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Crônica de um Casamento Analógico

por em 17/03/2014
 

 

Hoje temos de volta um antigo colaborador esporádico, que estava pra nos mandar esse texto faz tempo. Vocês devem se lembrar das Crônicas de uma Viagem Analógica (Parte 1 e Parte 2) do Daniel Carvalho, que fizeram bastante sucesso por aqui, né? Pois bem, ele está de volta, dessa vez com um casamento cheio de histórias.
É um prazer ter você de volta, Daniel! O microfone é seu!
 
Sempre tive medo de casamento (calma meu amor… to falando profissionalmente). Sempre achei muita responsabilidade pra mim. Imagina se eu perco a foto do beijo porque to pensando na morte da bezerra?! Ou se tiro as fotos e saem todas uma porcaria. Sempre fugi de casamento como o diabo foge da cruz (amor, já expliquei, né?).
9591973437_1406dd909c_bGabi, minha amiga, ia casar. Contratou um amigaço meu (Nathan Thrall) que é um dos melhores que já vi no ramo. Certeza de terem fotos lindas. Mas aí ela vira pra mim e diz que quer que eu tire foto também. Pô! Eu achei que ia poder beber na festa! “Calma, quero que você tire fotos especiais”. Gelei… “Quero que você fotografe o casamento só com filme”. Sorri. O casamento seria todo vintage, com direito a carros rabo-de-peixe, banda de chorinho, muito tom pastel e uma vista de deixar cair o queixo. Tinha como recusar?

Topei me borrando todo. Cheio de medo, fingi estar despreocupado e saber o que estava fazendo. Quando chegou o dia, fui nervoso pra lá. Levei um equipamento seco. Nada na minha mochila tinha sido fabricado depois da década de 1990, incluindo a maioria dos filmes que levei. Pensei, “se é pra ser abusado, sejamos com estilo”. Utilizei só 4 rolos de filme. Foi pouco, eu sei, mas curti a festa como convidado também, afinal de contas eles são meus amigos e eu queria guardar aquele momento, antes de tudo, no meu peito (awwnnnn).

A adrenalina é forte. Corre pra lá, se espreita pra cá, pede licença, esbarra, tropeça… Tudo pra conseguir a foto no momento certo. E no meu caso, sem saber se consegui. Ainda tive que me preocupar em não atrapalhar o trabalho da equipe oficial. Estou acostumado, quando faço algum trabalho na fotografia, a ter controle absoluto de tudo; talvez por isso tenha essa insegurança toda em relação a eventos. Mas fotografar sem o LCD na câmera pra ver se ficou bom, em um meio monocromático dentro de uma realidade multicolorida, com um filme que venceu há quase 20 anos… Onde eu tava com a cabeça?! Os “founding fathers” da fotografia de casamento, aqueles caras que fotografavam roots, esses realmente penavam.

A verdade é que adorei a experiência. Foi um puta aprendizado pra mim. O resultado acho que ficou bem bacana. Não ter nada além do seu instinto, confiar que o tempo fez bem aos rolos de filme, enxergar o seu redor em 2 cores, tudo isso em milissegundos… Seu modo de fotografar muda completamente. Será que viciei?

PS (informações “técnicas”): de digital tem as mexidas normais (contraste, curvas etc.) e as tonalizações, que procurei mexer pra não ficar tão repetitivo assim. As vezes eu olho e gosto, as vezes eu acho que não devia ter tonalizado tanto… E vocês, o que acham?

Você pode ver mais algumas fotos dessa aventura do Daniel abaixo, e o álbum completo aqui no Flickr dele.

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comentários
 
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  • 17/03/2014 em 3:11 pm

    Belo trabalho! Parabéns! Pelo texto também!
    Coragem a sua fotografar com vencido hein? Minha experiência ate hoje não foi muito boa. Especialmente com filme vencido há muito tempo.

    Algumas perguntas técnicas chatas, somente por curiosidade mesmo: qual câmera você usou? Fotômetro dela mesmo, externo ou olhômetro? E filmes?

    Valeu. Abraço.

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    • Daniel Carvalho
      20/03/2014 em 10:10 pm

      Fala Thiago!

      Valeu pelo comentário e elogio!

      Não diria que foi coragem, diria que foi abuso. Convenhamos, não tinha tanto a perder como o fotógrafo oficial do evento, né.

      Usei duas câmeras: uma Canon AT-1 e uma EOS 5, com lentes 50mm 1.8 (boa e velha…), e uma zoom 28-135mm na ultima. Fotometro interno da camera. Filmes foram uma miscelanea e a verdade é que já tem tanto tempo que não lembro todos, mas tem um AGFA iso 100 que consegui numa banca de velharias em Londres, um T-MAX 400 de 1998, um Tri-X (não tava vencido esse), e o outro eu não lembro.

      Mais uma vez, obrigado!
      Abraços!

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  • 17/03/2014 em 1:52 pm

    Muito bom !!! Parabéns.A Foto do casal no carro ficou fantástica, gostei muito tb com as daminhas. Eu estou pegando o hábito de levar uma camera com filme P&B em eventos sociais de amigos e fazer fotos “não oficias”. assim posso treinar sem o compromisso de ter acertar em todas. Os resultados são muito bons, a galera adora. Abs

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    • Daniel Carvalho
      20/03/2014 em 10:14 pm

      O digital pode ter um monte de coisas, mas só a gente tem o charme.

      Fotografar com analógica num evento é como chegar numa festa onde todo mundo leva um monte de celular com uma porrada de música show de bola e todo mundo curtindo os aplicativos e tal… Mas você que leva o violão é que vai puxar toda a atenção. E adivinha quem se dá bem no final? rsrsrs

      Abraços e obrigado pelo comentário!

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