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Valentina

por em 06/12/2013
 

Muitos leitores já sabem disso, mas é sempre bom reforçar: toda forma de expressão artística caminha lado a lado. Seja música, ilustração, fotografia, vídeo – tudo meio que se complementa e pode ser utilizado em conjunto. Eu cresci, basicamente, em um ambiente cercado de quadrinhos: fossem gibis da Turma da Mônica ou do Tio Patinhas, mangás como Akira, Evangelion ou Dragon Ball, ou mesmo quadrinhos de super-heróis, principalmente da Marvel, como Homem-Aranha e Deadpool.

Hoje, depois de adulto, eu continuo a ler esses quadrinhos. Alguns acabam sendo mais idiotas (eu ainda adoro ler Spy vs Spy), outros mais sérios (como foi o caso do mangá Uzumaki que, literalmente, criou espirais na minha cabeça por um bom tempo). E, entre inúmeros autores que admiro, existem dois italianos que eu considero como mestres do quadrinho erótico-fantasioso: Milo Manara e Guido Crepax.

Mas do que você tá falando? Eu achei que esse site era sobre fotografia analógica!

Justamente, meu caro. Hoje nós vamos falar sobre a maior criação do Guido Crepax: Valentina Rosselli.

Valentina com uma Hasselblad

Valentina com uma Hasselblad

Valentina apareceu pela primeira vez em 1965, como uma personagem coadjuvante do quadrinho Neutron. Neutron era o alter ego de Philip Rembrandt, um crítico de arte com o poder de paralisar pessoas. Valentina, por sua vez, era a noiva de Philip. Essas histórias eram cheias de mistérios e eram continham um ar mais investigativo. O engraçado é que a Valentina acabou se tornando mais importante que o próprio Neutron e, em 1967, Guido acabou tornando-a protagonista daí em diante, o que fez com que suas histórias tomassem outro rumo, mais voltado ao erotismo – essa transição pode ser notada pela própria personagem, que nasceu como fotojornalista e acabou se tornando uma fotógrafa de moda/erotismo. Ao longo de suas histórias, Valentina utiliza inúmeras câmeras, desde TLRs, passando por SLRs e, só pra agregar valor ao camarote, uma Hasselblad.

E fora dos quadrinhos?

A personagem de Guido tem um apelo tão grande que sua existência ultrapassou a barreira de seus traços. Inúmeros ensaios de moda, baseados na personagem e seu mundo, foram realizados ao longo dos anos. Em março de 2012, a Playboy Brasil realizou um ensaio baseado na personagem – e foram utilizadas várias câmeras analógicas, incluindo uma Rolleiflex e uma Hasselblad, pra dar “a cara” da personagem.

Capa da Playboy da modelo Valentina Francavilla, que encarnou a personagem de Guido

Capa da Playboy da modelo Valentina Francavilla, que encarnou a personagem de Guido

A personagem e seu universo ainda serviram de inspiração para o filme Baba Yaga, em 1973, também conhecido como Kiss Me Kill Me ou Baba Yaga – The Deadly Witch. No filme, Valentina começa a ter sonhos estranhos e eróticos, que começaram quando ela conheceu Baba Yaga, uma misteriosa senhora que deu uma carona a ela. Além disso, suas câmeras aparentemente estão amaldiçoadas – o que leva Valentina a procurar por respostas. Ao longo do trailer, vocês podem ver que a Valentina usa duas câmeras: uma Canon F-1 e uma TLR – que eu acredito ser uma Rolleiflex, mas não consegui identificar exatamente qual modelo é.

Ps: rolam peitcheenhos no trailer, então saibam que é NSFW antes de dar play. ;)

Em suma, a personagem de Guido Crepax é uma das mais icônicas fotógrafas de quadrinhos, o que torna praticamente indispensável a leitura de seus quadrinhos, principalmente aos fãs do gênero. ;)

Agradecimentos especiais ao Sergio Marreiro, que numa conversa maluca me passou o trailer do filme – que até então eu desconhecia – e fez eu lembrar desse post que já era pra ter saído há tempos.

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