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No Detalhe: Alcance dinâmico e latitude

por em 30/06/2014
 

Desde que eu voltei a fotografar com filme, por muitas vezes eu me deparei com discussões enormes (borinzzzzzzzzzz) sobre filme x digital. Que digital é melhor nisso, que filme é melhor naquilo, bla bla bla. Enfim, discussões que, no final, são um saco e nunca dão em nada. Um fato interessante, porém, é que sempre tratam de falar a respeito de “latitude” e “alcance dinâmico”, muitas vezes confundindo os termos, ou até mesmo tratando-os como se fossem a mesma coisa. Guess what? Não, eles não são a mesma coisa.

laplage_por_nicolascolemontsComeçando por alcance dinâmico – ou dynamic range, em inglês – é a quantidade de tons que um determinado filme (ou sensor) consegue “gravar” indo de totalmente preto até completamente branco. Botando preto no branco: quanto maior seu alcance dinâmico, maior é a quantidade de “informação” que você consegue gravar em áreas de baixa e alta luz. Diferentes filmes possuem diferentes alcances dinâmicos, e a mesma coisa ocorre com os sensores das câmeras digitais.

Como uma regra geral, a escala de alcance dinâmico em filme segue da seguinte maneira: preto e branco possuem maior alcance dinâmico (por isso tem mais detalhes em áreas de sombras e altas luzes), negativos coloridos comuns vêm em segundo e, por último, filmes cromo – que, às vezes, tem um alcance dinâmico menor que o de algumas câmeras digitais.

latitude é a quantidade de sub ou superexposição que o filme aguenta dentro de uma determinada exposição. Ou seja: é ela quem mede o quão correta sua exposição deve ser, considerando desde o objeto mais escuro até o mais claro de seu enquadramento. Não entendeu? Beleza, vamos lá – vou tentar explicar usando o exemplo do fotógrafo Bill Wadman, que é simples e de fácil compreensão.

Imagine que você vai fotografar um quiosque na praia. O quiosque, o assunto principal, está no centro, e possui uma iluminação correta. Ao lado do quiosque está uma área onde estão as mesas que os clientes sentam, sob uma forte sombra. Imagine ainda, que no seu quadro, há um belo céu azul.

seaofcoconuttrees_por_andressacutiniLevando o exemplo citado, imagine uma régua, onde seu comprimento é, basicamente, ditado pelo tipo de filme que você está usando. Num cenário em que você esteja usando um filme preto e branco, pense que a régua teria 15cm. Desse modo, sua foto teria a área de sombra equivalente a 3cm, a luz do quiosque seria equivalente a 7cm e a luz do céu seria o equivalente a 11cm.

Entendeu? Se o filme que você está usando é uma régua de 15cm, a foto acima cabe completamente dentro dela, e ainda sobre um “espaço” que será inutilizado. Isso significa que a latitude de seu filme é maior do que a necessária – ou seja, nesse cenário, se a exposição correta seria em 7cm, você poderia superexpor a foto usando o 11cm e você ainda teria informações necessárias na sua imagem, ou poderia fazer o inverso e subexpor sua imagem o 5cm.

untitled_por_gabrielapaulagoncalvesHm… Entendi. Mas isso afeta minha imagem? Como?

Num mundo ideal, tudo seria lindo e maravilhoso se não tivéssemos que nos preocupar com isso… Mas nós temos, infelizmente. No mundo real, ao sub ou superexpor uma imagem, o que ocorre é que, para recuperar as informações em baixa e alta luz, você tem que corrigir a imagem, e mesmo que a latitude seja permissiva, isso pode criar grão em áreas de sombra, por exemplo. O contraste da imagem, ao corrigir uma imagem, também pode aumentar… Já ouviu esse papo em algum lugar? Pois bem: é exatamente o que ocorre ao “puxarmos” um filme.

Já o alcance dinâmico sofre alterações de outra maneira. Alguns filmes coloridos, por exemplo, têm suas cores completamente alteradas, quase que sumindo com os tons medianos, ou então a saturação pode aumentar de forma excessiva.

Basicamente, a explicação acima é bem simplista, mas eu vou deixar aqui um artigo do fotógrafo que eu citei, onde ele explica mais alguns pontos interessantes a respeito desse assunto. ;}

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Todas as fotos usadas nesse post foram publicadas no Grupo Queimando Filme do Flickr.

As fotos e seus respectivos autores, na ordem de aparição, são: “Untitled”, por Mark Julien Hahn; “La Plage”, por Nicolas Colemonts; “sea of coconut-trees”, por Andressa Cutini; e “Untitled”, por Gabriela Paula Gonçalves.

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comentários
 
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  • 30/06/2014 em 3:33 pm

    Não sei se é uma pergunta meio besta, mas…
    No caso de filmes coloridos comuns, existe algum que é conhecido por ter um alcance dinâmico maior?

    Responder

    • 03/07/2014 em 12:14 am

      Existem sim! O Superia 400, por exemplo, é conhecido pela alcance dinâmico e latitude absurdos. O Portra 400, por sua vez, tem uma latitude grande, mas o alcance dinâmico nem tanto. :D

      Responder

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