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Digitalizando seus filmes “like a boss” com Kenneth Lee

por em 02/01/2014
 

A gente estava pra traduzir esse post e colocar aqui no QF tem “mais de ano”. Mas sempre ia ficando pra depois. Até que o leitor Mário Freitas Neto se ofereceu pra traduzir, e de fato traduziu em tempo recorde (valeu Mario! ;-) o texto todo.

O texto é de Kenneth Lee, e foi publicado originalmente em seu site em… sei lá que data. O cara não coloca datas em seus posts. vai entender.

Eu até discordo de algumas das dicas dele (por exemplo, não acho que SEMPRE devemos scanear com a melhor qualidade possível. Muitas de nossas fotos – amadoras – são e serão sempre pra serem exibidas na web, e digitalizar elas em alta resolução pode ser uma perda de tempo enorme), mas o cara realmente dá dicas muito boas em como usar bem os softwares de digitalização, além de dar váaaaarios links muito bons pra quem tá querendo avançar nessa loucura arte de digitalizar filmes em casa.

Então, sem mais enrolação, com a palavra, Kennet, com tradução simultânea de Mário Freitas Neto.

QUALIDADE ANALÓGICA

A imagem abaixo ilustra a qualidade “analógica” de uma fotografia que foi apropriadamente exposta, processada por inspeção e escaneada de uma maneira simples e direta. Manipulação mínima foi necessária no photoshop.

Scan of 4x5 negative. Ilford HP5+ film, developed in D-23.

Scan of 4×5 negative. Ilford HP5+ film, developed in D-23.

Nós queremos adquirir uma imagem diretamente do scanner, que saia o mais próximo possível da impressão final. O que queremos é EVITAR fazer muitos ajustes digitais em ferramentas de edição de imagem como o Photoshop, Lightroom, Aperture, etc.

Não diga isso aos vendedores de software ou à comunidade de treinamento, mas quanto mais “correções” digitais fazemos à imagem, mais artificial ela pode parecer. Isso pode ser perfeitamente apropriado para fotógrafos comerciais ou de moda, mas nosso objetivo aqui é revelar a beleza natural já capturada pelo filme.

A IMAGEM DE AMOSTRA

2-original

Acima está um negativo feito com Ilford FP4+ em tamanho 5×7 polegadas e revelado com Pyrocat HD. O sujeito é um par de rosas pink em um dia com luz difusa. Não é a melhor foto do mundo, mas é boa para a demonstração pois os tons são bem próximos e suaves.

(a lente usada na foto, de design vintage, foi escolhida por seu foco “gentil, mas afiado” e renderização suave do desfoque de plano de fundo: uma antiga Carl Zeiss Jena Tessar de 180mm. Para mais imagens com a Tessar, clique aqui.

Esse negativo tem uma imagem bastante suave em sua aparência: como o histograma mostra, a escala tonal ocupa não mais que 40% do alcance do scanner. Não há problema nisso.

Se uma digitalização é boa, a imagem deve apresentar tons suaves de cinza, ou como Fred Picker costumava dizer: “Isso deve poder ser sentido como como luz”. Em uma foto como essa, uma renderização fiel e delicada do sujeito É a fotografia.

PREVIEW DO SCANNER EPSON – MUITO ÁSPERO

3-Preview

Os ajustes padrão de preview do Epson deixaram a imagem muito áspera: os valores altos do Input estão clipados e aparecem como branco puro, como giz. Ao mesmo tempo, o Output está cortado em ambos os lados da escala tonal: ao invés de 0-255, nossa imagem contém apenas 10-200. Agora vamos ver como fazer as coisas ficarem bem mais legais.

CORRIJA O HISTOGRAMA DO EPSON ANTES DE ESCANEAR

4-AdjustedHistogram

Nós corrigimos os ajustes padrão de Output. Agora eles vão de 0 a 255. Nós também ajustamos os valores de Input afim de que os valores de sombras no lado esquerdo estejam escuros o suficiente para renderizar a base transparente do filme como preto, e não mais escuro. O ajuste do lado direito deve estar claro o suficiente para mostrar os claros naturalmente, sem clipar as altas luzes ou perder texturas de forma não natural, sendo que, na verdade, o slider da direita está passando do final do histograma (Essas rosas eram pink. Nós não queremos que elas fiquem branco puro. Não é necessário que fotografias contenham tons brancos puros, ou preto puro).

Finalmente, nós ajustamos o valor do meio (Gamma) de volta ao normal, 1.0. Isso nos dá uma digitalização linear sem curva de contraste desproporcional aplicada. Se o negativo precisar de correção, podemos usar qualquer Gamma que quizermos. Agora é a melhor hora de aplicar correçőes. Melhor agora que mais tarde. Todos os ajustes são destrutivos e isso é quando vamos do analógico para o digital, então é melhor fazer isso agora.

PREVIEW DO VUESCAN – MUITO ÁSPERO!

5-VueScanPresets

Os ajustes padrão de preview do Vuescan deixaram a imagem com uma aparência bastante áspera: o ajuste de White Point no 1 e o padrão dos ajustes de Curve Low e Curve High cliparam os valores tonais altos e baixos. Tons leves de cinza aparecem como branco puro, como giz, e os tons  escuros foram forçados para preto puro. Somando ao problema, o padrão de B/W vendor, B/W brand e B/W typo também foram escolhidos. Céus! Agora vamos ver como tornar as coisas bem mais agradáveis.

CORRIJA OS AJUSTES DO VUESCAN ANTES DE ESCANEAR

6-VueScan

Com o Vuescan, é importante não escolher nenhum preset de filme, porque eles resultam em ajustes automaticos de curvas sobre os quais não temos controle. Dessa forma, escolha GENERIC como B/W Vendor e escolhar COLOR como B/W Brand.

Como nós queremos uma digitalização direta do Vuescan, precisamos ajustar os valores de Curve low e Curve high para 0, ou para tão baixo quanto eles podem ir. Ajustar esses valores para zero garante que as extremidades da curva de densidade não estão clipadas, a não ser que queiramos que elas estejam.

Nós deixamos a imagem um pouco mais clara aumentando o nível de Brightness para 1.06. É apenas o suficiente para deixar a imagem com uma sensação de luz natural. Agora é a melhor hora de aplicar correçőes. Melhor agora que mais tarde. Todos os ajustes são destrutivos e isso é quando vamos do analógico para o digital, então é melhor fazer isso agora.

AGORA ESTAMOS PRONTOS PARA ESCANEAR

A ferramenta de Preview nos permitiu ajustar os parâmetros da digitalização para que o nosso escaneamento nos deixe o mais próximo possível de uma renderização fiel deste negativo.

Nós ajustaremos o scanner para arquivos TIFF de 16-bit escala de cinza. Diferente do JPEG, que gera perdas, o formato TIFF resulta em um arquivo sem perdas visuais (TIFF siginifica “Tagged Indexed File Format”. JPEG significa “Joint Photographic Experts Group”). Para negativos coloridos e slides nós devemos usar 16-bit color, também conhecido como 48-bit color, porque cada canal de vermelho, verde e azul tem 16 bits.

DIGITALIZE EM ALTA RESOLUÇÃO: DOWNSIZE E NITIDEZ POR ÚLTIMO

O mais fácil é digitalizar na maior resolução que nós jamais iremos precisar. Dessa forma, podemos ter um arquivo digitalizado mestre para o qual podemos nos referir mais tarde. Nós podemos fazer versões menores para imprimir ou mostrar na internet, mas essas devem ser arquivos diferentes. Nunca aumente a nitidez do arquivo original, uma vez que essa é uma operação destrutiva e NUNCA aumente a nitidez durante a digitalização, pela mesma razão. O ideal é aumentar a nitidez de nossa imagem por último.

DEPOIS DA DIGITALIZAÇÃO

7-Photoshop

Em nossa ferramenta de edição de imagem (photoshop), a foto tem um visual agradável e natural. Para tonalizar a imagem com uma cor quente, porém sútil, podemos aplicar uma camada de Color Fill não destrutiva de acordo com nosso gosto. Contra um plano de fundo branco, a imagem parece diferente de quando vista no plano de fundo negro do software de digitalização. Dependendo  da nossa escolha de moldura, podemos escolher ajustar os tons da fotografia um pouco mais.

8-Photoshop2

Finalmente, nós salvamos o arquivo do Photoshop em formato PSD, que usa um algoritmo de compressão sem perdas. Esse arquivo é menor que o original TIFF, mas sem qualquer perda de imagem. Para postar essa imagem na internet, podemos sempre fazer um arquivo JPEG (apenas 8-bit) mais tarde, mas nosso arquivo de trabalho é no formato PSD, com uma profundidade de tons completa de 16-bit.

SUMÁRIO

Nós chegamos a uma imagem com visual de luz suave natural diretamente do scanner. Poucos ajustes serão necessários em programas como o Photoshop e Lightroom e isso é muito bom, pois cada ajuste digital distorce a imagem de uma forma ou outra, mesmos os tão falados ajustes “não-destrutivos”.

Para preservar a qualidade “analógica” do negativo original, nós digitalizamos a imagem em 16-bit monocromático e a salvamos num formato digital sem perdas. Esse formato nos dá 65,636 tons de cinza para brincar e atenuar quaisquer artefatos digitais que possam aparecer se fizermos ajustes mais a frente.

ESPERE: O CANAL VERDE É O MAIS NÍTIDO!

9-Epson 4990 1200 spi 16-bit color

Para conseguir uma digitalização mais nítida possível de um negativo preto e branco, nós podemos digitalizar em cores com 48-bit e usar apenas o canal verde. Salvamos, então, os dados desse canal como uma imagem de 16-bit em escala de cinza e jogamos o resto fora. Veja “Usando Apenas o Canal Verde“.

Nós temos que usar apenas o canal verde? Não! Apenas faremos isso se quizermos extrair até o último pixel de resolução do scanner. Felizmente, para filme de grande formato, esse é um caso raro: normalmente temos bem mais detalhes que precisamos.

O MELHOR FOCO: ACIMA DO VIDRO?

10-MountingStation

Os scanners flatbed da Epson são configurados para ter o melhor foco logo acima do vidro. Logo, para ter a melhor imagem que o scanner pode oferecer, devemos elevar o filme um pouco. Dessa forma, para extrair o máximo de um scanner Epson você pode fazer o seu próprio suportes de negativo ou, simplesmente, usar um com altura variável, como o fornecido pela BetterScanning, que permite colocar o filme exatamente no plano de foco, mantendo um espaço adequado entre ele e o scanner. Inclusive, esse adaptador usa um vidro especial anti-anéis de Newton.

Para ver minhas amostras pessoais de um antes e depois de como o suporte da BetterScanning melhora o foco em relação aos suportes de fábrica da Epson, clique aqui. Para ver os exemplos da própria BetterScanning, clique aqui.

OUTRO SUMÁRIO

1. Faça o mínimo de ajustes necessários, uma vez que cada ajuste digital é destrutivo.
2. Faça os ajustes importantes tão cedo quando possível no processo de digitalização.
3. Faça os ajustes de forma analágica quando possível: ajuste a exposição da foto e a revelação primeiro. Aí digitalize. Photoshop por último.
4. Ajuste de nitidez deve ser o último passo!

Eu tenho a opinião de que é sempre melhor deixar as coisas certas tão no começo quanto possível, ao invés de no fim do processo. Em outras palavras, evito sujeitos que não sejam bonitos. Esse é 99% do problema. Para os 1% restantes, devemos expor nossas fotos tão bem quanto possível e revelar de acordo, ajustando o negativo para expansão e contração. Revelação  por inspeção com um dispositivo de inspeção infra-vermelho leva isso ainda mais adiante e torna-o fácil.

Na fase da digitalização, nós temos nossa última chance de deixar tudo perfeito, se ainda não estiver. Essa é a hora de fazer a transição entre o analógico e o digital, então se quisermos manter o visual tão analógico quanto possível, deve ser nossa última grande correção tonal. Depois disso, nós podemos usar de ferramentas como o photoshop para fazer pequenas correçőes, mas é melhor minimizá-las, ou nossas imagens podem parecer que pertencem a uma revista comercial.

QUAL RESOLUÇÃO DE DIGITALIZAÇÃO?

11-pixelsDevemos escolher a resolução de digitalização de acordo com quanto pretendemos ampliar o original.

Para ter uma boa qualidade, precisamos imprimir num mínimo de 300 dpi (dots per inch ou pontos por polegadas). Nesse nível, as pessoas podem tocar o nariz na impressão e não conseguirão ver nenhum ponto, a imagem parecerá criticamente nítida.

Entretanto, algumas pessoas podem ver mais que 300 DPI e impressoras a laser de escritório trabalham a 600dpi, pois letras parecem serrilhadas a 300 dpi. Como fotografias não são texto impresso, preto puro sobre branco puro, publicaçőes de alto nível imprimem suas imagens com uma “tela de 300 linhas, pois numa distância normal 300 dpi é o máximo que as pessoas podem discernir numa fotografia.

Se escanearmos a 300 spi (samples per inch ou amostras por polegadas), poderemos fazer uma ampliação do exato tamanho do original. Se escanearmos a 600 spi, poderemos fazer uma ampliação com o dobro do tamanho do original. Se escanearmos a 900 spi, poderemos fazer uma ampliação com o triplo do tamanho do original… e assim em diante.

Digamos que temos um negativo de médio formato que, após o crop, mede 2×2 polegadas (uns 5×5 cm) e queremos fazer uma impressão de 10×10 polegadas (25×25 cm). Isso significa que teremos que ampliar por um fator de 5. Nesse caso, deveremos escanear num mínimo de 300×5 ou 1500 spi. Com outro exemplo, Digamos que temos um negativo de 8×10 que e queremos fazer uma impressão de 8×10 polegadas. Isso significa que não teremos que ampliar ou todo. Nesse caso, poderemos escanear com um mínimo de 300×1 ou 300 spi.

Se você sentir que 300 dpi é muito próximo do mínimo, digitalize numa resolução maior, a decisão é sua. Dependendo da imagem, podemos não ser capazes de ver a diferença. Se houver muitos detalhes finos, provavelmente poderemos.

Captura de Tela 2013-12-23 às 11.20.25

IMPRESSORAS DA EPSON: 360 DPI

Enquanto impressoras da Canon ou HP funcionam com múltiplos de 300 dpi, diz-se que as impressoras da Epson funcionam melhor com múltiplos de 360 dpi. Então, se vocę quiser ampliar 5 vezes e imprimir a 360 dpi, vocę pode querer digitalizar a 5×360, ou 1800 spi. Caso planeje mandar 720 dpi para a impressora, então precisa digitalizar a 5×720 dpi ou 3600 spi.

 

Captura de Tela 2013-12-23 às 11.20.33MAIOR AMPLIAÇÃO: 6X? 5X?

Apesar da Epson dizer que seus scanners tem uma resolução muito maior, eles na verdade só conseguem obter algo próximo de 1800-2000 spi de dados úteis. O contraste que eles oferecem em altas resoluções é razoavelmente baixo (veja esse diagrama). Se escanearmos a 4800 spi e fizermos o down-size para 2400 spu, poderemos aumentar levemente a resolução sobre um scanner de 2400 spi, mas a resolução verdadeira é um pouco menor que 2400 spi, mais próxima de 1800 spi.

Se quisermos fazer impressőes muito maiores de negativos 35mm ou médio formato (6×6, 6×7 ou 6×9), um scanner flatbed amador da Epson se torna inadequado, uma vez que queremos fazer ampliaçőes maiores que 5x. Para formatos menores, realmente se precisa de um scanner de filme dedicado, um scanner de tambor ou um flatbed de última geração, mas isso já é outra discussão.

Captura de Tela 2013-12-23 às 11.20.40Se quisermos imprimir a 300 dpi, uma digitalização de 1800 spi nos permite ampliar num máximo de 6x. Se quisermos imprimir a 360 dpi, uma digitalização de 1600 spi nos permite ampliar num máximo de 5x. Impressőes serão criticamente nítidas: qualquer um poderá ir diretamente a foto, examinar de perto e teremos tantos detalhes quanto o olho humano possa capturar, presumindo que tenhamos tirado a foto em condiçőes ideais.

E POR ÚLTIMO, O AJUSTE DE NITIDEZ

12-sharpLeafHá muitas maneiras de aumentar a nitidez de uma imagem, grandes livros foram escritos sobre esse assunto. Aqui vai um método simples que funciona muito bem com imagens monocromáticas assim como coloridas. Ele ajuda a eliminar os artefatos que costuma-se ver em imagens com ajuste de nitidez excessivos: hallos, bordas serrilhadas, banding, etc.

Leia “Aumento de Nitidez de Camadas Escura e Clara Separadamente” para um método rápido e efetivo que nos permite evitar os artefatos digitais e preservar a beleza da captura analógica.

A IMPRESSÃO DE NITIDEZ

Algumas imagens parecem nítidas e poderão ser ampliadas melhor que outras, requerindo menos ajustes de nitidez. Quanto menos nitidez, mais naturais elas parecerão. Para maiores explicações, veja esse link.

OUTRAS SUGESTŐES

Para nosso trabalho sério, é provavelmente uma boa ideia digitalizar numa resolução maior do que precisamos. Nós podemos sempre fazer um down-size da imagem para imprimir sempre que precisarmos, sendo o único problema desse método o fato de que ficaremos com arquivos bastante grandes, caros para armazenar. Hoje em dia, entretanto, podemos comprar HDs externos de baixo custo, o que é mais seguro que deixar os arquivos no próprio computador, mais propenso a falhas ou deleçőes acidentais no futuro.

Arquivos RGB tem 3x o tamanho de arquivos em escala de cinza, então, se você quiser economizar espaço em seu HD, não salve suas imagens monocromáticas em RGB, apenas as salve como 16-bit preto e branco. Quando chegar a hora de imprimir, você pode converter para RGB e adicionar uma camada de tonalização. Vocę pode salvar a camada de tonalização na sua imagem “Guide File”.

Ah! e não deixe de ler “você não precisa de um super computador“.

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comentários
 
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  • 31/12/2014 em 5:44 pm

    Olá André, tudo bem? Tenho um scanner epson perfection 4490, mas as imagens digitalizadas estão ficando com muito ruido, ao digitalizar, mesmo a foto original não ter nada de ruído. Mesmo digitalizando a 6400 ppi a imagem fica com estes ruídos. Sera que o problema eh do scanner?

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