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Fotógrafos legais – Leni Riefenstahl, a musa de Hitler

por em 05/12/2014
 

Leni era uma daquelas mulheres à frente do seu tempo. Nasceu em 1902 na Alemanha, mas nunca se rendeu ao machismo daquela época. Era batalhadora e independente, desde cedo. Ainda adolescente, trabalhou como bailarina e depois como atriz de cinema. Também foi esquiadora profissional (chegou a se classificar para as Olimpíadas de 1936), cineasta, mergulhadora e fotógrafa.

Leni Riefenstahl

Leni Riefenstahl

A beleza e o talento dessa mulher chamaram a atenção de Hitler e de Goebbels (ministro da propaganda nazista) e eles a convidaram para produzir os filmes promocionais do governo alemão. Dizem que Goebbels era apaixonado por ela, mas nunca foi correspondido. Dizem a mesma coisa sobre Hitler, mas Leni sempre negou… Foi nessa época que ela lançou suas maiores obras, Triunfo da Vontade (documentário sobre um discurso de Hitler para 30 mil pessoas em 1934) e Olympia (filme sobre as Olimpíadas de 1936). Com esses filmes, Leni revolucionou a cinematografia mundial, com ângulos e movimentos de câmera nunca vistos antes.

Por causa do envolvimento com Hitler, Leni foi acusada de ser nazista e de ter usado prisioneiros ciganos nos filmes de propaganda. Chegou a ficar presa por alguns anos em um campo de concentração francês, mas depois ficou provado que nada disso era verdade. Mesmo tendo sido declarada inocente, a contribuição dada ao regime nazista a marcou para sempre e ela nunca mais conseguiu trabalhar como cineasta. Foi então que virou fotógrafa.

leni (3)Entre coberturas de grandes eventos esportivos e fotografia para jornais e revistas, Leni se destacou em dois trabalhos. O primeiro foi uma série de fotografias do povo Nuba, no nordeste da África. É uma tribo impressionante, com pessoas muito altas e musculosas. A virilidade dos homens Nuba chocou um pouco os europeus (Freud explica) e Leni foi mais uma vez duramente criticada. Mas não dá pra negar a qualidade do trabalho, então os dois livros que resultaram das viagens à África se tornaram best-sellers mundiais e deram à Leni a medalha de ouro do Clube de Diretores de Arte da Alemanha de 1975.

O segundo trabalho fotográfico de maior destaque foi o de fotografia subaquática. Quando Leni era uma jovem de 72 anos (sim, setenta e dois), resolveu começar a mergulhar. Para conseguir a licença de mergulhadora ela disse às autoridades que era um pouco mais jovem, tipo uns 20 anos amis nova, só.  O trabalho subaquático foi publicado em dois livros (Coral Gardens, de 1978   e (Wonder under Water, de 1990 ). Depois ainda foi lançado o documentário Underwater Impressions (abaixo), que encerraria a carreira de Leni, em 2002, quando ela tinha 100 anos. Já pensou, uma senhorinha de 100 anos dirigindo um filme sobre a vida submarina? Nesse ano ela ficou conhecida como a mergulhadora mais velha do mundo.

Leni completou 101 anos em 21 de agosto de 2003. Prepararam uma grande festa em um hotel de luxo, para mais de 200 convidados, mas ela não pôde ir. Estava em casa, sentindo muitas dores devido ao câncer de pulmão. Ela morreu menos de um mês depois, em casa, enquanto dormia.

 

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