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Impressão de Carbono – Parte 1

por em 07/01/2015
 

Bom dia, boa tarde, ou boa noite – conforme a ocasião, é com muito orgulho que sou novamente convidado a escrever para QF. A primeira vez foi sobre minha câmera Lambe-Lambe, agora estou aqui novamente para falar um pouco sobre Impressão a Carbono.

Não que eu seja um especialista, muito pelo contrario estou só começando, mas como tive dificuldade em encontrar informação em português e me convidaram para falar sobre o assunto, achei legal compartilhar o pouco que já consegui avançar.

Nesta primeira parte vou apresentar a técnica e as referencias que encontrei na internet sobre ela, depois volto com outro post contando minha experiência pratica com a impressão.

Primeiramente o que é esta tal Impressão a Carbono? Trata-se de uma técnica de impressão fotográfica surgida nas décadas de  1850 a 1860, baseada nas descobertas de Alphonse Poitevin, considerada a princesinha das técnicas fotográficas. A primeira característica que chama a atenção dos amantes de fotografia é que esta técnica não utiliza prata, aqui o elemento sensível a luz é o dicromato de potássio, este elemento sozinho não faz nada, mas pela ação da luz UV tem a capacidade de tornar resistente à água coisas que eram solúveis, como gelatina, goma arábica ou adesivo PVA, é o mesmo sensibilizante que o pessoal da serigrafia usa nas emulsões, emulsão esta que nada mais é que cola branca ( PVA) e corante azul.

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Philippe Berger

Esta técnica surgiu da dificuldade que ainda existia de se fixar a imagem feita a partir dos sais de prata. Como a impressão de carbono no fim das contas acaba sendo uma camada de gelatina pigmentada e endurecida, ela é muito estável, tanto que quando foi largamente usada vinha com um selo dizendo se tratar de uma cópia permanente de carbono, diferente das cópias de prata que tinham o costume de sumirem com o tempo.

Visualmente as cópias de carbono tem uma vantagem sobre as de prata, que são os tons de cinzas, pela maneira como se da o processo (quando dominado) possibilita infinitos tons de cinza, para quem é apegado a estas questões mais técnicas na net tem os gráficos comparando a prata com o carbono.

Então tratasse de uma técnica com excelentes tons de cinza e qualidade final da impressão, barata, baixa toxicidade e periculosidade (o que exige mais cuidado é o dicromato e o formol), depois da goma bicromatada é provavelmente a técnica mais acessível, é versátil quanto ao suporte que pode ser papel, metal, louça etc… lembra aqueles pratos com foto no fundo que tinha na casa da vó em cima da cristaleira? Provavelmente uma impressão de carbono. E apesar do tradicional ser PB já que a gelatina recebe pigmento negro de fumo (daí o nome impressão a carbono) pode ser feito da cor que você quiser inclusive policromia usando pigmentos CMYK.

Mas com tanta coisa boa porque não existe um impressor de carbono em cada esquina? O principal motivo que eu apurei é “Time is Money”: a técnica é demorada. Do momento que você decide fazer e já está com tudo em mãos, até completar o circulo e ter a imagem pronta – dado os banhos e tempos de secagem – já se foram umas 24 horas. Mas pode-se otimizar o tempo preparando varas impressões ao mesmo tempo tipo linha de montagem.

A mecânica da coisa é simples: uma camada de gelatina pigmentada é derramada sobre uma folha de papel e nivelada, cuidando para que fique com 1mm de espessura. Depois de seca, esta folha que chamamos de tecido é sensibilizada com dicromato, que quando seca é exposta em uma mesa de luz com o negativo por contato.

Após a exposição, o tecido e o papel que servirá de suporte são molhados, colocados um sobre o outro formando um “sanduíche” com a face da gelatina no meio. Tudo é prensado por um tempo até enxugar e depois é revelado em água quente, onde toda gelatina não sensibilizada derrete e vai pelo ralo, ficando no papel de suporte uma imagem, e o tecido pode ser descartado. Agora é só lavar e secar, e a cópia está pronta. Aqui um vídeo mostrando o processo.

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Philippe Berger

Em uma pesquisa no Google para “carbon print process”  vão surgir centenas de resultados, inclusive vários para pegadas de carbono. Selecionei alguns que achei legal e que estão me ajudando nesta empreitada:

Philippe Berger, José António Velez, Gustavo L. Pozza deram e dão uma força através do grupo Carbon Print no Facebook.

John Lockhart tem um site com vários vídeos, além de um canal no Youtube.

Sandy King, tem um ótimo texto no http://www.alternativephotography.com/ onde tem também considerações de outros fotógrafos, mas achei o texto dele o mais didático.

Para baixar achei os PDF em inglês: “The Bostick & Sullivan Book of Modern Carbon Printing” e “The Atlas of Analytical Signatures of Photographic Processes”  de Dusan C. Stulik e Art Kaplan, Philippe Berger tambem tem um PDF a venda no seu saite, são dele as fotos que ilustram este artigo.

Lembrando que todas estas referencias são em inglês para quem não domina o idioma bretão, Google tradutor neles. ;)

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comentários
 
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  • 12/01/2015 em 11:32 pm

    Luiz, tenho muita curiosidade pra testar os processos fotográficos alternativos. Sempre estou pra começar com cianotipia, mas os químicos são um tanto caros e difíceis de encontrar. Achei legal essa impressão em carbono, e na net encontram-se vários materiais didáticos, inclusive uma serie de quase dez vídeos em que o cara mostra o passo a passo do processo. O dicromato de potássio, apesar de tóxico, é fácil de achar no ML. Mas fico com dúvida nos outros produtos a serem usados. O que eles chamam de ‘gelatin’ é gelatina mesmo? Não achei muito parecido. Não seria a nossa goma arábica? Outra dúvida é quanto à fonte UV. Pode usar o sol mesmo, como na cianotipia?
    Imagino que a Parte 2 do tutorial vá responder a estas perguntas, mas eu queria começar a testar o processo já =)

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