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(Cinco) Filmes pra se fotografar em 2014

por em 03/02/2014
 

Nos primeiros dias desse ano, o site Film is Not Dead publicou um post que me deu não só vontade de publicar, como também vontade de tornar uma série. É que o site publicou um texto do fotógrafo Stephen Downlig onde ele “recomenda” cinco filmes pra se fotografar em 2014, e explica o porque de cada um de maneira simples e motivadora.

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Post (ou quase todo ele) publicado originalmente em www.filmsnotdead.com

Daí pensei… porque não convidar os leitores a enviarem também dicas de filmes, e publicar elas com as respetivas explicações? Pois bem, tá aí o convite. A série vai se chamar “Filmes pra se fotografar em 2014”, não porque só se poderá fotografar com eles em 2014, mas (como já fizemos com o “Na Sua Bolsa”, em homenagem e respeito ao post original e inspirador.

“Perai… mas isso não é a mesma coisa que a série “Filmepedia“? Mazomenos. A diferença é que no Filmepedia a gente diz qual é o filme da temporada. Aqui, você diz qual é o filme que você gosta e quer indicar.

Por isso, mande suas dicas (o nome do filme, pelo menos uma foto pra ilustrar, e o texto de recomendação) pra contato@queimandofilme.com.

Bom, chega de blablablá. Vamos ver o que o mano Stephen tem pra indicar pra gente? Então seguem as sugestões dele com minha tradução. Fala Stephen! 

 

O século 21 não tem sido bom pra fotografia de filme. A medida que a fotografia digital foi se espalhando mais e mais, o número de filmes disponíveis vem diminuindo a cada ano. As fatalidades incluem alguns dos filmes mais icônicos jamais produzidos, como o Kodachrome e Ektachrome, da Kodak, e outros menos conhecidos porém igualmente saudosos, como o CT100 Precisa original da Agfa (o melhor filme pra processo cruzado) ou o fantástico Fuji Neopan preto e branco. A cada filme que se vai, a gente pode acabar pensando que em breve não haverá mais fotografia com filme.

Mas o show ainda não acabou. Enquanto alguns dos grandes como a Fuji parecem estar saindo de fininho do mercado de filmes, outros como Ilford e Kodak parecem estar bem comprometidas com a fabricação de filmes. E ainda existem as pequenas empresas, como a Foma, da República Checa, que também não dão sinais de estarem fechando as portas. Algumas empresas estão inclusive voltando à ativa, como a italiana Ferrania, que costumava produzir os cromos Solaris e Schotch Chrome, e que anunciou estar voltando à ativa esse ano.

Deveremos ter mais boas notícias como essas no futuro. Mas enquanto isso, aqui estão cinco filmes ainda em produção que todo fotógrafo de filme deveria experimentar em 2014.

Kodak Ektar

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Ektar é um dos últimos filmes de ISO 100 ainda em produção, uma velocidade muito útil quando se está fotografando sob um sol de verão. O Ektar começou a ser produzido em 1980, sendo depois substituido pela linha Royal Gold nos anos 1990. Em 2008 a Kodak anunciou que traria o Ektar de volta. É um filme incrível de grão fino, e particularmente bom pra digitalização com scanner. Se você está fotografando no sol forte, ele com certeza tem que estar na sua mochila. O preço varia de seis libras [Nota do Tradutor: o autor é inglês… :-)] por rolo no Reino Unido, mas você pode conseguir descontos comprando em grandes quantidades. Eu sempre tento manter alguns rolos comigo se estiver indo fotografar em algum lugar de sol forte.

Fomapan 200

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Com certeza não existe escassez de filmes preto e branco pra se comprar. Esse é com certeza o setor mais saudável do mercado de filmes hoje em dia. Fomapan é um dos nomes menos conhecidos do mercado. Vindos da República Checa, eles produzem uma série de filmes em vários formatos, desde 35mm até grande formato. O mais interessante é o seu filme de ISO 200. Tirando o Ilford SFX 200, que é um filme infravermelho, esse é o único filme de ISO 200 que você pode conseguir nos dias de hoje. É também um dos filmes mais baratos que você pode comprar. Aqui em Londres, algumas lojas vendem ele por até três libras o rolo de 26 poses em formato 35mm. É um bom filme pra scanear também, com muitos detalhes tanto nas áreas mais claras quanto nas mais escuras.

Kodak Tri-X

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A Kodak pode ter tirado de circulação suas estrelas da National Geographic Kodachrome e Ektachrome, mas um dos seus filmes mais icônicos continua entre nós. O Tri-X, um filme de ISO 400, tem mais de cinquenta anos de idade, tendo sido lançado em 1950. Sua química mudou um pouco de lá pra cá, e em 2007 ele foi reformulado pra ganhar uma granulação mais fina. A sobrevivência da Kodak apesar de sua falência recente, deu uma nova lida a essa linha de filmes, e ela deve permanecer no mercado. Se eu pudesse fotografar com apenas um filme pb pelo resto da minha vida, seria esse. O Tri-X é incrível para puxadas (tive experiências ótimas com puxadas até 6400) e tem excelente contraste. Tons são brilhantes e pretos são profundos porém ricos. Espere pagar umas cinco libras por rolo.

Fuji Superia X-tra 400

Fuji Superia X-Tra 400clock_superia400

A Fuji parece estar lentamente, mas certamente, desaparecendo do mercado de filmes, aposentando grandes filmes como Neopan e Provia 400X, e subindo os preços dos filmes que sobraram. Existe uma grande chance de estarmos na década final da fabricação de filmes por parte da Fuji. Se isso for verdade, certifique-se de fotografar alguns rolos desse filme. É um negativo de ISO 400 com uma puxada leve pro tom magenta, sendo ótimo pra fotos externas à tarde ou em interiores. Ele pode precisar de um pouco de tratamento na pós produção depois da digitalização pra tirar um pouco do vermelho que fica na cor da pele. Mas é um ótimo filme pra se ter na bolsa quando a luz cai.

Agfaphoto Precisa CT100

Agfaphoto Precisa CT100letterbox_precisa

O Precisa CT100 é o filme perfeito pra processos cruzados, e é um filme a quem o movimento Lomo deve muito. Quando revelado em xpro, cria azuis profundos e um forte contraste, pretos profundos e vermelhos vibrantes. A Agfa parou de produzi-lo em 2005, pra tristeza de muitos dos fãs de x-pro, mas existe ainda no mercado um filme chamado Precisa, Agfaphoto Precisa. É um filme cromo (slide), mas não é o mesmo de antigamente. São na verdade rolos de Fuji Provia 100, um dos últimos cromos da Fuji, e os da Agfa são aqueles que não passaram no teste de qualidade da Fuji. Sendo sincero, você dificilmente vai encontrar qualquer defeito neles. É um filme cromo que entrega cores furtes. O grande ponto positivo, porém, é o preço. Um rolo de Provia custa por volta de 10 libras, enquanto que esse Agfaphoto “reembalado” custa por volta de 6 libras.

É isso aí, meu povo. Essas são as sugestões do Stephen. E quais são as suas? Manda pra gente! Mande suas dicas (o nome do filme, pelo menos uma foto pra ilustrar, e o texto de recomendação) pra contato@queimandofilme.com e espalhe seu amor pelos filmes sem dó nem piedade! :-D

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