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Leica M4: e você aí, correndo atrás de “recursos avançados”…

por em 10/02/2014
 

Dá uma lida no anuncio abaixo (tradução do texto abaixo da imagem):

leica

Publicado, até onde sei, “originalmente”, no site Tokyo Camera Style: http://tokyocamerastyle.com/post/72527766831/leicadiaries-leica-m4-advertisement-the

O texto diz:

“Essa “pro” não esbanja circuitos eletrônicos. Ela não tem fotocélulas para selecionar a área de interesse. Não tem pequenos indiciadores pra te dizer que existe pouca luz. A Leica M4 é estritamente para aqueles que preferem pensar por si mesmos, criar por si mesmos. E já que criatividade não pode ser computadorizada, nós vamos continuar fazendo-a.

Nas mãos de um fotógrafo judicioso, a M4 é uma sofisticada “ferramenta” de infinita versatilidade e velocidade. Uma câmera tão flexível e tão rápida que sua única limitação é o alcance da sua imaginação e a condição dos seus reflexos. E a cada disparo de seu suave obturador, você é lembrado da herança de mais de cinco gerações de excelência de instrumentação ótica da Leitz.

Experimente a M4 apenas pra “sentir” no seu revendedor Leica.”

O título é o mais difícil de traduzir, porque isso pode ser feito de várias formas: “A câmera pra pensar” ou “A câmera que te faz pensar” são os que mais me agradam.

Mas o lance aqui, me desculpem os fãs, não é a Leica em si. É a mensagem. E é sobre ela que eu quero falar.A mensagem é forte, e atemporal. Digo mais Se ela tivesse sido dita pelo Robert Capa, pelo Cartier Bresson, estaria estampada em paredes, cartazes, livros e blogs por décadas a fio.

Não entendeu a mensagem ainda?

Vamos supor que, na época em que esse anuncio foi feito, chamassem o fotógrafo mais respeitado da época e pedissem pra ele ler (pra ser exibido em um comercial) o seguinte depoimento:

“Uma câmera “pro” não precisa esbanjar circuitos eletrônicos. Não precisa de fotocélulas para selecionar a área de interesse. Não precisa de pequenos indiciadores pra te dizer que existe pouca luz. Boas câmeras são estritamente para aqueles que preferem pensar por si mesmos, criar por si mesmos.”

Acredito que nem a Leica e nem nenhum outro fabricante de câmeras hoje em dia teria coragem de anunciar um produto falando da sua falta de recursos. Se fizesse isso estaria dando um tiro no pé, porque, diferente da década de 70, quando esse anuncio (provavelmente) foi feito, hoje o mercado é agressivo, e o público já não saberia entender esse texto. Ficaria com medo da câmera.

Mas nós, fotógrafos amadores, que não precisam ter medo de errar, podem e devem adotar essa “filosofia leiquiana” quando vamos escolher nossas câmeras. Podemos pensar que, desde que ela faça bem o que tem que fazer, ela é uma câmera “pro”, e que o resto é com a gente, e não com a câmera.

O C. J. Chivers, do site A Lesser Photographer, tem um vídeo que diz “todas as fotos clássicas de Ansel Adams foram feitas com uma caixa de madeira com uma lente na frente”.

Todo mundo gosta de consumir. De ter a câmera “mais legal”, seja ela a mais antiga ou a mais nova, a mais barata (como a cobiçada Olympus Trip 35) ou uma… sim.. uma Leica M3 (aliás, porque todo mundo quer uma M3? Porque esse modelo em especial?). Mas isso não tem nada a ver com fotografia. Tem a ver com desejo.

Uma câmera é um complemento de você, e não o contrário. Uma boa câmera é a que te completa, e não o contrário. Uma boa câmera te atende quando você chama, e não o contrário.

Pense nisso quando for pensar em qual é a melhor câmera pra você, ok? ;-)

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comentários
 
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  • 11/02/2014 em 9:35 am

    Usar uma câmera manual é parecido com explicar algo a outra pessoa, te faz colocar os pensamentos em ordem pra não falar besteira.

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  • Silvano Rocha
    11/02/2014 em 8:40 am

    Gostei bastante do seu texto André, complementaria dizendo que a propaganda dá uma certa alfinetada nas câmeras que estavam partindo para circuitos eletrônicos, “modernidades” e que no final, a qualidade ótica e mecânica junto com a Ergonomia é o que mais importam, que o “resto”, a criatividade, é com o fotógrafo, pois a câmera sozinha não pensa.
    abraços

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  • Francisco
    10/02/2014 em 4:29 pm

    -“Uma câmera é um complemento de você, e não o contrário. Uma boa câmera é a que te completa, e não o contrário. Uma boa câmera te atende quando você chama, e não o contrário.”

    Essa frase é a chave de ouro do texto, sem dúvida! Não importa quão famosa, estilosa ou rara seja a câmera, o que importa é rolar uma “química”, uma sintonia entre o fotógrafo e o instrumento. Por exemplo, você pode ter uma Rolleiflex ou uma Canon A1, mas não vão ser de muita utilidade quando a sua verdadeira paixão for uma Yashica Minister D, por exemplo (acreditem, esse é o meu caso…)

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    • Francisco
      10/02/2014 em 4:31 pm

      Por falar nisso, quem tiver interesse numa Rolleiflex ou numa Canon A1, é só deixar recado que fazemos negócio hehehe…

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  • Martin
    10/02/2014 em 11:08 am

    O tipo de câmera que é mais fácil fotografar do que qualquer modernosa cheia de recursos. O manual de instruçoes da Leica possui uns 12 páginas, no máximo. Um fotômetro de confiança (ou a regrinha do f:16) já cuida da parte técnica. O resto é foco e enquadramento.

    A propósito: a M3 é cobiçada porque não apenas é uma obra de arte, mas a de mais fácil manuseio, especialmente porque o telêmetro é mais preciso e é possível fotografar com os dois olhos abertos. Com a M2 e seguintes não dá certo, pois o visor precisa acomodar o frame da 35mm.

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