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Baterias de câmeras analógicas: conheça, entenda, perca o medo.

por em 12/02/2014
 

Bateria acima: a clássica bateria de Mercúrio.

Hoje é dia de post de convidado no Queimando Filme! Victor Arlé, conhecido da galera do Grupo Queimando Filme no Facebook, deu uma passada aqui na nossa redação pra contar pra gente alguns mitos e verdades sobre baterias de câmeras. E isso é ótimo! Afinal, #quemnunca ficou sem saber qual bateria usar naquela câmera comprada na feirinha? Pode usar bateria nova? Altera o fotômetro? Estoura dentro da câmera? Hoje essas dúvidas acabam… ou será que só aumentam?

Fala Victor! Seja bem-vindo!

Zinco Ar

Zinco Ar

Depois de trocar a bobina do filme pra enganar o minilab e, com isso, puxar o ISO do filme, acho que o segundo maior mito que aparece no grupo do Queimando Filme no Facebook é que baterias atuais ou de maior voltagem atrapalham a leitura do fotômetro de câmeras mais antigas.

Tá bom, não é exatamente um mito. É totalmente possível que isso aconteça, mas menos frequente do que você imagina.

Antigamente, muito antigamente, lá durante a Segunda Guerra Mundial, as baterias que equipavam fotômetros e câmeras eram muito diferentes das de hoje. Sua energia era gerada por óxido de mercúrio e tinham voltagem de 1.35v durante toda sua vida útil. De forma resumida, elas só mudavam de voltagem quando estavam prestes a acabar. Parece só um detalhe técnico, mas isso fazia uma grande diferença pois permitia aos fabricantes usarem um tipo de circuito mais simples: o circuito em série. Pra você não ter que se lembrar das aulas chatas de física do ensino médio, a voltagem nos circuitos em série é a mesma da fornecida pela bateria. Logo, uma bateria de voltagem mais alta, mesmo um pouquinho, poderia alterar a leitura do fotômetro.

Isso não foi um problema durante muitos anos. O que mudou essa história foram as discussões sobre o impacto ambiental causado pelo descarte do mercúrio, altamente poluente e tóxico. Até o final da década de 1990, as baterias de óxido de mercúrio já estavam proibidas de serem comercializadas nos EUA e União Européia. Convenhamos que os fabricantes não podiam prever isso. Se as baterias de mercúrio não variavam voltagem, pra que se preocupar em usar um circuito capaz de lidar com essas variações?

Óxido de Prata

Óxido de Prata

As alternativas ao óxido de mercúrio foram as baterias alcalinas, as de óxido de prata e as de zinco ar. Todas elas possuem características totalmente diferentes, apesar de poderem ter o mesmo formato físico. E a principal diferença é a curva de descarga. Em linhas gerais, curva de descarga é como a voltagem se comporta enquanto a carga vai sendo usada. É um fator importante pra definir qual bateria serve ou não pra sua câmera.

Das baterias comercializadas hoje, as alcalinas definitivamente não servem nas câmeras mais antigas, com circuito em série. Por quê? Porque perdem voltagem logo que começam a ser usadas, estabilizam por um curto tempo e depois voltam a perder voltagem até o fim da sua vida útil.

Zinco ar e óxido de prata, por outro lado, são as mais semelhantes as de mercúrio, porém com voltagens diferentes: óxido de prata tem voltagem de 1.6v e zinco ar de 1.4v. Mas a curva de descarga delas é estável, se comportam como baterias de mercúrio. São ótimas substitutas pra sua câmera que usa circuito em série.

Zinco Ar

Zinco Ar

As de zinco ar se comportam exatamente como as de mercúrio e possuem a mesma voltagem. Podem ser usadas sem precisar de adaptação. Infelizmente, duram bem menos – alguns meses – e costumam ser mais caras. É aí que entram os adaptadores pra redução de voltagem. Eles são feitos pra reduzir a voltagem das baterias de óxido de prata. Isso pode ser feito graças a sua curva de descarga uniforme. Lembra que as alcalinas variam de voltagem quase o tempo todo? Não adiantaria reduzir a voltagem delas sem saber o quanto você está tirando. É a solução mais cara, mas vale a pena já que as baterias de óxido de prata duram uma eternidade.

Então as baterias alcalinas não prestam? Prestam. Nem todas as câmeras que usavam baterias de mercúrio precisavam exatamente da voltagem de 1.35v graças ao circuito em ponte.

O circuito em ponte não era uma tecnologia nova e foi usado em muitas câmeras, como Canonet, Spotmatics e Electros. Graças a ele, variações pequenas de voltagem não interferiam em nada na leitura do fotômetro. Ou seja, usar uma alcalina que perde voltagem ou uma bateria de óxido de prata com voltagem um pouco acima é perfeitamente possível sem interferir em nada. E é bem provável que esse seja o caso da sua câmera. O melhor jeito de saber é testando.

Alcalina

Alcalina

Muitos manuais indicavam exclusivamente baterias de 1.4v ou 1.35v, ou formatos estranhos de baterias que não existem mais (tô olhando pra você, Electro 35), mas em muitos casos elas podem perfeitamente ser substituídas por alcalinas. Na dúvida, compare as leituras usando zinco ar e alcalinas. Se houver diferença, opte pelas de zinco ar ou pelos adaptadores que reduzem a voltagem das baterias de óxido de prata.

Mas isso é tão importante assim? Não, sua câmera não vai estragar por causa de uma pequena variação de voltagem, seu filme não vai ficar totalmente subexposto ou superexposto. Aliás, e é bem provável que isso não faça nenhuma diferença.

Lembra do papo sobre latitude? Então. A menos que você use slides ou queira ter certeza absoluta da fotometria, isso não vai ser um problema pra você.

 

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comentários
 
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  • Flávio Mendes
    25/02/2014 em 3:05 pm

    Boa tarde, Em uma nikkormat ft posso usar qualquer uma dessas?energizer 357/303, sony 675, maxwell Lr 44 ou elas estão aí só para dar um exemplo?
    grato pela atenção.

    Responder

  • João Tiago
    13/02/2014 em 1:03 am

    Muito bom! Tenho uma dúvida: Onde encontrar os adaptadores pra redução de voltagem?

    Responder

  • felipe
    12/02/2014 em 10:34 pm

    O que seria um ponto focal ?

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  • Bruno Dinis
    12/02/2014 em 7:16 pm

    Obrigado pela dica tenho andado a pesquisar imenso sobre isso e acabei por comprar uma bateria Wein cell (muito cara por sinal). mas acho que já não vou voltar a comprar mais. as minhas dúvidas ficaram esclarecidas, ainda mais porque tenho a canonet e a electro 35. abraço :)

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  • Mauro R.V.
    12/02/2014 em 11:37 am

    Ótimo post!
    Já passei horas pesquisando sobre isso em sítios gringos e não se consegue informações precisas.

    Só aproveito para tirar uma duvida: supondo que estou usando uma bateria de 1,5V onde deveria ter uma de 1,3V, como o fotometro vai se alterar? Vai indicar um pouco mais de luz que antes?

    Sei que faz pouca diferença para a foto mas queria entender como afeta a medição.

    Um abraço.

    Responder

    • Victor Arlé
      13/02/2014 em 1:09 pm

      Mauro,

      nesse caso o fotômetro deve indicar uma leitura subexposta. Isso enquanto nova. Quando a curva de descarga cai abaixo da voltagem de 1.35v surge uma tendência a superexpor.

      Responder

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