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No tempo em que Coca-Cola em lata era novidade…

por em 11/06/2014
 

E hoje tem estréia de colaborador no QF! É o Bruno Silva, que chega já falando de saudade e fotografia analógica em um texto que é meio ensaio, meio crônica, meio depoimento, meio desabafo ;-) Seja bem-vindo, bruno, e que esse texto seja o primeiro de muitos! Já estamos esperando pelo segundo… :-)

Há ligações muito fortes entre a fotografia analógica e saudosismos. Claro, a maioria dos entusiastas deste segmento passaram a infância com os pais fotografando com Kodaks Xeretas e Yashicas vermelhas, desenvolvendo uma ligação emocional nossa com câmeras mecânicas. Mas eu, particularmente, não sou do tipo saudosista que acha que tudo de antigamente era melhor. Eu pertenço ao presente, gosto de tecnologia e acho que ela vem pra facilitar a nossa vida (de um jeito bom e de um jeito ruim também, mas este é outro papo).

A fotografia digital facilitou muito para o fotógrafo. Mas com ela veio também a volatilidade das fotos e a “perda de adrenalina” para fotografar. É quase um descompromisso. Você não precisa se preocupar se tá acabando o filme ou se a foto vai ficar ruim. É só sair clicando como se não houvesse amanhã. Já com o filme temos um cuidado redobrado ao fazer uma foto. Pensamos mais, cuidamos mais da luz, do enquadramento, da composição. É como comparar sexo casual com sexo com amor. Comer uma coxinha no caminho pro trabalho ou um jantar elaborado em família. Eu geralmente uso câmera digital e esse foi o maior motivo de eu ficar alguns anos no limbo fotográfico, sem criar nada novo e sem vontade de fotografar. Cansei de fazer centenas de fotos em um dia, aproveitar dez fotos que eu realmente achava que tinha qualidade suficiente pra minha exigência e ficar com dó de deletar o restante, fazendo o HD do computador ficar entulhado de fotos ruins que nunca vou usar.

Até que, há um mês, ganhei de um amigo uma Olympus-Pen EE-2. Uma camerazinha compacta point-and shot de meio quadro fabricada entre 1968 e 1977. Ela foi encontrada dentro de uma mala de roupas no brechó de sua mulher, que ia jogá-la fora. Ele, sabendo do meu gosto pela coisa, evitou o sacrilégio e me deu de presente. Foi o empurrão que eu precisava. Dei um trato na bichinha, que pelo jeito não era usada há algumas décadas, verifiquei os mecanismos e tudo estava funcionando perfeitamente, com suas marcas de uso e do tempo (sim, eu gosto de saber que as coisas tem suas próprias histórias), coloquei um filme e comecei a fotografar. Isso me fez voltar no tempo em que me apaixonei (ainda mais) pela fotografia, na faculdade, com uma Pentax K-1000 e filmes PB Kodak Tri-X.

Todo o encanto voltou. Voltei a pesquisar, estudar mais sobre filmes, revelação e sobre a própria história desta camerazinha que virou meu xodó. Levo ela no bolso pra todo lugar que eu vou. Coisa que não dá pra fazer com uma reflex. Relembrei como era gostoso perambular com a câmera na mão pelas ruas com “olhar de foto”, vendo coisas que não notamos na correria do dia-a-dia. Há beleza em todo lugar – menos no meu bairro. ô lugarzinho sem graça -. É diferente de andar por aí com um celular com câmera boa. Sim, podem xingar, mas os celulares estão cada dia com câmeras melhores, lidem com isso.

Senti a necessidade de uma boa reflex de filme na qual eu poderia intercambiar as lentes que já tinha. Comprei então uma Canon EOS 300 (Rebel 2000) de um amigo. Sou “canonzeiro” com muito orgulho, com muito amor. E agora tenho 3 rolos pela metade. 2 coloridos na Olympus e Canon. E 1 PB Tri-X na Nikon FM10 (olha eu, traindo o movimento). Assim que começar a revelar os bichos, venho aqui postar os resultados. Confesso: gosto dessa ansiedade até pegar as revelações.

Quem diria que uma câmera da época que Coca em lata era novidade iria estraçalhar com minha crise criativa de anos? Se vai ter Copa eu não sei, mas que vai ter Bruno queimando filmes sem dó nem piedade daqui pra frente, terá com certeza.

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