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Miroslav Tichý e a arte do controle absoluto sobre o processo

por em 28/11/2013
 

Miroslav Tichý queria se sentir independente do mundo. Queria uma autonomia absoluta. Por isso, mesmo tendo vindo de uma família “normal”, acabou ficando conhecido por seu visual mendigo. Mesmo assim, Miro (posso chama-lo assim?) ficou famoso, tanto por suas criações de equipamentos quanto por suas fotos. E, ironicamente, apesar de seu desprezo pelo mundo, após a sua morte, em 2011, ganhou página no feice e site próprio.

Miro era um cara que nasceu e viveu na (antiga) Tchecoslováquia (que depois se desfez) e na República Tcheca. Formado em Belas Artes, começou sua vida de artista com pintura. Depois, perseguido pelo governo, passou a apenas fotografar. Mas pra ele não bastava fotografar. Era necesário ter controle de todo o processo. E, pra ele, controle de todo o processo não era apenas comprar filme, revelar e ampliar em casa. Ele construiu todo, TODO o equipamento que usava. Todas as câmeras, ampliadores, tudo.

Não encontrei nada sobre ele ter desenvovido negativos e químicos próprios, mas não me surpreenderia…

Assim como outros fotógrafos super admirados nos dias de hoje, como Antanas Sutkus e Vivian Maier, Miro foi descoberto pelo mundo apenas recentemente, a cerca de nove anos, pouco antes de sua morte, em 2011. Desde 2004 suas obras (fotos e equipamentos) vêm sendo expostas em todo o mundo, em mais de 50 exposições em todos os continentes (que eu sabia ainda não passou pelo Brasil).

tumblr_inline_mr9w6okpfO1qz4rgpNa minha humilde opinião, de quem conheceu Miro a poucos dias apenas, mas que já deu uma boa olhada em algumas biografias dele (recomendo aqui, aqui, aqui e aqui), o que torna a obra dele única é a vontade, o desejo, de ter esse controle absoluto sobre o processo, que é algo de que nós (amadores da fotografia analógica) compartilhamos.

Suas fotos são interessantíssimas, mas suas câmeras nos fazem querer fazer igual. Pegar na mão, examinar, conversar com ele pra entender como foram feitas… e porque. Por isso, fui pesquisar um pouco mais sobre como ele as fazia.

Encontrei as respostas em um site Brasileiro (obrigado Dado Shaper!). Pois bem, ele fazia tudo. Desde a câmara escura até as objetivas e lentes. O corpo pelas fotos dá pra ver como ele fazia. Já as lentes eram pedaços de Plexiglas cortados com uma faca, e lixados até chegarem ao formato de lentes de fato. Depois ele as polia com uma mistura de pasta de dentes e cinzas de cigarro. Gênio, né? Imagina um workshop com esse cara…

Enfim, tendo resumido a história do cara, enchido vocês de links legais, paro as letrinhas por aqui pra vermos juntos as câmeras e as fotos que ele fazia. Depois me digam, nos comentários, se não é demais a obra do cara.

Aqui as fotos, exposias e publicadas por todo o mundo…

…e os famosos equipamentos criados e produzidos por ele.

Dica de Tiago Cambará

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comentários
 
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  • Tiago Cambará
    28/11/2013 em 4:18 pm

    Ôpa, que surpresa! Não sabia que minha dica tinha se tornado um artigo tão empolgado :) Muito legal, valeu (só corrige meu nome, por favor, hahaha…).
    Abraço!

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  • Luiz Henrique Carneiro
    28/11/2013 em 1:57 pm

    Meu idalo.. rsrsrsr uma pergunta sera que entre nós fotógrafos amadores do analógico teria alguém, com esta pachorra toda ? de fazer desde as lentes até a emulsão do papel ?

    Responder

  • Marcos Nava
    28/11/2013 em 11:12 am

    Muito legal este post. Eu já havia visto as fotos dele e algumas câmeras, mas não sabia que o cara criou até os ampliadores.

    Muuuito respeito pelo cidadão!!!!

    Responder

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