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Clássicos da Revelação: Diafine “genérico”

por em 15/07/2014
 

Esse post era para ser a respeito do DK-20. Mas devido aos pedidos de leitores, estou escrevendo hoje sobre o “Diafine genérico”. DK-20 fica para a próxima – aliás, tudo a ver esta sequência, já que TAMBÉM vamos apresentar a versão dois banhos (e umas alteraçõezinhas que fizemos nesse clássico).

O Diafine é um revelador com “marca comercial” – no sentido de não existir fórmula disponível. Revelador antigo, dois banhos, que criou sua legião de fãs ao longo das décadas. O fabricante insistia que era possível obter mais velocidade da película com esse revelador, bem como que seria compensador.

diafineQue QUALQUER revelador 2 banhos consegue equilibrar sombras e luzes, isso já escrevemos aqui em outro texto. O primeiro banho só “encharca” a gelatina de revelador, que é ácido. Quando vai para o segundo banho, alcalino, a revelação realmente acontece. Só que as partes escuras do negativo esgotam rapidamente o revelador que está ali, e a revelação não vai tão a fundo. As partes mais fracas, de sombras, conseguem ir bem mais a fundo. O resultado é uma gama bem mais restrita, e mais fácil de ampliar.

Agora, REVELADOR COMPENSADOR é outra coisa. E na verdade é algo que em geral iríamos dizer que não serve para o dia-a-dia. Um revelador compensador de verdade permite fotografar uma lâmpada e conseguir obter a imagem perfeita do filamento incandescente. Existem umas fórmulas à base de pirocatequina para isso, mas fica para outra postagem.

Quanto à velocidade, há más notícias aqui. O ganho é bastante relativo, hoje em dia. A menos que você não se incomode com o grão.

Até finais dos anos 50 a maneira de medir a sensibilidade do material preto e branco era diferente; a sensibilidade era regulada para existir uma “margem de tolerância”. Assim o Tri-X era 200 ASA, Plus-X era 65 ASA, etc. A melhor revelação era utilizar essa marcação e subrevelar para obter um contraste mais baixo. Reveladores como o Diafine permitiam usar sem problemas essa margem a mais.

Para usar em filmes novos você tem que ter em mente que pode estar exigindo mais do que o filme pode fazer… Se não der certo, a culpa não é dele, OK? (Tri-X e HP5 vão otimamente em 800 ASA. Mas acho que é bobagem forçar um Pan-F como 100 ASA – até porque ele na verdade, MESMO… Ainda é 25 ASA.)

Vamos às fórmulas.

Pelos dados técnicos encontramos que a versão original é com hidroquinona no banho “A” e com carbonato em “B”.

Há “n” versões genéricas na internet, mas TODAS são metol-hidroquinona (ou hidroquinona/fenidona) ácidas com o segundo revelador usando carbonato de sódio. Como não testei essas, vou para a que eu utilizei, OK? (saído do manual do Prof. G. Jacobson):

A)
Metol…5g
Sulfito…100g
Hidroquinona…5g
Açúcar…100g
Bissulfito de Sódio (ou Metabissulfito de Potássio)…5g
Água para… 1 litro

b)
sulfito… 100g
Carbonato de Sódio…10g
Água para.. 1 litro

Para filme 100 ASA, 5 min em A, 4 a 6 em B.

É diferente das versões que encontrei na net por ter 100g de sulfito – menor acutância, mas melhor grão e melhor conservação.

Alterações:

1) Não gosto muito de carbonato para filme 35mm; o grão fica pesado demais. E é mais negócio fazer uma solução que seja utilizada só uma vez e jogada fora, para o banho B. Assim, sugiro:

B)
Bicarbonato de Sódio… 100g
Água para… 1 litro.

Um ponto de partida legal é 10 min em A, 10 min em B, também com filme 100 ASA. Bicarbonato é sempre uma boa – tem mais ou menos a mesma alcalinidade do bórax e ainda por cima não deixa aparecer véu cinzento.

2) O açúcar em “A” é para uma revelação mais superficial. O revelador vai entrar na gelatina com mais dificuldade. Isso teoricamente permitiria uma imagem com mais definição. Se quiser puxar o filme, a versão “diet” deve ir melhor – pode tirar o açúcar sem problemas.

3) Se quiser alterar a quantidade de sulfito para o mínimo (35g por litro – quantidade citada em todas as versões novas) para uma certa melhora da acutância, OK – mas diminua o bissulfito. Para 2g é um ponto de partida razoável. Talvez seja preciso reajustar os tempos.

4) Para quem gosta de fenidona, é fácil. Regra geral: 10% da quantidade de metol, e ela vem DEPOIS do sulfito.

5) Se fizer algum revelador “A” extra e for acrescentando na garrafa do que está em uso os tempos irão se manter estáveis.

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