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As sete melhores Nikons da programação Jovem Pan (ahn?!)

por em 06/01/2014
 

Se você não sabe o que eram as 7 melhores da Rádio Jovem Pan, provavelmente nasceu nos anos 90 (ou não morou em uma cidade onde tivesse essa rádio) e não tem a menor idéia do que fazer com um disquetão do drive A: do computador.

Agora se você sabe o que eram as 7 melhores, além da vergonha de saber cantar Corona – Ritm of the Night de cor também sabe que as 7 melhores nem sempre eram mesmo as melhores. Às vezes nem boas eram. Eram a seleção das musicas mais tocadas pelos DJs da rádio e escolhidas de modo parcial pelos próprios DJs. Marmelada.

As minhas 7 melhores seguem em ordem cronológica e não de importância. Não sou especialista mas já usei todas as citadas. Não venero a Nikon, na verdade uso Nikon, Pentax, Olympus, Canon, Yashica, Minolta e afins. Também não tenho o hábito de usar foco automático então qualquer afirmação seria palpite. Escolhi as câmeras de acordo com a usabilidade e importância na história da marca e, como a Nikon fez muitas câmeras, aqui elas foram escolhidas de acordo também quanto a disponibilidade de exemplares no mercado. Não espere encontrar aqui uma Nikon S3-M, 28Ti, FM3a ou uma Nikon F6. Essas câmeras são o que há de mais fino na marca mas pouco acessíveis para nós, simples mortais.

Agora, sem maiores delongas:

As sete melhores Nikons da programação Xóvempan:

1
1) Nikon S3 (1958)
A S3 foi a penúltima Nikon rangefinder da série S, foi a primeira Nikon a apresentar qualidade e confiabilidade profissional e na minha opinião, é a melhor das Nikon RF (rangefinder). Trata-se de uma Nikon F despida de seu prisma e espelho reflex e equipada com um dos melhores rangefinder/viewfinder já construído, 100% de cobertura do quadro e taxa de ampliação de 1:1. É equipada com o mesmo shutter horizontal da irmã F, as vezes em tecido emborrachado, as vezes em tecido simples e as vezes em folhas de titânio estampadas.

No ano 2000 a Nikon lançou uma edição especial da S3, com uma remodelada 50mm 1:1.4 RF, dando aos fãs da marca uma falsa alegria, ao sugerir que os bons tempos estavam de volta.

2
2) Nikon F (1959)
A Nikon F é a mais importante. Ela foi a primeira SLR usada em larga escala pelo fotojornalismo, mudando para sempre o perfil do equipamento fotográfico profissional. Antes de 1959 já existiam rumores sobre uma marca japonesa que era capaz de fazer objetivas tão nítidas quanto as alemãs por um terço do preço mas foi depois do lançamento do sistema F e da utilização em massa dos fotógrafos de guerra no Vietnã é que a Nikon alcançou destaque internacional, como o mais confiável e completo sistema fotográfico do mundo. O sistema F é baseado em um corpo modular, onde encaixam telas de foco, prismas, backs, motordrives, além de um jogo de mais de 400 objetivas e outros acessórios.

Em termos práticos, a menos que você dependa de acessórios extravagantes ou pretende ser extremamente clássico, existem modelos menores e ainda mais ágeis do que a corpulenta Nikon F.

3
3) Nikkormat FTn (1967)
A Nikkormat é a primeira semi-pro a usar o sistema F. A linha semi-pro Nikon tem uma particularidade: – Grande parte das inovações tecnológicas é apresentada ao público através da linha semi-pro. O conservadorismo e os preços proibitivos fazem com que os produtos voltados para o mercado profissional sejam, digamos, careta.

E foi por isso que a Nikkormat virou um ícone. Ela reúne a construção e acabamento impecáveis da Nikon F, em um pacote menor, de prisma claro e fixo, shutter metálico vertical dividido em 6 pás e medição de luz através da objetiva, incorporada a câmera. A Nikkormat foi a porta de entrada para muitos fotógrafos iniciante no sistema F.

Hoje em dia a Nikkormat é a opção mais ágil para uso de objetivas pré “Ai” dispensando a função “stop down metering”. Finder e tela de foco muito boas e corpo sólido pra quem quer ser clássico.

4
4) Nikon F2 (1971)
Se a Nikon F conquistou o mercado fotográfico, a F2 tratou de garantir casamento no melhor estilo “até que a morte nos separe”. É difícil ver um fotógrafo que tenha sido profissional durante os anos 70 usar alguma coisa diferente de Nikon.

Mesmo depois do lançamento da F3 no início dos 80, a F2 ainda era a câmera mais usada pelos profissionais, sabe por quê? Porque a F2 é a última SLR Pro Nikon completamente mecânica, tão confiável e robusta que a maioria delas nunca precisou de revisão, mesmo sob uso profissional intenso. O pessoal diz que o óleo que a Nikon usou para lubrificar a F2 é eterno. Na verdade nunca vi uma F2 parada.

Ela também conta com outra infinidade de telas de foco, finders, fotômetros e backs, além de versões completamente especiais em titânio pintado de preto fosco ou para operações espaciais da NASA.

Da mesma forma como a F, existem versões menores e mais fáceis de usar, maaaaaaaaaaaaas é uma delícia usar uma F2, ainda mais se ela estiver em sua versão mais simples, sem fotômetro.

5

5) Nikon FM (1977)
Aqui é onde coloco meus holofotes. A Nikon F conquistou, a F2 fez casar mas a felicidade plena ainda estava pra acontecer. Todo mundo amava as F2 mas vamos combinar, ninguém gosta de carregar peso extra e pra que a possibilidade de trocar finders e telas de foco quando o que a gente mais quer é o kit clássico Nikon?

A FM é isso e muito mais, com suas medidas reduzidas no estilo das OM, shutter metálico vertical, tela de foco K screen clássica nikon, seletor de velocidades no tampo superior e um fotômetro moderno, com indicações iluminadas por LED. Talvez não haja luz para fazer a foto mas o fotômetro vai estar lá, acesão. A FM também tem função nativa para dupla exposição, sincronia com o flash em 1/125s e velocidades mecânicas que vão de 1s a 1/1000s, além de B.

Um ultimo detalhe: a FM é capaz de fotometrar com todas as objetivas Nikon fabricadas até hoje: – A FM é capaz de fotometrar normalmente com objetivas Ai e Ai-s mas pode retrair seu “coupling pin”, montar e fotometrar usando objetivas pré Ai em “stop-down metering” e montar e fotometrar usando objetivas modernas G, em suas menores aberturas.

6

6) Nikon FE (1978)
Apesar de dividir chassi, carenagens e finder, as FM e FE são bem diferentes. Se a FM é uma versão menor e mais atual das nikkormats FTn, completamente mecânicas, a FE é a versão eletrônica da linha semi-pro da marca. Apesar de ser equipada com um poderoso modo automático em prioridade a abertura, a FE foi vista como uma câmera menos confiável que a FM, já que seu shutter eletrônico depende integralmente de baterias para funcionar. No modo manual a FE é capaz de setar exposições de até 8 segundos e seu modo automático controla exposições de alguns minutos, o que faz a FE ser a preferida para fotos noturnas e de longa exposição. O tempo mostrou que a FE é confiável, assim como seu modo automático.

A FE conta com a mesma capacidade de medição de luz com todas as objetivas Nikon já fabricadas, mas ao contrário da FM, as informações no finder são transmitidas por agulhas analógicas balanceadas.

7

6.1) Adendo: FM2 e FE2 (1982 e 1983)
As FM2 e FE2 são atualizações dos projetos homônimos, contando com telas de foco e finders mais claros, velocidades final e de sincronia aumentados para 1/4000s e 1/250s respectivamente. As FE2 também são equipadas com controle automático de flash.

Esta linha de câmeras seria perfeita, se não omitisse a capacidade de utilização de objetivas pré AI e G.

 

8

7) Nikon FA (1983)
As FM são demais e as FE tem prioridade a abertura, mas só a FA tem matrix metering. Se você não sabe o que é matrix metering dá uma olhadinha no site do Ken “Chuck Norris” Rockwell que ele explica muito bem. Mas usando as palavras dele mesmo: “Este é o motivo para eu usar Nikon.” Tá, não é só por isso que eu uso Nikon, tem também o fato de eu poder usar praticamente qualquer objetiva em qualquer corpo, mas isso acho que todo mundo já sabe.

O fato é que o fotômetro da FA é capaz não só de medir a intensidade de luz em diferentes regiões do frame, mas também de interpretá-la de acordo com um banco de imagens enorme já inserido em seu programa. Assim fica fácil obter 36 exposições perfeitas, mesmo em situações adversas. Aliado a este poderoso fotômetro, a FA conta com os modos de prioridade a abertura, prioridade a velocidade e program, além do clássico modo manual e modo B.
A FA é a Nikon de foco manual mais moderna, até mesmo que a mais recente FM3a. Quando lançada, a “tecnocamera” não foi muito bem aceita, em uma época onde eletrônicos eram associados a baixa durabilidade, o que faz com que a FA seja um pouco mais difícil de encontrar.

9

Menção honrosa: F-301 (1985)
A F-301 é a primeira Nikon completamente eletrônica, é a primeira com transporte automático do filme, a primeira com sistema DX, a primeira feita em policarbonato… e a ultima de foco manual. Como era cheia de novidade, parece que o pessoal da Nikon caprichou porque apesar de plástica, a F301 é extremamente rígida e de medidas muito proporcionais. Seu finder é maravilhoso e a tela de foco é a clássica K screen, muito nítida e fácil gostosa de focar.

…e é isso, gente. Depois da F-301 chegou o foco automático, e os corpos de plástico, com grips exagerados e desengonçados, telas de LCD e um milhão de botões e comandos. As câmeras ficaram maiores, as lentes ficaram maiores e 1:2.8 de ponta a ponta e auto-tudo. 

E de repente fotografar ficou um saco.

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comentários
 
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  • Laercio Oliveira
    30/01/2015 em 10:39 pm

    A Nikon F é a melhor e mais importante câmera SLR da história. Durante 11 anos ela foi indisputadamente a melhor, Nenhuma outra câmera possuia os recursos, lentes e acessórios dela. A Leicaflex, lançada em 1966, passava longe, Nem fotometragem TTL tinha! Previamente, a única câmera SLR dotada de variedade de lentes, backs e que podia ser motorizada, fora a Praktina, mas não se compara em simplicidade e robustez (justamente devido à simplicidade) do mecanismo da Nikon F. Sou fã incondicional dela!
    A F2, maravilhosa. Só não me agrada a bateria localizada no corpo e a tampa traseira, que prefiro da F.
    A FE era uma senhora câmera. Possui uma durante os anos 80, mas nunca confiei em baterias.
    Esqueceram de citar a FM3, com obturador híbrido, possibilitando o funcionamento da câmera totalmente mecânico, independente de bateria ou automático, com controle eletromagnético. Uma maravilha do ponto de vista tecnológico.

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  • Eduardo
    21/01/2014 em 1:11 pm

    Eu colocaria mais duas aí: Nikon F100 e F6. Elas são meio “auto-tudo”, como afirmado no texto, mas são feitas em liga de magnésio (e não de plástico), e definitivamente NÃO é um saco fotografar com elas… Até mesmo porque elas não têm modos automáticos, somente “MASP”, ou seja, se não não souber exatamente o que se está fazendo, não vai sair nada mesmo…

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    • 20/02/2014 em 1:28 pm

      Com certeza tanto a F100 quanto a F6 são incríveis, mas não tenho mesmo o hábito de usar AF. Uso uma N80 pra fazer fotografia de arquitetura quando preciso de um FullFrame e não o tenho em digital, fora isso minha experiencia com elas é quase zero.

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  • 08/01/2014 em 3:22 pm

    Aprendi a fotografar com uma FM2, tive durante muito tempo uma Fe e me desfiz (burro). Desde então sou Nikonzeiro!! Porém to quase comprando uma F3 ou uma Nikkormat… Ainda tenho algumas lentes manuais. To na dúvida em qual comprar.

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    • 20/02/2014 em 1:26 pm

      Fala Gabriel, F3 e Nikkormat são quase incomparáveis e escolher entre uma e outra depende muito da tua intenção final. A Nikkormat é clássica e usa objetivas pré AI e AI. A F3 é muito mais moderna e precisa, e usa, alem das outras, objetivas AI-s. Depende mesmo do que você procura!

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  • 06/01/2014 em 11:28 am

    Ok… mas a pergunta que não quer calar: porque todo hype da F3 então?

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    • 08/01/2014 em 12:33 am

      Fala Pedro, a F3 é uma das melhores nikons de foco manual já construída, mas é câmera pra quem precisa de um aparato profissional especializado, principalmente backs, motordrives e finders. Para quem não precisa de tudo isso, tem a FA que é mais moderna, menor e pesa menos. Mas a F3 é demais.

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