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Seguindo o Mapa do Tesouro: Comprando no Japão

por em 14/02/2014
 

I´m back bitches! Mais uma viagem, mas um artigo. E dessa vez, eu fui LONGE. O destino foi o Japão.

– Beleza! Então tem muitas fotos legais com filme, certo?

Ah… Não exatamente.

Quem já leu alguns dos meus artigos anteriores (aqui, aquiaqui e aqui também), deve perceber que eu tenho uma certa sina com minhas viagens. Normalmente algo dá errado em 50% das vezes – e como a anterior foi bem certinha…

Dessa vez, o passeio foi mais longo. Já estávamos lá em casa há algum tempo planejando e a oportunidade surgiu para o começo desse ano e lá fomos nós viajar para o Japão – passar quase UM MÊS em terras do oriente. Hell yeah.

– Pare tudo!!! Você conseguiu passar todo esse tempo no Japão sem tirar uma só foto de filme?

Foi. Mas plantei uma semente. E fiz umas comprinhas.

Eu queria ter feito um bocado de fotos legais. Na verdade, enquanto os parentes planejavam os passeios, eu planejava as fotos. Qual câmera levar. Quais lentes usar. Quanto tempo eu teria entre um passeio e outro. E as lojas. Oh, por São Ansel Adams, as lojas…

Quando eu li esse artigo  no Japan Camera Hunter, eu já começava a sonhar com as possibilidades. E depois desse novo artigo – a coisa ficou séria. A viagem já estava quase fechada mas alguns pontos precisavam ser definidos para que o passeio (e meu casamento) seguissem inteiros.

  1. Essa NÃO era uma viagem fotográfica. As fotos acontecem na viagem mas não são o objetivo dela.
  2. Eu iria contar com o apoio do pessoal para poder interagir nas lojas, mas na disponibilidade de todos. Pegar metrô na hora do rush só para poder demorar “uns minutinhos” a mais nessa ou naquela loja não é uma boa ideia.

Tudo planejado. Compromissos feitos. Fundos separados. Só faltava superar 41 horas de viagem e curtir o inverno japonês.

Ah, eu não falei que seria inverno? Pois é. Nada como um viajante mal agasalhado e temperaturas de 5ºC, com um pouco de chuva, para deixar você de cama. Com quase 40º de febre. Por 2 dias.
AQUELES dois dias em que você faria as suas compras.

As compras ficaram para depois – BEM depois. Na última semana, para ser mais preciso. Tudo bem, eu teria minha oportunidade. Na verdade, eu tive várias. Fui – em províncias diferentes – a 4 lojas diferentes de câmeras. Desde lojas mais compactas até a famosa Yodabashi Camera de Akihabara, com seus 8 andares. Lendo os artigos do JCH, você tem uma série de opções de compras. Inclusive de acordo com o formato (135,120, 4×5, 8×10…) ou mesmo marca de sua preferência.

Algumas coisas me chamaram a atenção nessas compras: filme está indo bem melhor por lá do que por terras tupiniquins. Não foram poucas as vezes em que eu encontrei um senhor – no meio de suas fotos digitais – sacando sua analógica para uma foto. E em todos os principais locais turísticos, sempre encontrei filme a venda. Mesmo sem vendedor.

Fui em 2 lojas “de rede” – Bic Câmera e Yoadabashi Camera e duas lojas menores – MAP Camera e Lemon Camera.

Com mais tempo livre (de cama), pude refinar minhas escolhas. E escolher onde iria concentrar meus esforços (e recursos). Das lojas grandes, a Yodabashi me surpreendeu com sua sessão de filmes. Apesar de saber que existe uma outra loja em Shinjuku com um estoque bem maior de filmes, a geladeira que tinha na loja de Akihabara (sim, os filmes estavam devidamente conservados) me foi mais do que suficiente: comprei até o recém aposentado Provia 400. Mas câmeras de filme interessantes, não encontrei.

Nham!!!

As lojas da Bic Camera tinham alguns rolos de C41 e só (isso tanto em Tokyo quanto em Kumamoto – quase 900 km de uma cidade a outra). De uma forma ou outra, essas lojas já não se interessavam mais em vender câmeras usadas.

Nas lojas menores, eu realmente tive opções. O pessoal da MAP Camera me pareceu  bem impessoal – até para o meu intérprete/parente que me acompanhou por lá – mas o que me afastou de lá foram os preços. Isso e o fato de eu não ter interesse/bolso para rangefinders. Mas foi na Lemon que eu achei a “minha casa”.

Como podem ver, haviam MUITAS opções. Para todos os gostos. E orçamentos também. Por ser uma loja de consignação – onde os produtos de outras pessoas são postos a venda nos termos dos seus donos – os preços são os mais variados. E depois de você sair da loja, em regra, NO REFUNDS (não há reembolsos), ok? O bom é que todos os itens passam por uma análise pelos técnicos da Lemon, que explicam as peculiaridades de cada um. Isso realmente fez muita diferença para mim. Quando escolhi a minha câmera nova, o atendente fez questão de me explicar todos os detalhes dela – inclusive os números de série combinando entre as várias peças do meu kit.

– Como assim, “kit”?

PS: a caixa de Ektachrome e os rolos de Acros já tinham sido comprados antes da viagem.

Pois é. Valeu a pena esperar. Não fiz fotos (ainda) com ela – mas posso dizer que essas foram as compras mais tranquilizadoras que já fiz.Nas lojas mais organizadas, como a Lemon e Yodabashi, também oferecem abatimentos para turistas – Tax Free, reduzindo 5% do valor dos produtos a título de impostos – e até possuem vendedores que falam (um pouco de) inglês, o que não é norma. Isso ajuda muito. Recomendo a todos uma viagem a esse país tão adorável de povo tão elegantemente acolhedor – e suas câmeras maravilhosas.

PS: Não esqueçam de se preparar para o clima.

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comentários
 
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  • Daniel Zulrid
    29/08/2014 em 12:10 am

    Massa, to indo pro Japão em breve e to precisando de dicas!

    Responder

  • Marcos Ferreira
    12/03/2014 em 8:18 am

    Bruno só uma pergunta, estou em duvida de qual camera comprar uma é a Mamiya 645 1000s e a putra é a Bronica S2a, qual delas seria melhor? ? Obrigado

    Responder

    • 12/03/2014 em 2:53 pm

      Caro Marcos,

      Quando eu estava escolhendo qual médio formato eu iria comprar, eu pensei num pouco de tudo: formato da imagem, flexibilidade do sistema, durabilidade do equipamento e – claro – orçamento.

      Pode ser preconceito meu, mas eu não me animo muito com as Bronicas. Elas são mais robustas que as Kiev, mas a vibração a cada disparo é sensível. E como eu adoro usar filmes de ISO baixo, isso pode ser um problema.
      (eu NUNCA lembro de usar mirror lock up)

      Na hora de pensar no formato 645, as principais candidatas foram as Mamiya. O fato delas compatilharem vários dos seus componentes é muito atraente, mas as 1000s não me atrairam pelo fato de elas não terem back intercambiável e usarem baterias. São LR44 – bem fáceis de se conseguir e duram bastante – mas eu procurava uma experiência o mais analógica possível. Se esses problemas não te incomodam, são câmeras bem interessantes.

      Espero ter ajudado!

      Responder

      • Marcos Ferreira
        12/03/2014 em 4:43 pm

        Entendi, ajudou muito, é que tem duas a venda um Mamiya 645 por R$400,00 e a Bronica por 800, a que eu queria mesmo é hasselblad 500c mas por enquanto vou pegar uma “baratinha”rsrs…e mais pra frente pego uma Hasselblad. Outra questão , li varios posts do QF sobre medio formato e tudo q aprendi foi aqui, sabe me dizer onde posso aprender mais? Obrigado

        Responder

        • 12/03/2014 em 6:45 pm

          Marcos – vou te indicar o mesmo método que eu estou usando.

          1_ Treinando o que já aprendi. Queimando filme. Treinando de novo. No guts, no glory.
          2_ Lendo bons fóruns de discussão – o Flickr tem comunidades dedicadas a modelos de câmeras específicas (ajuda um bocado se você falar inglês).
          3_ O nosso amigável grupo do Facebook – que também tem outros aventureiros como você e eu.

          Boa sorte!

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  • lannaemilli
    16/02/2014 em 9:50 am

    Que SONHO, Japão e muitos filmes!
    Estou louca para ir pra lá também, vou anotar as dicas dos lugares quando for planejar a minha viagem! =)

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