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Dois meses com a Canon T70

por em 20/02/2014
 

Eu já falei a respeito da Canon T70 aqui no Queimando Filme. Na primeira vez, foi sobre o marketing bizarro que a Canon fez para promover a câmera, utilizando o mangá (e o filme) Akira. A segunda foi na lista que eu fiz sobre as dez câmeras analógicas da marca que todos deveriam conhecer.

Eu poderia falar sobre o comercial da Canon T70 que utiliza a Fórmula 1 de fundo, mas resolvi fazer uma “resenha-relato”, pois estou utilizando uma que eu ganhei há dois meses.

T70_03

A minha T70, em particular, tem uma história especial. Ela é a unica câmera que me prende ao mount FD da Canon. Quer saber como? Lá vai: Em meados de março do ano passado eu vendi a minha AE-1, pois havia decidido optar por um mount apenas. Isso mudou em abril/maio, quando eu ganhei uma Canon F-1 com a FD 55mm f/1.2. O maior problema que eu tinha era a tela de focagem dela: apesar da F-1 ser uma câmera fenomenal, o viewfinder dela é escuro e difícil de focar, o que obviamente fez eu perder inúmeras fotos com ela.

E isso acabou me desapontando, ao ponto de eu decidir vender tudo o que veio com ela (teleobjetiva, teleconversor e uma angular Pentacon com adaptador FD) e a própria câmera. Mantive apenas a FD 55mm f/1.2 S.S.C, pois eu tenho um adaptador FD – EOS com confirmação de foco e decidi que ia me acertar com essa objetiva num sistema EOS.

O fato é que era impossível. Algumas objetivas até passam em termos de qualidade com o adaptador, mas não essa 55mm. Ela é tão volátil que eu acabei desistindo de me acertar com a objetiva no sistema EOS e estava refletindo se iria anunciá-la à venda ou comprar uma câmera para utilizá-la. Foi quando a Larice perguntou se eu não queria a T70 dela. Como eu já estava pesquisando algumas câmeras de mount FD, isso caiu como uma luva. Obviamente eu aceitei o presente.

A T70, com seu viewfinder grande e claro (no mesmo nível, senão melhor, que o das AE-1) e seu bipartido bem definido, torna hiper fácil o ato de focar com a objetiva, o que me rendeu ótimas fotos mesmo em f/1.2 – algo que eu nem sonhava em conseguir utilizando a Canon F-1.

Por ser uma câmera eletrônica, fica complicado ficar gastando dinheiro com baterias caras, como é o caso da minha EOS 3, que utiliza 2CR5. Já a T70 utiliza duas pilhas AA, facilmente encontradas em qualquer vendinha. Minha escolha foi a utilização de pilhas recarregáveis, que estão segurando a carga numa boa.

T70_01

A Canon T70 ainda apresenta dois modos de medição de luz: medição média com preferência ao centro, o modo padrão que mede a luz de todo o quadro, mas dá preferência ao centro; e medição de área seletiva, que mede apenas 11% da porção central do quadro. Aliado aos modos de fotometria avançados, a Canon T70 ainda oferece 8 diferentes modos de exposição.

Para os novatos, que não estavam acostumados com modos manuais, a câmera oferece o Program AE, onde a câmera fica responsável pela escolha da abertura e velocidade. Há, ainda, duas variáveis do Program AE: Wide Program AE, onde a câmera seleciona velocidade e abertura, se baseando em uma profundidade de campo maior, ou seja, dando preferência a aberturas menores – típico de objetivas angulares; e Tele Program AE, onde o contrário ocorre, com a câmera selecionando aberturas maiores e velocidades mais rápidas dando preferência a uma profundidade de campo mais rasa – típico de teleobjetivas.

Já o Shutter-priority AE é. basicamente, um modo de prioridade de velocidade, em que o usuário seleciona a velocidade da câmera e a câmera decide a abertura correspondente. Há também o modo Stopped-down AE, que funciona apenas com objetivas Canon FL ou objetivas que não são da Canon, como objetivas m42 com adaptador. Para os usuários mais experiente, há ainda o modo Manual, onde o próprio usuário configura a abertura e velocidade.

T70_04

Os outros dois modos da câmera são dedicados ao uso de flash. No caso do Programmed Flash AE, ele foi desenvolvido para funcionar junto com o flash Speedlite 277T, uma unidade de flash dedicada lançada junto com a câmera. Já o Eletronic Flash AE foi desenvolvido para o uso com qualquer flash eletrônico.

Isso basta pra dizer que a câmera foi pensada bem à frente do seu tempo, não é? E tudo isso foi lançado em 1983, dois anos antes da Nikon lançar sua F-301.

Eu peguei minha câmera no final de dezembro, mais ou menos no dia 20. Foram 3 rolos antes de 2013 terminar. E, desde então, essa câmera se tornou uma das minhas companheiras mais fiéis e confiáveis. Inclusive, por causa da T70, eu acabei deixando de lado pelo menos três câmeras que eu achei que usaria mais: a Canon SureShot WP-1, a Canon Demi EE17 e a Canonet QL17, que acabaram por rumar outros caminhos.

Assumidamente, eu afirmo com todas as palavras que só há uma analógica, hoje, que eu gosto mais do que a T70, e essa câmera é a EOS 3. Mas também, não tem como competir com um monstro desses. No mais, a Canon T70 conseguiu, em menos de dois meses, me conquistar ao ponto de se tornar essencial para mim.

E que esses dois meses sejam os primeiros de muitos.

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comentários
 
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  • Fernando
    19/04/2016 em 2:21 pm

    E depois de todo esse tempo? Ainda vale a pena?

    Responder

  • 21/04/2015 em 10:13 pm

    Olá Bruno, boa noite.
    Hoje tive a grata felicidade de ganhar uma máquina dessas (canon T70), e logo de cara me simpatizei demais por ela. Como sou um total iniciante na fotografia, venho acompanhando diariamente, não só o site mas também no facebook o Queimando Filme, e olha já aprendi um monte de coisas graças a vocês. O que eu gostaria de saber Bruno é se vocês teriam um manual de preferência em português dessa máquina.
    Grande abraço e parabéns pelos posts.

    Responder

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