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Comparando filme com digital (no bom sentido)

por em 14/10/2013
 

Outro dia resolvi fazer fotos em uma mesma sessão, com minha SLR digital (Canon EOS 30D) e com a SLR analógica, só pra ver os resultados. E queria compartilhar com vocês, hoje, alguns pensamentos. Pra mim a experiência foi muito boa, e espero que possa ajuda vocês em alguma coisa.

Mas antes de continuar, vale lembrar que, apesar de ser criador do QF e fotografar com filme que nem um louco, não sou radicalmente contra nada, muito menos contra digital. Fotografo com celular o dia inteiro, tenho minha DSLR, tenho uma Lumix que uso pra viagens rápidas, e acho que, para fotógrafos profissionais (eventos, retratos e qualquer outra área que demande velocidade e controle) a chegada do digital foi uma evolução incomparável.

É que, no hobby, no coração, no prazer, nada se compara ao analógico ;-)

Bom, voltando, vamos às fotos. As duas abaixo foram feitas no mesmo ensaio, com a mesma luz, mesma modelo, mesma velocidade e abertura, lentes diferentes (a analógica OM-1 estava com uma 50mm enquanto a 30D estava com uma 17-50 e não me lembro agora em qual distância focal estava na hora da foto. E, sim, sei que dá pra ver no EXIF, mas estou com preguiça. Até porque isso é irrelevante :-). As duas, aliás, estão sem tratamento algum. A analógica estava com um Kodak Pro Image 100.

Vamos aos primeiros pensamentos:

– Apesar de ter colocado as duas câmeras na mesma velocidade pra sincronia com o flash, quebrei a cara porque a velocidade correta pra digital é 1/125 (saiu certinho) mas a da OM-1 é 1/60. Como não li o manual, me ferrei. Sairam todas assim, com a cortina ocupando parte do quadro. Bem feito pra mim, que não li o manual antes de usar.

O filme pegou bem mais luz, no mesmo ISO (100) do que a digital.

A latitude do filme se mostrou incrivelmente maior do que a do sensor digital. As áreas de sombra da foto analógica mostram isso.

– O sensor da 30D está imundo, o que pode ser visto pelos pontos gigantescos sobre o fundo na foto digital. Preguiça de limpar.

Os grãos do filme chamam MUITO a atenção quando comparamos as duas fotos. A tal “estética do filme” (ou uma das definições dessa tal estética) mostra sua cara.

Bom, foi mais ou menos isso. Daí fui tratar as fotos. Das digitais saíram várias, mas das com filme, por causa do problema de sincronia só salvaram três. O que mais me impressionou foi o quanto, na hora de tratar, tive dificuldade de ver elas da mesma forma, como parte do mesmo ensaio. Simplesmente não achei que a estética que usei no digital funcionaria pro analógico, e muito menos o contrário. Acabei tendo variações sobre o mesmo tema.

Como dá pra ver nelas aí em cima, as digitais acabaram ficando mais suaves, mais esfumaçadas, mais escuras e com menos saturação. As de filme acabaram ficando um pouco mais saturadas, com uma saturação que valorizou o tom da pele da modelo, e com menos nitidez, acredito, por dois motivos: o crop gigante que tive que dar na imagem por causa do problema da sincronia com o flash, e por incompetência minha mesmo na hora de fazer a foto.

De quais gostei mais? Sinceramente não sei. Acho que, por ter feito essa experiência, criei um bicho que não funciona em partes. Só consigo ver essas fotos juntas, como lados diferentes da mesma moeda. São olhares diferentes da mesma situação.

Bom, fim dos pensamentos. Espero ter feito você pensar um pouco também. E, se for esse o caso, porque não compartilha os seus (pensamentos) aí nos comentários? ;-)

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comentários
 
Deixe uma resposta »

 
  • Amanda
    04/11/2013 em 3:08 pm

    Oi
    Você poderia me informar onde tem para vender uma Lubitel 166 nova? Elas estão esgotadas no site da Lomo
    Obrigada,
    Amanda

    Responder

  • Luiza
    28/10/2013 em 6:47 pm

    Menino, em explica uma coisa. O mesmo flash precisa de tempos de exposição diferentes nas duas câmeras pra não dar cortina? Como isso? Não consigo entender.. hahaha

    Responder

    • 29/10/2013 em 8:19 am

      Oi Luiza! Pois é… é isso mesmo. Mas pelo que sei, tem a ver com a tecnologia das câmeras e a velocidade em que a câmera realmente começa a disparar. Tecnicidades desse tipo não são muito a minha praia. Portanto, não sei explicar em detalhes… :-D

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      • Luiza
        29/10/2013 em 7:55 pm

        Eu perguntei querendo que você respondesse: não, foram dois flashes diferentes, pode dormir tranquila.

        Mas agora eu fiquei encucada. hhahahah Vou dar uma olhada nisso aê (comprei um flash manual e ainda tô aprendendo a usar na digital, mas queria mesmo usar na minha OM-10, que além de tudo, não tem modo manual… ferrou)

        Responder

  • Filipe
    14/10/2013 em 1:50 pm

    Émerson, para mim qualquer fotografia digital é SEMPRE mais fria que uma analógica, não sei se é o grão, as cores que parecem quase sempre mais vintage ou outra coisa até.

    André, acho que a ideia está boa, embora acho que devia ter sido feita com a mesma lente ou equivalentes o que ja daria para ter as aberturas e velocidades iguais.
    Às vezes o coating, a distancia focal, abertura podem fazer muito por uma foto e suas cores.

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    • 14/10/2013 em 2:58 pm

      Opa Filipe! Ouvi dizer que existe diferença de balanço de branco default entre Canon e Nikon, que uma é mais quente outra mais fria. Mas não sei se é verdade, e nem se é algo de gerações antigas de câmeras.

      Sobre fazer o comparativo com lentes iguais… ai é que está a questão. Eu não tenho interesse nenhum em comparar tecnicamente os dois formatos. O objetivo era meramente sentir as diferenças, digamos, tangíveis a um “expectador leigo”, em um primeiro contato com a comparação. Mas se você por acaso for fazer um teste assim, me avise que a gente faz um post aqui no QF contando tudo, ok?

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  • 14/10/2013 em 11:30 am

    Olá André.
    Primeiramente parabenizo pela experiência, achei muito interessante e tenho muito interesse em realizar esse comparativo, talvez atentando mais para os parâmetros usados a fim de fazer um comparativo mais “científico”.
    Algo que eu não li na postagem, mas fiquei curioso, você lembra qual WB usou na digital? As fotos digitais me parecem terem ficado um tanto quanto mais frias que as analógicas. o WB foi aproximado?

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    • 14/10/2013 em 2:55 pm

      Oi Émerson. Obrigado! :-) O WB estava no automático, e se ajustou bem com o flash. O que você sentiu existe, mas vou colocado propositadamente na pós produção. A baixa saturação foi acentuada com um tom mais frio mesmo…

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