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Código DX: fatos e mitos

por em 22/01/2014
 

Existem inúmeras coisas na fotografia que se tornam praticamente lendas, com histórias do tipo “mount de metal é melhor que o de plástico” ou então “câmeras eletrônicas são mais frágeis que as totalmente mecânicas” enchendo o imaginário do povo. Mas acho que nada, desde os primórdios de sua criação, gerou tanta lenda quanto o abominável código DX.

Para quem não sabe, DX é uma sigla para Digital indeX, e esse sistema foi trazido ao mundo pela Kodak, em março de 1983, devido aos diferentes tipos de negativos que eram comercializados na época. O código DX, apesar de parecer apenas um monte de coisa aleatória, oferece inúmeras informações sobre o negativo que está naquele cartucho (135 ou APS). Pra você ter uma ideia, naquele código estão presentes as seguintes informações:

  • Quem fabricou aquele negativo;
  • Sua latitude;
  • A quantidade de poses;
  • E o processo químico para revelá-lo;

O sistema, inicialmente, era destinado às máquinas processadoras de negativos. Essas máquinas possuíam um leitor de código DX que alertava o operador caso fosse colocado um filme de outro processo numa determinada máquina, e perguntava se o operador realmente queria fazer isso. Então, na verdade, o código DX foi criado, basicamente, para evitar cagada do operador.

Conforme o tempo foi passando, porém, os fabricantes (tanto de câmeras quanto de filmes) começaram a perceber que o leitor de código DX na máquina processadora não impedia as reclamações de usuários, e então passaram a utilizar o leitor de código DX também em suas máquinas, a fim de facilitar a vida e/ou evitar que um inexperiente que, por ventura, acabasse esquecendo de arrumar o ISO em sua câmera mecânica.

Conseguiu entender até agora? Maravilha! Agora, para continuarmos, é necessário explicarmos, antes, como funciona um minilab.

Um minilab, principalmente os atuais, são compostos por dois diferentes equipamentos: uma processadora de filmes (normalmente de processo C-41) e uma impressora química. São dois processos diferentes nessas máquinas: a processadora é responsável pela revelação do negativo, enquanto a impressora é responsável pela impressão e/ou digitalização do negativo. 

A processadora de filme normalmente aceita até dois rolos por vez e, por incrível que pareça, ela não para nunca. Existem roletes que ficam rodando e, ao colocar o leader – peça de plástico que “puxa” o filme pra dentro da máquina -, esses roletes fazem com que o filme passe pelas mais diversas químicas para, no final, sair reveladinho e bonitinho para ser digitalizado/impresso.

Acontece que nessas processadoras, principalmente as de processo C-41 – as mais comuns -, o processo é completamente padronizado. O químico opera numa determinada temperatura, o filme é exposto à química durante um período “certo” e, independente do seu rolo ter 12, 24, 27, 36 ou 50 poses, ele sempre vai cortar quando chegar ao final da bobina. Ou seja: aquele papinho de passar um negativo de ISO 100 pra uma bobina de ISO 400 porque você quer revelar o filme “puxado” é a maior balela que existe. A processadora não se “adapta” para revelar negativos de diferentes ISO. Inclusive, se você quiser colocar um negativo de 12 poses ISO 100 junto com um de 27 poses ISO 1600 não haverá alteração alguma entre eles e ambos vão sair reveladinhos, bonitinhos. 

Agora nós abordaremos a segunda parte, que é sobre o código DX após o filme ter sido revelado. Você já reparou que há um código de barras no seu negativo, junto aos sprockets (aqueles buraquinhos)? Pois bem, aquele ali é o mesmo código DX que está na bobina do seu negativo.

Ao colocar o negativo, agora revelado, na trilha do scanner da impressora, a primeira coisa que esse scanner faz é… ler o código DX para posicionar os frames. Isso mesmo: o próprio “computador” consegue separar seus frames bonitinhos – desde que eles tenham uma separação bem definida, senão o operador deve ajustar isso manualmente. Junto com a leitura do posicionamento dos frames, a máquina também lê a latitude do filme e já faz uma correção padronizada, baseada nessa latitude, para o filme todo. O que resta ao operador, então, é apenas verificar, foto por foto, se elas estão realmente beleza com esses ajustes ou se é necessário uma correção manual, seja de cor ou seja de densidade e contraste.

Entenderam? Hoje em dia, o negativo só tem seu código DX lido na segunda etapa do processo em um minilab, que é a impressão e/ou digitalização. Se você tentar preparar seu negativo, trocando de bobina e afins, meu amigo… Você tá é perdendo seu tempo. Tempo que você poderia utilizar, sei lá, terminando aquele rolo que tá na sua câmera há duas semanas, não? :D

Hm… Entendi. Mas então pra que servem aqueles adesivos que enganam os leitores de código DX e afins?

Leitor de código DX de uma compacta automática - nessa foto, uma Canon WP-1.

Leitor de código DX de uma compacta automática – nessa foto, uma Canon WP-1.

Aquilo, meu amigo, é justamente para enganar sua câmera completamente automática.

No início dos anos 90, quando as câmeras automáticas começaram a surgir, muitas delas eram “limadas” em termos de função, e o seletor de ISO era uma delas. Ao invés de usar um seletor manual, essas câmeras começaram a levar, dentro de si, um leitor de código DX, facilitando a vida do usuário – que, em tese, é completamente amador e só quer tirar fotos – ao ajustar a abertura e o tempo de exposição de acordo com o ISO do filme e a luz disponível. Ou seja, ao colocar o filme numa câmera desse tipo ela automaticamente lê o ISO através do código DX e já faz as configurações. Então, se você quiser “enganar” a máquina, você acaba usando um adesivo desse para que a máquina considere outro ISO dentro dela. ;}

Vale citar que, por causa dessa tecnologia, verdadeiras pérolas nasceram, como é o caso das câmeras Natura da Fuji. Se utilizadas em conjunto com o filme Natura 1600, essas câmeras têm um desempenho melhor, aproveitando completamente as possibilidades do filme, incluindo sua latitude, para garantir que o fotógrafo tenha sempre fotos bem expostas e de qualidade, independente das condições de luz. Animal, né?

Ok, Bruno, mas se não é possível “enganar” o minilab e o processo é padronizado, por que alguns laboratórios oferecem revelação puxada?

Isso eu deixo para um próximo post, beleza? Mas ele vai sair mais cedo do que você pensa. Confia em mim. ;)

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