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Sobreviventes de Guerra: Marcelo Guarnieri e o (ex) lab da Lomography

por em 07/02/2014
 

Recentemente conversamos aqui com o Marinho, que passou a representar a Lomography no país depois da saída de sua estrutura própria do Brasil. Pois bem, ficou no ar a questão dos labs das lojas físicas da Lomography: como ficariam esses labs? Iriam fechar? Iriam abrir lojas próprias? Acabei não falando ainda com o pessoal do Lab do Rio, mas chamei pra um papo o Marcelo Guarnieri, que é o dono do lab que revelava os filmes pra Lomography Gallery Store de São Paulo.

E… senhoras e senhores, temos boas notícias! :-D Leiam a entrevista, saibam das novidades, e conheçam mais desse dono de lab que sobreviveu à saída da Lomography do país, e está se reinventando.

fotoO que você fazia da vida antes de abrir o lab?
Minha formação principal é de fotografo, trabalho com fotografia há 30 anos. Inicialmente, trabalhava com fotografia publicitária e fazia editoriais, na época em que tudo era totalmente analógico, época em que eram feitas fusões de imagens na raça com cromos 8×10, 4×5 e kodalite como máscaras. Nada de photoshop. Depois, com a chegada da fotografia digital, migrei para ela logo no início e comecei a trabalhar também com tratamento de imagens. Antes deste lab , tive um estúdio de tratamento e impressão com três sócios. Nesse mesmo período, passei a dedicar mais tempo aos meus trabalhos autorais.

O que faz além de tocar o lab?
Além do lab, trabalho como fotógrafo profissional, fotógrafo autoral e tenho um estúdio de tratamento e impressão fine-art. E estou com muita vontade de abrir algum espaço que atenda às necessidades dos amantes da fotografia analógica – um ponto de encontro, com produtos e atividades relacionados à fotografia analógica.

Você trabalha há quanto tempo com revelação? É por amor? Dinheiro? Os dois, ou nenhum dos dois?
Trabalho com revelação desde 1995. Tinha um laboratório dentro do meu estúdio e lá eu revelava cromos de todos os formatos, desde 35 mm até chapas 8×10. Com o passar do tempo e com o fechamento de praticamente todos os lab profissionais comecei a processar todo o meu material analógico, pois não encontrava mais nenhum lugar que me satisfizesse. Revelava para os amigos também e daí nasceu a paixão, que dura até hoje.

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Como começou a parceria com a Lomography? Foi bom enquanto durou?
Minha parceria com a Lomography começou praticamente com a abertura da loja aqui em São Paulo. Eu conhecia a loja do Rio. Quando vieram para São Paulo, fizeram contatos com vários labs mas como eu era o único que fazia todos os formatos e todos os processos com uma qualidade profissional, acabaram fechando a parceria comigo. A parceria foi muito boa enquanto durou… Olhando para trás, vejo que tivemos vários erros e vários acertos.

E agora? Vida que segue? Como você pretende tocar o lab sem o apoio da Lomography?
Como a saída da Lomo do Brasil é uma coisa muito recente, estou traçando novas metas. Além dos clientes Lomo, atendo muitos fotógrafos profissionais que ainda trabalham com filme. Hoje em meu laboratório tenho uma estrutura que chamo de híbrida: tenho toda a parte analógica e toda a parte digital. Faço a revelação química, scaneio e dou saídas em papeis Alfa Celulose ou em papeis FineArt.

Pra quem não conhece o seu lab, conta um pouco do que vocês fazem por aí…
No meu Lab todo o processo de revelação é manual – não sou um Mini Lab. Trabalho com químicos importados, tanto o E-6 quanto o C-41. Para o PB, utilizo os da Ilford e, conforme a necessidade do fotógrafo, faço meus próprios químicos. Revelo muito com o D-23 e em vários casos utilizo o Borax para melhores resultados.Depois do processo químico parto para o processo de scaneamento, que também é feito manualmente, frame por frame. Com os scans prontos, passo para a parte de ajustes de cor e limpeza dos arquivos. Com os arquivos já limpos e na cor certa podemos dar as saídas em papel.

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É verdade que vocês são os únicos em SP (talvez no Brasil) que ainda revelam filme 110?
Acho que sou o único que revela todos os formatos e faço todos os processos……do filme 110 a chapas 8×10, nos processos Pb,C-41 e E-6.

Quando você trabalhava com a Lomography, muita gente dizia que seus preços eram caros, e os prazos longos demais. Você falou que seu processo é todo manual. Esse é o motivo dos prazos longos? E os preços? Ficam mais baixos com a saída da Lomography como “intermediário”?
Os prazos estão menores hoje em dia pois não tenho mais que esperar um determinado numero de filmes para justificar a retirada de material, tínhamos que ter no minimo 15 rolos de filmes para pode justificar a retirada de materiais. Atualmente estou processando os filmes em 3 dias, entrega na Segunda e pode retirá-los na Quarta.

Em relação aos preços permanecem os mesmos, mas estou fazendo o esquema de fidelidade……a cada 10 filmes você ganha um filme e uma revelação na faixa.

(Vejam a tabela abaixo que o Marcelo mandou. O PDF dela pra download você baixa aqui.)

Clique para ver em tamanho maior...

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Finalmente, temos leitores de todo o país. Por isso é interessante saber: você aceita trabalhos vindos pelo correio/sedex de outras cidades/estados?
Atualmente já trabalho com o recebimento e envio de trabalhos de outras cidades e estados, chega filme até de Manaus. Fotógrafos estrangeiros em trabalho pelo país também me enviam filmes. Estou pronto para receber filmes de qualquer parte do mundo, podem mandar tranquilamente.

É isso aí, galera. Mais um lab tentando sobreviver e conviver conosco, e viver do nosso amado prazer de fotografar com filme.

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comentários
 
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  • Stephanie Moreira
    25/02/2016 em 11:23 pm

    Ele parou de trabalhar com isso? Procurei o site dele aqui no queimando o filme e o site tá indisponível =(

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  • Daniel Paulino
    18/08/2014 em 8:21 pm

    Difícil manter a arte da analógica aqui no Brasil, laboratórios são escassos e alguns com pouca qualidade. Sou do nordeste e aqui está quase impossível encontrar laboratório de revelação, estou pensando em aprender a fazer isso em casa, mas já percebi que também é difícil encontrar material. Gostei da entrevista, principalmente por possuir uma Diana mini com a qual brinco de fotógrafo. Acho que no futuro enviarei alguns filmes para Marinho.

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  • Mauro Tonelli
    05/03/2014 em 5:55 pm

    Fenomenal! É meu vizinho e eu nem sabia!
    Serei um cliente assíduo.. hehehe…

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