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Clássicos da revelação: Dois irmãos

por em 10/07/2014
 

A Kodak desde os anos 20 anunciava o DK-23 como um revelador simples, mas que vários fotógrafos conhecidos adoravam – principalmente o Ansel Adams. Adams aliás faz um verdadeiro curso de D-23 no “O Negativo”, com variações de contraste e tudo o mais. Vale a pena uma lida, se quiser realmente tirar tudo o que este revelador tem a oferecer.

Sua fórmula:

Metol…7,5g
Água…1 litro

Para filmes de 100 ASA sugiro um tempo de revelação de uns 12 min, com umas três ou quatro chacoalhadas no tanque. Também funciona com dois banhos. D-23 é o primeiro banho, e uma solução de bórax a 0,2% (2g em um litro de água) é o B. Para Tri-X, 9 min em A, 4 min em B. (se quiser economizar metol, abaixe para 5g e aumente o tempo para uns 15 min).

O metol trabalha de um jeito engraçado quando está longe da hidroquinona. A imagem aparece inteira (não apenas as partes escuras) e depois o contraste vai paulatinamente aumentando. Assim esse tempo de revelação (e também a diluição) pode variar bastante sem risco para o negativo.

Foi quando a Kodak lança o “irmão” e o “primo” do D-23 – respectivamente o D-25 e DK-20. Mas de olho na fórmula W665 que um amador chamado Hans Windish havia lançado, começando a moda dos reveladores “super-grão-fino”. De 1936/37, até hoje é o “revelador padrão” para ampliações violentas – especialmente se você quer ser espião e usar uma Minox (fotograma 8x11mm).

A fórmula fez aquele sucesso, deixando tanto o autor como a Perutz (que fabricava a mistura pronta) nadando em dinheiro. Como sucesso sempre atrai inveja… No caso “chamou a atenção” dos laboratórios Kodak.

A fórmula do Windisch era decepcionantemente simples: Metol; Sulfito de Sódio; Ortofelendiamina; Bissulfito de Sódio e água.

O problema da Kodak eram os resultados do revelador Windisch. Por que o grão era TÃO mais fino? A Kodak apresentou como explicação dois pontos:

a) a Ortofelendiamina no caso não conseguia revelar coisa alguma, mas agia como um “solvente” dos grãos de prata. Enquanto o metol revelava, a ortofelediamina ia “desbastando” os grãos.

b) o bissulfito acidula o revelador, diminuindo o ritmo e portanto impedindo os grãos de se juntarem.

É assim que a Kodak lança dois “irmãozinhos” do D-23: o D-25 e o D-20.

O D-25 é o W665 sem a ortofenilendiamina:

Metol… 7,5g
Sulfito de sódio… 100g
Bissulfito de Sódio… 15g
Água… 1 litro

Revelação de 20 min, a 20oC. Se quiser revelar a 25oC, o tempo será em torno de 14 minutos.

Este um banho extremamente interessante, que pode ser usado na boa até os 25 graus Celsius (daí o nome…) Trabalha devagar e é já um legítimo “grão-fino”. O Sulfito é levemente alcalino, e o Bissulfito vai acidular o banho. (na falta de bissulfito, o Metabissulfito de Potássio substitui sem problemas!)

Windisch também soltou suas próprias versões tanto do D-23 e D-25. Mas são irrelevantes (mudanças só nas quantidades que não alteram realmente o resultado, só os tempos), e seu nome ficará lembrado mesmo pelo seu revelador “super-grão-fino”.

O DK-20 era diferente, trazendo um solvente forte de haletos de prata, o Tiocianato de Potássio. Mas este revelador merece um texto só para ele!

PS: estes reveladores são tipicamente anos 30. Oferecem um baixo contraste (os filmes da época eram bem mais lentos, não sendo incomum películas de 15 ASA. 100 ASA na época era um filme ultra-rápido! E quanto mais lento, mais constrastado é o filme. Nada terrível, só que pode ser que você precise usar uma gradação a mais do papel que está acostumado). E decididamente não têm “acutância”. O que interessava era sumir com o grão, bem ao contrário do que passou a ser valorizado em reveladores mais novos, principalmente dos anos 70 para frente.

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