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A História da Contax – Parte 3

por em 02/03/2016
 

O jogo de objetivas e acessórios é que realmente estabelece a competição entre Leica e Contax. As duas tinham, claro, mecânica excepcional. Mas o apelo era outro. A versatilidade de cada modelo (o “system camera”, como se dizia na época) e a qualidade das objetivas. E com certeza era uma competição disputada centímetro a centímetro.

Tal como a Leitz vinha fazendo com sua Leica, expandindo os horizontes da câmera para criar um “sistema”, a Zeiss também investiu pesadamente em acessórios. Como era de se esperar, todos feitos com perfeição até nos menores detalhes, e em geral bastante práticos e criativos. Além da parafernália de filtros, parassóis, tripés, etc, há aqueles essenciais como visores externos (o visor da câmera é só para a 5cm. Tentou-se utilizar uma máscara para dar o campo das 85 e 135mm, mas não só não havia controle da paralaxe como também a imagem ficava diminuta demais). Vários para foto macro, e acessórios no minimo curiosos, como para utilizar placas de vidro – uma opção que a Leica não poderia, já que o corpo é rígido. Também aparecem algumas peças que hoje são difíceis de encontrar, tal como espirais para filmes, moldes para cortar o filme da maneira correta para rebobinar filme, ampliadores, etc.

Uma das “heranças” que a Zeiss Ikon pegou das firmas que a formaram foi um sujeito chamado Ludwig Bertele, incrivelmente jovem (vinte e poucos aninhos quando entrou no quadro de funcionários da Ennermann). Quando começou o projeto da Contax ele já era nome bem conhecido no meio como projetista de objetivas extra-rápidas – sua obra prima até então era a Ernostar f:2.0, um verdadeiro mostrengo de aço e principalmente cristal que acompanhava a lendária Ermanox. Mas iria se superar com algumas invenções notáveis.

Ludwig_BerteleA primeira – e que ficou pronta em cima da hora para a nova câmera – foi a Sonnar f:2.0/5cm. A quantidade de papel utilizada para os cálculos fala melhor do que qualquer outra coisa – cerca de 3500 folhas cobertas de cálculos. É uma objetiva que fala grosso e até hoje coloca muita objetiva moderna para escanteio. Pouco depois seria lançada a versão extra-rápida, com abertura máxima de f:1,5 – algo absolutamente inédito na época, e ainda por cima MELHOR do que sua irmã mais lenta. A Contax aparece desde o início com quatro opções para a normal de 5cm: duas sonnar e duas Tessar (f:3,5 e f:2,8).

O mesmo design básico da Sonnar iria aparecer em outra objetiva pela qual muita gente suspira até hoje: a Sonnar 8,5cm/f:2 (resultados espetaculares, mas pesadona e cara – o suficiente para em seguida aparecer uma opção mais barata e leve, a Triotar 8,5cm/f:4. Esta uma simples três elementos que realmente só rendia bem lá por f:8). Ou então na que provavelmente é a mais comum de se encontrar por aí, a Sonnar 13,5cm/f:4 – leve e eficiente.

O primeiro jogo de objetivas disponível para Contax era só de normais para cima. Mas logo aparecem as grande angulares: primeiro uma genial, também com design básico por Bertele:  Biogon 3,5cm/f:2,8 – impressiona pelos resultados e pelo elemento traseiro que praticamente encosta na cortina (claro que a Zeiss rapidamente se aproveitou para anunciar sua objetiva como mais rápida que a da concorrência, mesmo que só meio ponto: a Leitz Elmar 35mm era f:3,5, embora respondesse perfeitamente mesmo em f:4,5). Pouco depois aparece a Tessar 2,8cm/f:8 (não acoplada com o telêmetro. Foi a vez da Leitz aparecer com uma acoplada e mais rápida, Hektor 2,8cm/f:6,3).

O jogo de objetivas disponíveis aumentaria rapidamente com outras adições como a Tessar 18cm/f6,3.  Muitas outras estavam planejadas mas, por uma razão ou por outra, acabaram ficando só como projetos.

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