1comentário

Contando até 10 com David Fonseca

por em 05/10/2013
 

Hoje estou aqui para fazer ressurgir das cinzas a rubrica “Contando até 10“. Como colaborador português do QF,  é quase um dever cívico que vos traga fotógrafos portugueses que tenho como referências pessoais. Um deles é o David Fonseca.

Talvez já tenham ouvido o seu nome associado à música, mas ele desenvolve um trabalho fotográfico em paralelo: editou um livro de Polaroids “Right Here, Right Now” e, por vezes, mistura os seus dois mundos em trabalhos como o vídeo da canção “Hold Still”, que podem ver no fim do post. 

Ao preparar um texto sobre o seu livro (será publicado brevemente, fiquem atentos!), perguntei a mim mesmo: porque não tentar entrevistar o próprio David? Para minha feliz surpresa, ele não só acedeu ao meu pedido, como ainda confessou: gosto imenso de falar sobre fotografia e nem sempre tenho a oportunidade para fazê-lo.

Sem mais delongas… fiquem com esta deliciosa viagem ao mundo analógico do David!

tumblr_mcpjjlQPbr1qfkl0vo1_12801) Apresente-se pro povo…
Chamo-me David Fonseca, sou músico profissional e trabalho em várias áreas relativas à imagem, desde fotografia ao vídeo. Tirei o curso de cinema (área de imagem) na Escola Superior de Teatro e Cinema em Lisboa e sou realizador da grande parte dos meus videoclips.

2) O que faz da vida?
Como disse, sou músico profissional. Formei a minha primeira banda em 1995, os Silence 4, e embarquei no mundo profissional da música em 1998 para nunca mais o abandonar. Depois de 2 discos muito bem sucedidos, embarquei numa carreira a solo em 2003 que dura até hoje, com inúmeras tours, discos e canções ao longo de todos estes anos.

3) E a fotografia?
A fotografia apareceu na minha vida muito antes da música. Aos 16 anos comecei a fotografar depois de ter feito umas pequenas experiências com uma Agfamatic que era dos meus pais. Mais tarde meus pais ofereceram-me uma Zenit, a minha primeira reflex, e nunca mais parei de fotografar e trabalhar em laboratório. Não houve ninguém que me tenha influenciado para tal, acho que foi apenas uma forma de me aproximar de uma área artística e de expressar o meu mundo através de imagens.

4) E a fotografia analógica?
Sempre fotografei em analógico e são raros os momentos em que usei o digital. Comecei a revelar os meus negativos preto e branco muito cedo (e ainda hoje o faço) e tenho uma ligação grande com a forma como a luz se comporta com a película. Lembro-me que quando comecei, ainda antes de existir a fotografia digital, a película a preto e branco era a única forma de poder disparar regularmente, pois era muito caro depender de laboratórios para revelar as películas e imprimir imagens.

tumblr_mm39kdcprI1qfkl0vo1_1280Tive o meu primeiro laboratório aos 18 anos montado numa casa de banho na casa dos meus pais e trabalhei nele semanas e semanas da minha vida. Hoje não uso tanto o laboratório para imprimir imagens, mas continuo a fotografar quase exclusivamente em película e a scanar os resultados.

5) Quais câmeras analógicas você tem?
Tenho várias. Neste momento a minha preferida é a Mamiya 6, um clássico com lentes absolutamente únicas. Tenho uma Leica M7, uma Rolleiflex, uma Nikon mais velhinha e algumas máquinas curiosas como a Horizon (que faz fotografia panorâmica em 35mm) e uma Ricoh GR1 que uso para fotografar quando não há lugar na bagagem para máquinas maiores.

Há uns anos comprei uma máquina de grande formato, mas não a uso tão regularmente, o grande formato implica ter mais tempo para fotografar, algo que às vezes é difícil ter. E claro, a Polaroid Image, um máquina incrível que hoje está obsoleta por não existir filme decente para ela.

6) Tem algum filme de preferência?
A cores, a gama Portra da Kodak é a minha preferida. A preto e branco, o 400 TriX
também da Kodak, especialmente quando usado com reveladores como o Ilford DDX.

7) Tem algum estilo fotográfico de preferência?
Gosto muito de fotografar a cores e de procurar as partes mais invisíveis do mundo, de interpretá-lo do meu ponto de vista. Para mim, a fotografia conta sempre uma história interior, muito mais do que mostrar uma espécie de facto documental ou retratar um acontecimento. Acima de tudo, é a minha história pessoal que espero que as imagens possam contar. 

tumblr_mm49pljuN91qfkl0vo1_12808) Tem algum fotógrafo que seja referência pra você nessa área? Porquê?
Tenho vários fotógrafos de referência, Alec Soth, Rinko Kauwachi, Doug Dubois, Elliot Erwitt entre tantos outros. Acima de tudo, aprecio fotógrafos onde as imagens são a plataforma para um entendimento maior sobre as razões que levaram a que existissem dessa forma. Talvez por isso aprecie tanto o formato de livro, pois é a forma ideal de compreender uma intenção do fotógrafo e não a avaliar as qualidades intrínsecas de uma única imagem.

9) Uma dica pra quem tá começando na fotografia analógica.
Pensar antes de disparar.
Se há coisa em que a fotografia analógica ganha é na quantidade de fotogramas que se podem fazer em cada rolo, tornando impossível disparar ao acaso sem antes pensar efectivamente o que tudo aquilo significa e na importância do que está à nossa frente.

10) Outra dica, pra não te chamarem de egoísta…
Nunca sair de casa sem uma máquina fotográfica, independentemente para onde se vai. Tudo pode acontecer a qualquer momento.

 

Conheçam mais sobre o trabalho fotográfico do David em davidfonsecaphotography.com

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
Deixe uma resposta »

 

Deixa aí seu comentário!