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Os irmãos Lumière e o autocromo

por em 04/02/2016
 

Com a chegada do século XX a fotografia já tinha se tornado muito popular. Sem falar que já não era mais necessário ficar imóvel durante vários minutos para ser fotografado. Novos processos e novos equipamentos foram inventados para deixar tudo mais rápido. Mas tinha uma coisa que ainda faltava nessas fotos, e que muitos fotógrafos, físicos, químicos queriam conseguir: Cor.
O jeito mais fácil de obter uma foto colorida nessa época, era com a colorização manual.

E é aí que entram os irmãos Lumières. Sim, os pais do cinema.

Irmãos Lumière

Irmãos Lumière

 

Eles também queriam inventar uma forma de fixar uma imagem colorida. E em 1903 eles patentearam um processo chamado de autocromo,  mas só em 1907 foi lançado ao público. (Vale dizer que o autocromo não foi o primeiro processo fotográfico colorido, mas por não ser tão complexo quantos os anteriores, acabou sendo o mais utilizado e o que fez mais sucesso na época)

O que Louis e Auguste Lumiére fizeram foi algo bem inusitado: separaram fécula de batata em 3 lotes. Um lote era tingido de um tom vermelho-alaranjado, outro lote tingido de verde e outro de azul-violeta.

Esse grãos microscópicos eram misturados e colocados em uma placa de vidro. E pra preencher os espaços, era colocado fuligem. Essa placa então era prensada e depois recebia a emulsão preto e branco. Fácil na teoria, mas na prática era um processo bem complicado.

Os grãos tingidos vistos através de um microscópio.

Os grãos tingidos vistos através de um microscópio.

 

 

A fécula de batata tingida servia como um filtro. Basicamente cada micro grão era sensibilizado pela luz correspondente a sua cor.

E o fotógrafo não podia esquecer de colocar um filtro amarelo na lente, para absorver um pouco da luz azul, já que a emulsão era mais sensível à essa cor.

A exposição necessária era um pouco longa se comparado com o processo monocromático. Se você quisesse tirar uma foto de uma paisagem, em plena luz do sol ao meio dia, a placa deveria ficar exposta provavelmente por 1 segundo. Se o tempo estivesse nublado, 10 segundos ou mais.

Depois de exposta, a placa era revelada e passava pelo processo de reversão, formando uma imagem positiva.

 

O resultado final era incrível:

    150603142746-autochrome-f-02-super-43

 

NGS Picture ID:236209

 

Pode-se dizer que o autocromo reinou até os anos 30, até que a Kodak lançou o Kodachrome. Muito mais barato e prático, acabou enterrando esse antigo processo.
Devido a fragilidade dessas placas, muitas fotos foram perdidos com o tempo, mas um acervo com 72 mil autocromos ainda existe e está armazenado em um museu na França. É aí que entra outro francês, chamado Albert Kahn, e o incrível projeto de registrar cerca de 50 países.

Bom, mas isso fica para um próximo post ;)

 

 

 

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