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A História da Contax – Parte 2

por em 01/03/2016
 

Kuppenbender desenhou a Contax não apenas para contornar as patentes da Leica, mas também para se utilizar de soluções mecânicas que achava mais interessantes. A diretoria da Zeiss Ikon considerava que uma câmera 35mm teria necessariamente de ser peça de grande precisão – portanto seria extremamente cara de qualquer maneira (A Zeiss Ikon iria insistir na idéia de 35mm=luxo até praticamente o seu fim, em 1972). Isso deu carta branca para a equipe da Contax inventar o que quisesse naquele mecanismo. No total são quase 600 peças, as quais eram examinadas quatro vezes antes de ir para a linha de montagem.

Tanto a utilização da baioneta para as objetivas como o obturador vertical foram emprestados de modelos mais antigos, especialmente nas fabricadas na Ennermann – a novidade era a cortina ser feita de metal. O formato quadradão do corpo era quase que uma marca registrada da Zeiss. O botão de velocidades/avanço do filme na frente foi idéia de Kuppenbender – mesmo com todo mundo dizendo que era muita complexidade por bobagem, e sequer era anatômico. Como se verá, Kuppenbender era brilhante – e teimoso, também.

A baioneta Contax é bem diferente: interna, com a rosca no próprio corpo da câmera, serve apenas para a 50mm. Externa para as demais objetivas. Em cada objetiva há a compensação de “passo” de rosca para possibilitar o foco por telêmetro.

29 Contax_cassette montato

O obturador da Contax tem o aspecto curioso daquelas portas de aço de comércio: a exposição é determinada pela distância entre duas dessas “portas”, através de duas tiras de seda que as une com um único eixo com três molas.

23 Contax I shutter

O telêmetro imenso, com mais de dez centímetros, era extremamente preciso – possibilitava focalizar com exatidão até mesmo uma objetiva de 180mm (por comparação o telêmetro bem menor da Leica agüenta com precisão total até uma 135mm. Mais do que isso é necessário utilizar um acessório que converte a câmera em uma reflex).

O lançamento da Leica II precipitou o lançamento da Contax I, que ainda não estava perfeitamente amadurecida. Na verdade as primeiras levas de Contax, se não faziam feio no uso, também não estavam à altura da pequena fortuna cobrada – tanto que boa parte das lançadas no começo contém a letra “A” no número de série, indicando que retornaram para a fábrica para manutenção. (Até pouco depois da IIa Guerra a Zeiss Ikon manteve um sistema de numeração de câmeras usando letras e números, herdado da ICA. Cada letra representa um bloco de 99.999 unidades para toda a produção da fábrica. As primeiras contax estão nas letras U e V. Se há um “A” antes significa que a câmera retornou ao fabricante para manutenção).

Nesse desenvolvimento a Contax teve dois “pulos do gato”. Um foi o telêmetro, que mudou do sistema de espelho móvel para o de dois prismas em forma de cunha que giram em sentidos contrários. Mais preciso e fácil de produzir teve um efeito colateral ótimo – o sistema podia ser utilizado em outras câmeras como a Super-Ikonta, provavelmente um dos maiores sucessos comerciais da Zeiss no pré-guerra. O outro foi o sistema de velocidades baixas, adicionado em 1933 (a tempo de competir com a Leica III, primeiro modelo Leitz com as baixas velocidades. Até então a Contax possuía apenas de 1/25s a 1/1000). Dois grupos de engrenagens de retardo que seguravam a cortina superior, bem como alterando a velocidade de movimento de ambas.

curtainOutras características hoje nos parecem estranhas: era uma máquina desenhada pensando em DOIS cassetes, para não ser preciso rebobinar o filme. Caso o fotógrafo insistisse em rebobinar o sistema era bem extravagante: duas pequenas alavancas ao lado do eixo dentado levantavam o filme dos engates.

A Contax I foi produzida até 1938 – mas o grosso foi feito até 1936, quando aparecem as Contax II e III, com grandes alterações mecânicas e estéticas. De qualquer maneira, é uma câmera relativamente rara, com aproximadamente 36 mil peças produzidas (não mais de 2500 entre 1936 a 1938). Obviamente apenas parte sobreviveu e, dessas, boa parte deve estar encostada por falta de técnico capaz de mexer adequadamente.

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