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A História da Contax – Parte 1

por em 29/02/2016
 

Várias indústrias alemãs se uniram em conglomerados em meados dos anos 20 como saída  para tentar sobreviver e conseguir operar no azul no meio de uma crise terrível,. Na área de câmeras fotográficas a maior fusão do gênero é em 1926, por iniciativa da Fundação Zeiss (como alemão dificilmente vai pelo caminho mais simples, vale uma explicação. Após a morte de Carl Zeiss seus sócios criaram essa Fundação, a qual era – e é – proprietária de várias empresas subsidiárias, como a própria fabricante de objetivas Carl Zeiss. Uma história bem interessante, mas que vai ficar para outro artigo – caso contrário ficamos aqui até o ano que vem).

A empresa recém-nascida ganhou o nome de Zeiss Ikon AG (já deixando claro no nome quem é que realmente mandava na organização). Além da parte de câmeras da própria Zeiss, compareciam na empresa os fabricantes ICA, C.P.Goerz, Ennermann, Contessa-Nettel. Pelo menos as três últimas eram nomes peso-pesados. Goerz produziu objetivas clássicas como a Hypergon. A Ernemann fez a primeira “candid camera”, a lendária Ermanox.  Contessa-Nettel era dirigida por um sujeito brilhante chamado Dr August Nagel, que não topou a fusão. Pegou o chapéu e foi abrir sua própria fábrica de câmeras onde desenharia e produziria as Kodak Retina.

empresas zeiss

Não à toa a nova empresa já nasceu como a maior do mundo – na prática um quase monopólio, já que a única grande que ficou de fora era a Voigtlander AG. O resto eram empresas pequenas e comercialmente irrelevantes em equipamento fotográfico, como um certo Ernst Leitz, em Wetzlar. Este não ficaria na obscuridade por muito tempo.

young kuepOs primeiros catálogos da Zeiss Ikon eram uma bagunça: 220 modelos diferentes de câmeras, vários muito parecidos. Cada qual com as variações possíveis dentro de cada modelo, como tamanho de filme, tipo de obturador e objetiva. Para colocar ordem na confusão foi contratado em 1927 um engenheiro cuja vida iria se confundir com a própria Zeiss Ikon: Prof. Heinz Kuppenbender. Bastante jovem (26 anos), imaginativo e brilhante, também possuía aquela paixão pela complexidade e precisão mecânicas tão ao gosto da Zeiss (e que até hoje fazem os técnicos de câmeras coçarem a cabeça e esboçarem um sorrisinho amarelo).

A missão seguinte de Kuppenbender era criar uma câmera para competir com a Leica, agora já fazendo bastante sucesso. 35mm ainda era um formato polêmico; exceto a Leitz ninguém colocava fé no filme cinematográfico para fotografia. O diretor geral da Zeiss Ikon, Prof Emanuel Goldberg,  não era exceção: não gostava do projeto e mandou Kuppenbender para uma saleta no sótão (!!!). Depois Goldberg mudaria de idéia, participando ativamente do design da nova câmera.

Em 1931 um protótipo da câmera foi apresentado na feira de Leipzig – mas como foi roubado na confusão do evento foi necessário colocar ainda mais pressão para terminar o projeto, bem como dar entrada na papelada das patentes necessárias. Um concurso entre os funcionários da Zeiss Ikon decidiu pelo nome “Contax” (reaproveitando um nome utilizado dez anos antes de um acessório para automóveis – um disco a ser instalado sobre o pneu estepe com setas luminosas).  Com o lançamento em 1932 da Leica II, com telêmetro acoplado, a Contax deveria aparecer no mercado o quanto antes – o que aconteceu poucos meses depois.

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