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Cinestill Film: vale a pena?

por em 22/04/2014
 

Muito se falou a respeito do Cinestill Film, anunciado no ano passado. Afinal, no atual mundo em que vivemos, não é usual termos o anúncio de um novo filme no mercado.

cinestill_header“Novo”, entre aspas: para quem não sabe, o Cinestill Film é o Kodak Vision T500, um filme de cinema. O que ocorre é que todo filme de cinema possui uma camada de cera (remjet) por cima da emulsão, e a grande mágica do Cinestill, por assim dizer, é justamente se livrar dessa camada antes do filme ser exposto – normalmente ela só é removida após a revelação.

Outro ponto interessante do filme é que ele é um filme desenvolvido para o uso sob luz de tungstênio. Ou seja: ele é um filme bem frio, com tons azuis bem fortes. Utilize-o sob a luz do dia e você terá imagens puxando para o azul – não que seja ruim, mas tem coisas que tem hora e lugar, né?

Pois bem, por ser um filme interessante, acabei pedindo para um amigo comprar algumas unidades para mim. Ele não é um filme barato (custa US$10) e apenas a Freestyle Photo é autorizada a vendê-lo, o que faz com que o valor seja um pouco maior – considere que toda e qualquer encomenda da Freestyle deve ser taxada, mas você pode acabar dando sorte e não ser taxado. Ele me trouxe 3 rolos, dos quais eu decidi apenas bater um para ver como saia.

As fotos durante o dia eu já imaginava como sairiam: azuis.

cinestill-1

Lheka Andrades

Como eu não achei que “casou” com a situação, acabei corrigindo o balanço de branco pelo Lightroom. O filme, corrigido, apresentou um contraste surpreendente, apesar de não ter sido feito para ser usado sob essa condição de luz. Mesmo assim, é possível ver uma “aura” mais fria em alguns pontos das fotos:

Volto a repetir: eu tenho plena consciência de que ele não foi feito para ser usado sob influência de luz do dia e bla bla bla. Mas usei – e não gostei do resultado final. Sendo assim, nada mais justo que utilizar o filme, então, sob influência de luz de tungstênio. Para isso, decidi ir para o local que eu mais fotografo daqui de São Paulo: a Avenida Paulista. O resultado, dessa vez, foi surpreendente:

O Cinestill, com sua “correção de cor” natural, conseguiu capturar bem as cores da Avenida Paulista. Eu, que estou acostumado a fotografar por lá, nunca vi fotos com cores tão vivas e chamativas quanto as feitas com esse filme. E o grão, apesar de ser um filme de ISO alto, não é feio.

Enfim, é um filme bem legal, que também vai ter um espaço para os que apreciam uma boa experimentação, até pelo fato de ser um filme de processo C-41, que pode ser revelado em boa parte do Brasil. Mas não tem jeito, e isso eu garanto: ele vai se tornar queridinho, principalmente, de quem fotografa muito à noite.

Prós:

  • É um filme de ISO elevado, mas tem granulação moderada.
  • Sob luz de tungstênio ele produz cores brilhantes e vivas.
  • Por ser processo C-41, é fácil de revelar na maioria das cidades brasileiras.
  • Por ser um filme de cinema, ele possui uma latitude altíssima, podendo ser usado até como ISO 6400 (+3 pontos).

Contras:

  • Disponível apenas no formato 35mm – esse filme deveria estar disponível também em 120, no mínimo.
  • Eu perdi duas fotos porque a camada de cera (remjet) não foi completamente retirada do rolo. É entendível, até por ser um filme experimental, mas não deixa de ser um contra.
  • Não há código DX na bobina, o que torna o uso dele em câmeras completamente automáticas uma verdadeira loteria.
  • Aparentemente, não é dos filmes mais fáceis de ser digitalizado.
  • É caro – talvez não justifique o valor para todo mundo.

Disclaimer: Para esse teste foi utilizado a Canon EOS 3 com as objetivas Canon EF 50mm f/1.8 II, Tamron 28-75mm f/2.8 (IF) Macro e Helios 44-2 58mm f/2 (mount m42 adaptado para Canon EF). As imagens foram feitas nos modos manual (M) ou prioridade de abertura (Av). Não foram utilizadas todas as fotos do rolo por motivos de repetição (mesma cena em mais de um quadro) ou problemas técnicos (resquício da camada de cera em dois quadros).

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