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Opinião: quando não fotografar com filme (e porque)

por em 31/03/2014
 

1966812_676182389090779_308983371_nNas últimas semanas muita gente me perguntou onde estão as fotos analógicas da Alice. Minha resposta chocou e continua chocando muita gente: “Não fiz nenhuma. Só estou fotografando ela com iPhone”.

E daí todo mundo me olha com aquela cara de O_o. “Como assim o cara do Queimando Filme fotografando a filha só com iPhone?!” E foi aí que eu vi que esse papo tinha potencial pra um post. E cá está ele.

Na vida, existe hora pra tudo. Inclusive pra fotografar com filme (pelo menos essa é a minha opinião). Os que me conhecem ou me lêem a mais tempo sabem que nunca fui radical ou xiita de fotografia analógica. Gosto mais desse tipo de fotografia, mas pratico as demais modalidades sem preconceito mas, confesso, com bem menos prazer pelo processo.

10012461_676408572401494_1143326530_nE é aí que está a chave da coisa: no prazer do processo. Mas antes de continuar, mais um pouco sobre minha vida pessoal. Eu odeio dirigir. Nunca tive carro, e só tirei carteira de motorista dois anos atrás, porque sabia que quando meu(minha) filho(a) nascesse eu teria que assumir o volante. Hoje dirijo até que bastante, mas continuo não gostando. O que me faz sofrer menos é o fato do nosso carro ser todo automático (ou seja, não preciso passar marcha). E isso me deixa feliz, porque odeio o processo de dirigir.

Enfim, voltando…

Existe a fotografia-processo e a fotografia-fim. Na fotografia-fim só interessa a imagem final, sua qualidade, clareza, resultado. Na fotografia-processo, o resultado é secundário. Existe um prazer muito maior em “fazer” a foto. No prazer artesanal, na “trabalheira”.

E é aí que as fotos da Alice entram: nessas primeiras semanas (ela nasceu no começo de fevereiro) eu só queria o resultado. Naqueles momentos eu não estava nem aí pros processos fotográficos analógicos, digitais ou o diabo que fosse. Eu queria ter fotos da minha filhota pra guardar e mostrar pros amigos e parentes. Queria as fotos ali, prontas, sem me preocupar com nada. Fuck the process.

Fotografia digital, pra mim, é como dirigir. Necessário e muitas vezes extremamente útil. Mas nada prazeroso (apesar de alcançar o objetivo ser, é claro, prazeroso, nos dois casos).

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Making-of do primeiro ensaio analógico da Alice. Mais de um mês e meio depois do nascimento…

O tempo foi passando, e a vontade de fazer fotos em preto e branco da Alice pegando sol na varanda foi surgindo, e logo veio, finalmente, o primeiro ensaio analógico dela, na semana passada. Como eu já havia acumulado uma quantidade absurda de fotos digitais dela, a vontadinha de fazer algo mais, de criar um projeto que incluísse ela, começou a surgir, e só então comecei a fotografar ela com filme. Porém, sem deixar de registrar quase sem pensar fotos dela com celular a todo momento, como qualquer pai babão.

São coisas diferentes.

Quando a sua filha dá o primeiro sorriso, quando ela começa a engatinhar, a dar os primeiros passos, não é hora de pegar sua câmera de filme vintage e ficar se preocupando em ajustar foto, velocidade, ver se tem filme. É hora de registrar o momento numa fração de segundos e largar a câmera imediatamente pra aproveitar aquele momento único sem nada entre você e sua filha. É pra isso que a fotografia digital foi inventada. Pra eliminar o processo, quando você não precisa/quer o processo.

Ser radical, ser monotemático, não ajuda. Pelo contrário, te impede de ver as melhores opções para aquele momento, as melhores ferramentas para aquele objetivo.

#prontofalei

Todas as fotos desse post foram feitas com iPhone, e não teriam sido feitas se eu tivesse que correr pra pegar a câmera analógica... :-)

Todas as fotos desse post foram feitas com iPhone, e não teriam sido feitas se eu tivesse que correr pra pegar a câmera analógica… :-)

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