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A História da Contax – Parte 5

por em 04/03/2016
 

A Contax era produzida em Dresden, no antigo prédio da Ennermann – sua torre característica acabou até virando o símbolo da VEB Pentacon. Dresden havia sido, desde muitas décadas, em um centro de produção de quipamento ótico/mecânico de precisão.

Apesar da quantidade simplesmente inacreditável de bombas que caíram sobre a cidade e a arrasando quase completamente (mais de 80% do parque industrial fotográfico virou um amontoado de cinzas), a fábrica da Zeiss não sofreu grandes prejuízos. Tanto que estavam em condições de fazer alguma coisa pouco depois dos Aliados entrarem na cidade. E aí entra a habilidade de Kuppenbender e outros engenheiros/diretores da Zeiss para se equilibrar na delicada disputa de poder entre soviéticos e americanos naquele comecinho de Guerra Fria.

A Zeiss corria o risco de ser classificada como “indústria de guerra” – o que seria o seu fim efetivo. Por outro lado havia os soviéticos exigindo reparações de guerra. O acordo saiu com a entrega de todo o maquinário necessário para a fabricação das Contax. Infelizmente o transporte foi feito em dia de dose excessiva de vodka, ao que tudo indica – pouca coisa chegou em Kiev em estado melhor do que sucata. Fora a aparelhagem que ficou espalhada pelo caminho. Novas máquinas foram feitas em Dresden e novamente enviadas – desta vez com empregados que foram literalmente sequestrados e enviados para Kiev. Isso começa a longa linhagem de câmeras Kiev, as primeiras aliás de ótima qualidade e cópias exatas das Contax. Graças a isso as peças são até certo ponto intercambiáveis – e por outro lado Contax falsificada, especialmente aquelas com suásticas, etc, não são incomuns. Outra falsificação relaticamente comum é a “Ivory Contax”. Devido à falta total de cromo na Alemanha do pós-guerra a fábrica em Dresden, para testar a linha de montagem refeita, chegou a produzir algumas poucas dezenas de câmeras pintadas.

ivory contaxNesse meio tempo os americanos levam as diretorias da Fundação Zeiss, Carl Zeiss e Zeiss Ikon para o lado ocidental da Alemanha. Tão logo foi possível legalmente registrar alguma coisa os americanos também deram uma forcinha para que a Fundação Zeiss e suas subsidiárias estivessem registrados. Agiram rápido, mas ganharam por questão de dias: os soviéticos fizeram o mesmo no lado oriental.  Era o começo de uma disputa jurídica por nome comercial que se arrastaria por quase dez anos e que seria decidida afinal em favor dos ocidentais quanto ao uso das marcas Zeiss Ikon, Contax, etc.

A Zeiss Ikon de Dresden não tinha como voltar a produzir sua principal 35mm. Seria preciso olhar para outro produto. E se lembraram de um protótipo produzido em 1942/43 – uma “Contax reflex”. O projeto original era com o mesmo tipo de baioneta da Contax, bem como o obturador. O espelho reflex possuía um movimento complexo mas quase livre de vibração (ao que consta bem parecido com o que a Contarex iria utilizar anos depois – mas é outra história). Não havia condições técnicas de levar esse protótipo adiante. Preferiram então simplificar o sistema usando uma cortina de pano correndo horizontalmente, e utilizar rosca para encaixe das objetivas – a M42, já então sendo utilizada nas Prakticas. O modelo (Contax S) fez furor quando apareceu em 1949. Mais tarde, devido à guerra de patentes a câmera seria chamada de PENTACON (PENTAprism CONtax), o que seria afinal o nome do próprio grupo de fabricantes da Alemanha Oriental. Mesmo assim a Carl Zeiss “original”, em Jena, ainda produziria muitas objetivas para as Contaxes – seja pensando nas antigas, seja nas russas, seja no projeto que estava sendo feito pelo pessoal da Alemanha Ocidental.

contax e kiev

A nova Zeiss Ikon se fixou em Sttutgart – na antiga fábrica da Contessa-Nettel, a única que ficou do lado ocidental da Alemanha. Na verdade era uma fábrica pequena que nunca teve mais do que 600 funcionários.  A administração e o grosso da produção sempre haviam permanecido no grande centro de Dresden. Também não havia mais acesso aos cristais óticos produzidos pela antiga subsidiária Schott, sendo preciso obter outra fonte dessa materia-prima para as objetivas. Os laboratórios para fabricação de objetivas também haviam ficado no lado oriental, em Jena. Por algum tempo quebrou-se o galho fornecendo câmeras simples (como a Nettar) utilizando objetivas Schneider e Rodenstock. Em algum tempo a Carl Zeiss (fabricante de lentes) se estabeleeria em Oberkochen como “Zeiss Opton”. Pouco depois voltaria a utilizar o nome Carl Zeiss.

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