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No Detalhe: Exposição correta

por em 24/06/2014
 

Neste artigo vamos conversar um pouco sobre a exposição correta do filme para ter o melhor resultado possível. Veremos também como resolver os problemas quando sua câmera é limitada.

Como funciona a câmera

Uma câmera nada mais é que uma caixa vedada à luz. Ela possui uma única entrada para a luz que irá atingir o negativo de forma controlada. Sendo assim, podemos construir uma câmera até mesmo de papelão e atingirmos resultados interessantes.

Para se ter uma qualidade maior da imagem é necessário usar mais algumas partes desta caixa preta: o obturador, o diafragma e a objetiva.

A objetiva é responsável por levar a luz para o filme, corrigir aberrações ópticas e focar o assunto.

O obturador determina o tempo de exposição da película. Ele é dividido em frações de segundo. Geralmente as câmeras possuem um controle variado para o tempo: 1, 2, 4, 8, 15, 30, 60, 125, 250, 500, 1000 e 2000. Talvez a sua câmera não possua todos eles ou até mesmo nenhum, mas a idéia é que representam frações: 60 quer dizer 1/60 segundos e assim por diante. Para câmeras que não possuem este controle, ou ele é fixo ou é automático.

Algumas câmeras possuem o B, bulb, que “libera” a luz pelo tempo que você pressionar o botão. Este tipo de exposição é usado geralmente para fotos noturnas ou quando os tempos padrão não resolvem.

O diafragma determina a quantidade de luz que entra na câmera e produz um “efeito” chamado profundidade de campo. Ele é dividido em f-stops: f1.8, f2.8, f4, f5.6, f8, f11, f22. Quanto maior o número menor a abertura, ou seja, menos luz entra. Além disso quanto maior o número maior a profundidade de campo, ou seja, o foco vai mais longe. Podemos usar isto para criar alguns efeitos interessantes de foco, mas trataremos isto depois. Algumas câmeras não possuem estes controles e ou são automáticas ou com aberturas fixas. Existem algumas de escondem os f-stops usando pictogramas.

Uma outra variável é o ISO do filme, mas ele não faz parte da câmera e sim do filme (a não ser as câmeras digitais que simulam isto). Os tipos mais comuns são: 25, 100, 200, 400 e 800, mas existem outros.

Quanto menor o ISO, mais luz precisa para expor corretamente, porém melhor a qualidade da imagem. Quanto maior menos luz, mas a imagem começa a ficar granulada. Isto não é problema, é característica, e pode ser usado criativamente. A idéia é que o ISO 200 precisa de metade da luz de um ISO 100 para ter a exposição correta.

Se quer mais ajuda para entender, veja estes posts aqui:

Conseguindo a Exposição Correta

Agora que vimos as partes envolvidas, podemos entender a exposição.

Basicamente ela é conseguida pela combinação entre o ISO, a exposição (obturador) e a abertura (diafragma).

OK, mas como conseguir isto?

Simples, você tem que medir a luz.

Epa! Como eu meço a luz?

De duas maneiras: usando um fotômetro e usando a regra sunny 16.

Primeiro vamos ver o mais preciso: usando um fotômetro.

Algumas câmeras possuem fotômetro interno e você tem que fazer algumas configurações iniciais.

Primeiro, acertar o ISO do filme. Algumas câmeras fazem isto automaticamente, mas as manuais geralmente não. Para fazer isto elas possuem algum tipo de botão que você seleciona o ISO.

Segundo, colocando uma velocidade e abertura e olhar no fotômetro da câmera se está tudo OK. Cada câmera faz isto de uma maneira e vale a pena ler o manual. Quando tudo estiver certo pode clicar sem medo, mas não se esqueça de olhar o foco.

Outra alternativa é usar um fotômetro de mão, onde você coloca o ISO do filme e ele mede a luz e já te fala qual abertura e velocidade devem ser usadas.

Para câmeras que não possuem este controle vale a regra sunny 16: coloque a velocidade num valor próximo ao ISO do filme e depois siga estas aberturas:

  • f16 – dia ensolarado
  • f11 – levemente nublado
  • f8 – nublado
  • f5.6 – fortemente nublado
  • f4 – por-do-sol

Existem algumas câmeras, como a Lubitel 166+, que te ajudam com os pictogramas. Em todo caso vamos a um exemplo com a Ricoh Singlex TLS (Ela tem fotômetro, mas o da minha pifou…): Vamos supor que eu quero usar um filme ISO 100. Como eu devo configurar a câmera?

Simples, escolher um valor de velocidade mais próximo de 100. Na Ricoh é 125. Agora vejamos o clima… Aqui está ensolarado agora, portanto f16. Agora é só clicar!

E se minha câmera não tem nada assim?

Aí você tem que usar a experimentação, mas a dica que eu tenho: use filme ISO 400. Não é que sempre dá certo, mas para mim é o que resolve.

Uma dica primordial é: conheça a sua câmera. Leia o manual e leia sobre ela. Você vai ver que tudo fica mais fácil. Tem horas que não dá para tirar aquela foto com uma câmera simples. Fazer o quê… é melhor não tirar do que perder um frame no filme.

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comentários
 
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  • 14/04/2016 em 9:39 pm

    Cara que bacana, eu precisava mesmo desse esquema Sunny 16. Me formei em fotografia, e agora curso cinema. Estou fazendo algumas fotos com filme Kodak 400TX Preto e Branco com a Nikon FM3a que peguei emprestada na faculdade. Aguardo ótimos resultados! Estou acompanhando o queimandofilme e pra mim é um dos unicos sites sobre o assunto com conteudo sério e que vai direto ao ponto sem rodeio!
    Um grande abraço e bons cliques!

    Responder

  • 25/03/2015 em 9:02 pm

    Obrigada Marcos! Esse post me foi muito útil e refrescou minha memória sobre o primeiro período da faculdade de jornalismo, onde peguei uma cadeira de fotografia. Aqueles 6 meses foram os melhores de todo o curso. Infelizmente, não me graduei mas a paixão pela fotografia analógica permaneceu. Essa semana, comprei minha primeira máquina, uma Pentax SP1000, comprei 3 filmes pra começar a brincar. Um kodak ultramax400 e outros dois ProImage 100 tb da kodak. Enquanto a minha boneca não chega, to absorvendo o máximo de técnica que posso, entender de exposição é o primordial pois ainda não tenho certeza se o fotometro dela está funcionando. Abraços!

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