3comentários

Fotografia Básica: K de Kodachrome

 
O post abaixo foi retirado, traduzido e adaptado de: ThePhoblographer.com

originalmente publicado em The Phoblographer

O post abaixo foi retirado, traduzido e adaptado de: ThePhoblographer.com

Alguns podem se perguntar por que alguém colocaria um filme slide, inclusive que nem se produz mais, como conhecimento básico em fotografia. No entanto a resposta é mesmo simples: o Kodachrome foi, provavelmente, o meio fotográfico mais influente de todos os tempos e teve papel significante modelando a fotografia colorida moderna e o fotojornalismo. Neste artigo, olharemos a ascensão e queda deste filme, além de explorar um pouco a fotografia criada com ele.

Introduzido pela Eastman Kodak em 1935, o Kodachrome foi o primeiro filme fotográfico de sucesso comercial a fazer uso do método subtrativo de reprodução das cores (sub o quê?? S-U-B-T-R-A-T-I-V-O. Neste processo as cores são determinadas pela absorção e subtração das cores da luz branca. A luz branca é direcionada a um objeto e parte deste objeto absorve a luz. A parte que não foi absorvida é refletida para nossos olhos, desvendando a cor do objeto atingido e revelando sua pigmentação. As cores são determinadas pela maior ou menor quantidade de pigmentos das tonalidades vermelha, amarela e azul). Continuando… esse processo subtrativo tornou-se, mais tarde, uma prática comum nos filmes fotográficos. Entretanto, diferente de outros filmes slides que surgiram depois, como Agfacolor, o Kodachrome não incluía nenhum corante acoplado, que são responsáveis pela cor nos slides resultantes. Ao invés disso, os corantes eram colocados durante a revelação, tornando bastante complexo revelar o Kodachrome.

Pôr do sol no lago Onondaga - Syracuse, NY by Joe Geronimo

Pôr do sol no lago Onondaga – Syracuse, NY by Joe Geronimo

A receita básica do Kodachrome manteve-se a mesma através do tempo, mas o lendário Kodachrome 64, usado amplamente por fotojornalistas como Steve McCurry, somente foi introduzido em 1974. Ele possuía um ISO de velocidade moderada – 64 – e era mais adequado para fotografar durante o dia. Na verdade, Steve McCurry disse certa vez sobre o Kodachrome: “se você tiver uma boa luz e estiver fotografando em velocidade consideravelmente rápida, será uma foto brilhante”.

O que tornou o Kodachrome tão famoso, além do fato de ter sido o primeiro filme colorido prontamente disponível, foi sua reprodução das cores. Para citar Steve McCurry novamente: “ele [Kodachrome] possuía uma ótima paleta de cores. Não era tão berrante. Alguns filmes dão a impressão de estarmos drogados ou algo assim. O Velvia tornou tudo muito saturado e descontroladamente exagerado, muito elétrico. O Kodachrome tinha mais poesia, certa suavidade e elegância”.

Moinho próximo a Newmarket, Inglaterra - 1953

Moinho próximo a Newmarket, Inglaterra – 1953

A reprodução de cores do Kodachrome era tão estimada que quando a Leica desenvolveu sua primeira rangefinder digital, a M8, o sensor foi desenvolvido para imitar especificamente o visual do filme Kodachrome. E, observando as fotos de McCurry e outros que fotografavam com Kodachrome, fica fácil ver por que. Ele até teve uma música própria em 1973, quando Paul Simon cantou sobre suas “agradáveis cores brilhantes”.

Com a introdução de um processo E-6 mais simples para revelar filmes como Fujichrome e Agfachrome, o Kodachrome foi lentamente saindo de moda, dando lugar a filmes slide mais modernos. O último prego colocado no caixão do Kodachrome (vish!) foi a chegada da fotografia digital, colaborando para que, no começo dos anos 2000, diferentes versões de Kodachrome fossem sucessivamente descontinuadas. O último Kodachrome 64 sobrevivente teve sua produção encerrada em 2009 e o último rolo foi revelado pela FOTO DWAYNE no Kansas, em 2010.

Bem vindo ao Kansas - 1961

Bem vindo ao Kansas – 1961

Junto com o Kodachrome, encerrou-se também uma era na fotografia. Tendo sido o primeiro filme colorido disponível, o Kodachrome ajudou a moldar a face da fotografia colorida moderna. Ele foi usado por vários fotógrafos da National Geographic para capturar suas séries cheias de cores e foi o favorito entre fotojornalistas, que não olhavam apenas para o conteúdo da imagem, mas também suas cores. Mas apesar de não estar ser produzido, seu legado continua.

Atualmente há uma série de programas simulando as características do Kodachrome para aplicar nas fotos digitais, tentando copiar o visual único do filme. Enquanto essa possa ser uma difícil de se cumprir, isso mostra o quão popular, influente e importante o Kodachrome foi para o mundo fotográfico. Sem ele a fotografia com certeza teria feito igual progresso, mas não seria a mesma coisa.

Buick na praia - 1950

Buick na praia – 1950

– imagens: Gray Flannel Tumblr, This Was England, Gray Flannel Tumblr, I Still Shoot Film, Michael Raso (Film Photography Project)

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
Deixe uma resposta »

 
  • Tiago
    14/07/2014 em 11:17 pm

    não existe locais mais para revelar um kodacrome? tenho super oito com esse tipo de cartucho.

    Responder

    • 15/07/2014 em 11:34 am

      Opa Tiago! Infelizmente não… a não ser por alguns labs obscuros que nem sei em que lugar do planeta ficam (mas pesquisando na net vc acha) que revelam ele com uma quimica preto e branco. Entao você até salva as imagens, mas em preto e branco… :-/

      Responder

  • 10/04/2014 em 11:01 am

    O Kodachrome era excepcional. Pena que depois dos começos dos anos 70, por aí, ficou impossível encontrar no Brasil – e muito menos ficou fácil mandar revelar (precisava ir para os EUA, Mexico, Inglaterra ou Suíça, se não me engano).

    Também é o único filme de slide absolutamente estável. Tenho comigo slides que meu avô bateu nos finais dos anos 30 – e as cores estão firmes, parecem que foram reveladas ontem.

    Responder

Deixa aí seu comentário!