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Sohei Nishino: o mestre das colagens fotográficas

por em 11/12/2013
 

Se imagine tirando milhares de fotos de uma cidade pra onde você viajou. Mi-lha-res, ok? Agora se imagine revelando todos os filmes e ampliando as fotos em casa. As milhares, ok? Agora se imagine fazendo um único quadro, nem tão grande assim, se pensarmos bem, com essas milhares de foto… conseguiu imaginar? Pois é. Eu não, até ver o trabalho desse cara.

Sohei (ou Nishino… nunca me lembro qual o “primeiro” nome em japonês) cria “mapas” únicos das cidades que visita (e ele visita muitas!) usando como matéria-prima as fotos que faz nelas, através de incríveis colagens manuais, artesanais. E a “planta baixa” da colagem é a sua imaginação. As colagens não têm compromisso com a realidade. Têm compromisso apenas com a experiência que ele teve naquele local.

Pra começar a entender o trabalho dele, vamos de dentro pra fora. As fotos abaixo são detalhes dos quadros deles. Imagine-se olhando bem de perto, tipo… com o rosto a um palmo do quadro, um quadro bem grande. É isso que você veria:

Pois é… as colagens do cara são feitas de centenas de “cenas” como estas. Não são apenas texturas, cores, formando uma imagem grande. Todas as fotos são feitas com filme. Rolos de filme 35mm preto e branco, pra ser mais exato. Depois de fotografar aproximadamente 300 rolos em todos os cantos de uma cidade, fotografando por todos os ângulos possíveis, ele passa três meses selecionando aproximadamente 4.000 das 10.000 fotos feitas pra compor sua obra, amplia essas quatro mil em seu laboratório caseiro (sim, amplia, com ampliador. Ele não digitaliza), e se prepara pra brincadeira. Quer ver como é a brincadeira? Olha o vídeo aí embaixo.

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Agora sim, vamos a algumas das obras dele… além desses, tem mais no site do Nishino San. E depois de vermos as fotos, continuamos o papo.

 

Pois é, eu sei… “ufa!”, né? E você que achava legal um lomowall…

Nishino leva o conceito de “registrar uma viagem” a um nível que – até onde eu sei – só ele consegue chegar. Ele consegue, ao mesmo tempo, registrar a “realidade” da cidade e, ao mesmo tempo, construir (literalmente) a sua visão da cidade.

Fazer isso no computador seria difícil, mas não tanto quanto o modo que ele optou por usar: relevar os trezentos rolos de filme ele mesmo. Selecionar 40% das imagens captadas ele mesmo, de forma analógica (aí é chute meu. Não existe nada que diga que ele não scaneie todas as fotos em baixa e selecione no Lightroom), ampliar as que vai usar no seu ampliadorzinho particular… demais. Demais.

Falamos outro dia de um cara que levava a ideia de controle do processo ao extremo, lembra? Era o Miroslav, o maníaco gênio que construía suas próprias câmeras. Pois é. Esse aqui é o louco gênio que constrói suas próprias fotos…

Enfim, se quiser saber mais sobre Nishino San, recomendo, além do site dele, a matéria no The Telegraph e o podcast onde descobri ele, o meu querido The Art of Photyography, do Ted Forbes.

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