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Depoimento: Como foi fotografar o HOLI – Festival das Cores

por em 07/10/2013
 

GUESS WHO’S BACK, BITCHES?

Uau. Depois de mais de 35 horas – quando o post ir ao ar provavelmente terão sido mais de 40 horas – de GTA V, resolvi dar uma pausa para escrever sobre como foi fotografar o HOLI – Festival das Cores, que rolou no Parque Villa-Lobos, aqui em São Paulo, no último dia 28 de setembro.

Para início de conversa, o HOLI é um festival de origem hindu que celebra a chegada da primavera. Claro que há todo uma lenda por trás da criação do HOLI, mas não acho que seja o caso de ficarmos conversando a respeito aqui – mas sugiro que todos leiam um pouco a respeito.

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Pois bem, a versão brasileira do festival foi anunciado em meados de abril, e logo que foi anunciada eu comecei a buscar imagens e saber um pouco mais do que seria o festival. Logo de cara eu achei algumas fotos animais de fotógrafos que cobriram eventos semelhantes ao redor do mundo. E logo veio o pesadelo: a possibilidade de, literalmente, destruir o equipamento utilizado.

Corri mais atrás e nada dava conta de dizer que um equipamento sobreviveria à quantidade de pó lançada num evento desses, principalmente as objetivas e não foram textos como esse aqui que me animaram a ir atrás do festival. Mas sabe qual é a parte irônica? Pouco tempo – literalmente horas – depois de desistir da ideia, o PetaPixel postou um artigo sobre a cobertura que o fotógrafo Christian Ramirez fez da Color Vibe, o que fez eu ir atrás do cara – e rendeu um post com dicas sobre como poupar seu equipamento no evento. Foi então que eu decidi ir atrás de fotografar o evento.

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O primeiro passo, claro, foi descolar alguém insano chapado louco maluco que me emprestaria uma objetiva para cobertura do evento, e foi assim que eu falei com o pessoal do Canon Professional Services. O CPS, pra quem não sabe, é tipo um “clube” onde profissionais pagam uma anuidade e recebem acesso a serviços como limpeza, descontos em manutenção, empréstimo de equipamentos em eventos, etc. O serviço, que já existia fora do Brasil, chegou por aqui no começo de agosto. Conversei com eles e a resposta que me foi dada foi positiva. Não apenas eles me emprestaram uma objetiva para ser utilizada – a EF 24-70mm f/2.8L II USM – mas também uma DSLR e outra objetiva – uma 7D com a EF 8-15mm f/4L USM Fisheye. Junto com esse equipamento, eu já havia decidido levar a minha fiel e digníssima EOS 3.

Equipamento fotográfico decidido, estava na hora de separar meu equipamento de proteção individual. Um ponto levantado pelo Christian foi justamente o fator “se proteja mais do que seu equipamento” e aquela quantidade de pó com certeza não seria legal pra minha bronquite – e eu não queria ficar morrendo. O que eu fiz? Comprei um filtro de poeira pra uma máscara respiratória que eu tinha adquirido na época das manifestações – e nem cheguei a usar porque virou Carnaval, mas isso é outro papo – e um óculos de proteção. Apenas isso.

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O dia do evento foi chegando e, mesmo com o pessoal do CPS ciente que eu poderia, literalmente, destruir as objetivas – obviamente elas são weathersealed e eles levam isso bem à sério, tanto que eles não encanaram tanto quando eu comentei do pó… – eu tomei algumas precauções, como isolar frestas do anel de zoom e foco quanto alguns botões e a hot shoe da 7D. A minha EOS 3 só teve os mesmos cuidados na hot shoe e na parte inferior da câmera – já que o antigo dono usava com motor drive e fez o favor de perder a tampa inferior de onde o drive é encaixado…

Equipamento decidido? Parte dele, sim. Com a digital eu não tive tanto o que escolher, mas ainda precisava decidir quais filmes iria levar para usar na EOS 3. Peguei minha caixa/estoque de filmes e fui vendo um por um, a fim de decidir quais seriam usados. No final, optei por levar 4 rolos, sendo um New Portra 400, um ProImage 100, um Pro 400H e um Superia 400, todos negativos. Separei tudo na quinta-feira que antecedeu o festival e segui com minhas atividades normalmente.

No dia seguinte, à noite, era a hora de acomodar o equipamento todo na minha mochila. Filmes? Check. Equipamento? Check. Baterias? Ch… OH WAIT.

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O problema foi com a EOS 3. Eu carreguei o filme nela – o New Portra 400 -, a câmera reconheceu, engatilhou o filme e… Morreu. A bateria foi pro saco. Ou seja: faltando menos de 10 horas pro HOLI começar eu saquei que estava sem baterias – e a saída foi acordar cedo para ir comprá-la, coisa que eu fiz e, logo em seguida, fui direto pro evento. Correria pra que, né?

Chegando no parque, me dirigi à “ilha do som” em que seria o evento. Cheguei cedo, antes de começar, e já havia uma galera no local. Fui fazer o reconhecimento de local e vi outros fotógrafos com câmeras, literalmente, ensacadas em PVC, sacolas e/ou saquinhos ziplock. Havia um que teve a coragem (!) de “isolar” sua Nikon D5200 novinha (!!!) com aquela fita adesiva merda cor de… merda (!!!!!!). Fora isso, havia uma galera num nível mais “foda-se”, com câmeras à mostra mesmo, sem proteção alguma – em sua maioria, SLRs (tanto analógicas quanto digitais) de uso amador. Mas… Como meu papel não é ficar julgando os outros, fui me preparar para fotografar.

A primeira explosão de cores rolou exatamente às 10h30, debaixo de muito sol. A primeira, como as pessoas costumam dizer, é sempre a pior, e logo eu já estava me acostumando com todo aquele pó voando pra lá e para cá. E, enquanto eu andava pelo meio do pessoal, fotografando aqui e ali, vez ou outra as pessoas pediam para tirar uma foto minha – não é muito usual ver um cara com máscara respiratória num evento desses, mas ei, eu não era o unico. E, foto vai, foto vem, acabou o primeiro rolo de filme.

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Me afastei da muvuca, pouco mais de duas horas fotografando debaixo daquele sol, para trocar de filme e aproveitar e beber água. Fui pra sombra, afastado de tudo – e todos -, abri a câmera e… Limpinha. Absolutamente nenhum resquício do pó havia penetrado dentro da EOS 3. Isso me animou um pouco, confesso, pois eu não havia protegido essa área propositalmente. Carreguei a câmera com o ProImage 100 (o unico filme de ISO baixo que eu havia levado) justamente para poder fazer algumas fotos com a 24-70mm em f/2.8.

Voltei à ilha, fotografei por mais uma hora e meia e decidi fazer uma pausa para o almoço. Mas como desgraça pouca é bobagem, todo mundo teve essa maravilhosa ideia ao mesmo tempo, o que fez eu ficar mais de 30 minutos para pegar um hot dog. Pelo menos eu paguei “apenas” R$4,00.

Após o “””””””almoço”””””””, voltei para o evento e continuei a fotografar. Mas, não sei se por descuido da produção ou por não acreditarem plenamente na quantidade de pessoas que iriam ao evento, o pó começava a ficar escasso. Após duas horas, obviamente, o pó acabou… Mas nem por isso a galera deixou de curtir o festival, estando coloridos ou não. Terminei o rolo de ProImage da câmera e decidi ir embora, mas não sem antes dar uma geral na câmera – coisa que fica pra outro post.

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Fotografar o HOLI foi uma experiência divertidíssima e com certeza valeu a pena. Que o evento tenha uma reedição ano que vem, e que seja produzido o pó colorido em uma escala maior – tipo, bem maior mesmo. No mais, gostaria de agradecer ao CPS pelo empréstimo dos equipamentos e frisar que todos eles estão bem, funcionando completamente e sem nenhum resquício de pó – tanto interna quanto externamente.

E para quem quiser conferir todas as fotos, além das que ilustram esse post, podem visitar minha página do Facebook. Lá estão tanto minhas fotos digitais quanto as analógicas.

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