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Fotografando com os dois lados do negativo

por em 27/03/2014
 

O Laercio Esteves foi meu aluno no workshop que dei em Belém do Pará em 2012, e me mandou recentemente um email falando do projeto que ele está fazendo. O projeto em si não trata “apenas” de se fotografar usando os dois lados do negativo (resultando em uma foto “normal” e uma redscale) mas, como todo projeto feito com carinho, mais do que isso.

O projeto, chamado EU-LUGAR foi produzido de maneira totalmente analógica, “subvertendo a realidade e propondo que ‘atores sociais’ assumam novos papeis imagéticos”, seja lá o que isso significar, né, Laercio? :-)

Brincadeiras à parte (até porque REALMENTE acredito que explicar demais só atrapalha, segue o resumo técnico do projeto, e as fotos, nas palavras do próprio Laércio.

A TÉCNICA: Este ensaio foi totalmente produzido com equipamento fotográfico analógico. Trata-se de uma dupla exposição do negativo. A primeira foto é feita no lado convencional do negativo. A segunda é feita no lado oposto (como na técnica conhecida como RedScale onde invertemos o negativo). A imagem final é resultado da sobreposição destas duas imagens (cada uma feita em um lado oposto da película).

Panorama jones 02(Diário)_(T)(R)_O PROCESSO: Durante a entrevista e o ensaio fotográfico com os modelos, procuro conversar e entender um pouco sobre quem é aquele indivíduo (ou pelo menos quem ele diz ser). Assim, consigo mapear “Lugares” inerentes aquele ser humano. Não simplesmente lugares físicos. Lugares do afeto (ou desafeto) que formam aquela pessoa. Desta forma reinterpreto cada sentimento que emerge destas conversas encontrando um norte visual para a Fotografia que irá sobrepor o retrato e compor a imagem final.

A OBRA: O ensaio completo é composto por 44 imagens

Já tinha visto outros ensaios usando essa técnica, mas nenhuma com tanto cuidado. Eu, particularmente (existe “eu” sem ser “particularmente”? gostei bastante do resultado encontrado com o equilíbrio das duas imagens na mesma película (ou no mesmo pedaço de película), e fiquei curioso pra saber até que ponto a sorte se meteu no trabalho. Minhas fotos preferidas são as em destaque nesse post, mas você pode ver mais algumas abaixo, e todas as 44 no Flickr do Laércio.

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comentários
 
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  • Guilherme
    10/01/2015 em 10:57 am

    Concordo plenamente com o Vagner. Quando eu leio os catálogos de muitas exposições, textos de críticos e ensaístas fotográficos, justificativas de bolsas que financiam projetos e etc, é muito comum a falta de propostas claras e fáceis de serem entendidas e assimiladas pelas pessoas. Parece um “clube da luluzinha”.

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  • 10/05/2014 em 6:06 pm

    Muito lindo. Achei legal a forma dele produzir cada foto, muito bacana. E é um projeto fantástico.

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  • 28/03/2014 em 9:27 am

    show! sempre pensei nisso.. você fez algum tipo de cálculo como sobrepor as duas fotos pra nao expor demais a luz?

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    • 28/03/2014 em 3:54 pm

      Mesma regra do Redscale dou 2 pontos de luz (quase sempre dois pontos no ISO). Se a primeira exposição foi com ISO 200, ao inverter a película, configuro a camera pra ISO 50… Se ISO 100 na primeira, configuro pra ISO 25 na segunda.

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  • 27/03/2014 em 1:58 pm

    Gostei muito de como Laercio aliou a técnica a uma boa proposta fotográfica. Gostaria de ouvir ou ler dele sobre o porquê de um RedScale e se ele atrelou as características dessa técnica à escolha dos “lugares”. Se sim, porque. Também me intriga a composição tão assertiva dos elementos. Olho as imagens e minha mente fica perdida em alguma atmosfera de sonho.

    Sinto falta, em muita coisa que se produz hoje, de uma proposta clara de porque fotografia, porque tais e tais técnicas, dentre outras coisas. Ainda há muito fotografar por simplesmente fotografar. Precisamos de mais do que. Adorei o trabalho.

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  • 27/03/2014 em 11:58 am

    Uau! Fantástico! Adorei algumas, incluindo não-destacadas pelo site rs. Um trabalho realmente muito detalhista.

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