúvida: e a volta? Como foi na alfândega? Tow na mesma situação que a sua. Também posso alegar trabalho, mas nas mesmas condições suas :))). Agradeço sua resposta.

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  • Rita Cosita
    12/07/2014 em 6:26 am

    Para quem viaja na Europa com companhias low cost é muito triste quando chega a hora de escolher que máquinas levar para que caibam todas na única bagagem de mão que podemos levar para não ter de pagar mais :(
    Eu costumo viajar com duas analógicas e uma digital, uma lente extra e alguns rolos. Mas quando uma das analogicas é a Fuji Instax Wide, é muita ginástica caber tudo!

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  • 17/01/2014 em 7:00 pm

    interessante, cresci vendo meu pai fotografar com analógicas, mas já ingressei nos cursos de fotografia com uma digital em punho… só que agora estou tentada a usar uma analógica… namorei uma Lomo, mas acabei comprando uma Instax Mini8 da Fujifilm… e comprei pensando na viagem que eu vou fazer agora… comprei uns filmes extras e é claro que eu levarei comigo também a minha Nikon D90 e, pelo menos, a 16-85mm ou a básica e surrada 18-105mm, ainda não decidi, mas está pacífico que levarei apenas 1 lente e acho que nenhum flash… porque já viajei carregando um bom material e sei o quanto sofremos com isso… sei que o arrependimento bate, porque eu senti esse arrependimento justo quando estava em Paris… pulemos esse episódio tristonho…

    mas a minha aflição hoje é justamente: filme instantâneo e o temido radio x… :o por isso corri atrás do tema… e agora estou num dilema… levar as caixas de filme na bagagem de mão o meter a maioria dentro da mala? isso está tenso demais…

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  • Luis
    29/10/2013 em 12:35 am

    Na minha última viagem levei exatamente uma dúzia de filmes e mais os dois rolos que estavam dentro das duas câmeras analógicas. Também levei uma câmera digital e o celular que faz umas fotos bem ruins. Mesmo assim o usei. Eu já percebi o seguinte: se eu levar a câmera digital faço pouquíssimas ou nenhuma foto analógica. Só fiz fotos analógicas mesmo tendo levado uma câmera digital quando acabou a bateria da mesma numa outra viagem. Agora tenho três baterias e não corro o risco de ficar sem. Acho também uma grande complicação levar várias câmeras. Acabam atrapalhando e podem chamar atenção, negativamente falando, dependendo do local onde se está. A câmera digital é muito mais prática, mas confesso que gosto muito das fotos com filme que fiz e que de vez em quando faço, e, claro, foi falta de compromisso meu não ter fotografado mais com os filmes. Talvez na próxima eu deixe a digital em casa, mesmo com aquele sentimento de ‘estou fazendo algo do qual irei me arrepender’, porque depois as fotos analógicas apagam esse sentimento quando reveladas.

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  • 05/10/2013 em 1:09 pm

    Passo por isso sempre na hora de arrumar a minha bolsa porém consigo (com MUITO SOFRIMENTO) deixar algumas câmeras para trás!

    Agora estou passando por uma dúvida cruel – Final do ano vou para fora do Brasil e estou com medo de ter problemas com as máquinas na hora de passar na alfandega! Irei levar apenas um câmera profissional e uma lente e um Canon ae1 (difícil chegar nesse veredito!!!). Será que isso pode me dar dor de de cabeça ou passo na alfandega tranquilo!?

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  • 04/10/2013 em 10:03 am

    Muito bom saber que tem mais gente maluca carregando um monte de cameras (e filmes) em viagem. Já levei meus filmes por Nova York, Londres, Paris, Edinburgo, Munique, Berlim, Viena, Praga e mais algumas outras cidades fora e dentro do Brasil e na ultima bati o recorde com duas DSLRs com 4 lentes em comum e duas RF com 12 rolos de filme e 3 lentes em comum só pra registrar as férias, não é fácil, mas na volta as fotos fazem valer a pena. Precisaria de um post pra descrever minhas experiencias com filmes e cameras por aí.
    Hey, pessoal do QF, que tal uma lista de cidades amigáveis (onde você pode comprar, revelar e se equipar) para aqueles que levam seu filme além da linha do raio-x?

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