11comentários

Não seja tão negativo. Use slides!

por em 09/03/2016
 

Há anos fotografo somente em negativo, seja preto e branco ou colorido. Este tipo de película tem inúmeros pontos positivos (negativos com pontos positivos? Epa!), como químicos mais fáceis de encontrar, a possibilidade de revelar em casa ou mesmo casas de fotografia que revelam ainda hoje os processos C-41, além de ser mais “à prova” de erros de fotometria por possuírem maior latitude.

Sempre tive vontade de fotografar um filme diapositivo. O famigerado cromo/slide, antigamente usado para que você pudesse fazer projeções usando: slides! E também para fazer ensaios fotográficos que precisasse de qualidade superior, como revistas de moda, anúncios impressos, etc.

Só quem já viu uma fita de cromo revelado numa mesa de luz sabe a magia que é ver as fotos que você fez direto na película, em cores positivas. Mais analógico, impossível. É lindo, e as cores… meu Deus!

Para fazer meu primeiro cromo, primeiro foi tratar de encontrar algum lugar que faça o processo E-6, de revelação filmes diapositivos. Sabendo que existia, hora de colocar o bicho na câmera. Comecei com o saturadíssimo filme da Fuji que ainda é produzido, Fujichrome Velvia 50; e a câmera de médio formato Mamiya M645 1000s.

Primeiro medo: A fotometria. Uma desvantagem do cromo é a pequena latitude. Com raras exceções um cromo consegue “aceitar” um erro de 1 ponto de luz pra cima e meio ponto pra baixo. Como a Mamiya não tem fotometro interno e eu não tenho um fotômetro de mão, minhas medições seriam pelo aplicativo lightmeter do celular. E aí? Será que ele dá conta? Calibrei comparando com minha Canon EOS 70D (digital) e com a EOS 5. Vamos às fotos.

Terminado o rolinho, hora de revelar. E aí vai mais uma desvantagem para o cromo. Além do fato de pouquíssimos lugares ainda fazerem o processo E-6, quando fazem cobram os olhos da cara, o rim esquerdo e mais alguns órgãos, com possibilidade de quererem sua alma também.

Aí você me pergunta: “Mas Bruno, até agora você falou mais sobre desvantagens. Por que eu devo fotografar em cromo?” Eu te respondo. Por isso:

Velvia50-Mamiya001

Mamiya 645 1000s com Velvia 50

Velvia50-Mamiya009

Mamiya 645 1000s com Velvia 50

Velvia50-Mamiya010

Mamiya 645 1000s com Velvia 50

Velvia50-Mamiya014

Mamiya 645 1000s com Velvia 50

 

Olha essas cores! As fotos foram feitas em Paraty-RJ e Paranapiacaba-SP e escaneadas com um EPSON V600.

Outra vantagem legal de usar cromo é poder comparar o resultado da digitalização com o que realmente está no slide. Assim você pode deixar o mais próximo possível com a realidade da película. Não é bacana?

Então trate de ir guardando o troco do pão pra fazer a revelação e entre pra essa vida positiva!

Quanto vale esse post pra você?
Pense nisso e, se achar justo, colabore conosco! Você pode apoiar o Queimando Filme através de doações (faça a sua aqui!), divulgando esse post para seus amigos, ou até simplesmente clicando nos banners dos anunciantes! Tudo isso ajuda o Queimando Filme a continuar postando conteúdo de qualidade para todos os amantes da fotografia analógica ;-)

comentários
 
Deixe uma resposta »

 
  • iatan
    29/03/2016 em 8:09 am

    Bruno, suas fotos estão interessantes, especialmente as sombras com um bom contraste, mas, essas cores do fuji velvia estão um pouco estranhas para mim, como se o scanner não tivesse feito um bom trabalho em dar bons resultados e o processo de edição ficou um pouco estranho. No mais, parabéns pelo website e pela divulgação de filme analógico.

    Responder

    • Bruno Silva
      29/03/2016 em 10:11 am

      Iatan, obrigado pelo comentário e pela visita. Não houve nenhum tipo de edição nas fotos que não fossem algumas correções cromáticas. Comparei o resultado com o que eu via na mesa de luz no slide. Scan de positivos são um pouco mais complicados mesmo, mas acredito que ficou satisfatório. Um grande abraço!

      Responder

  • 21/03/2016 em 11:11 pm

    Aprendi fotometria assim, provia, velvia, elite, kodacrome… Pentax K-1000.

    Responder

  • 16/03/2016 em 3:26 pm

    A EOS 7 era o nome japonês da EOS Elan 7 (USA) e EOS 30 (Europa).

    Um dia viu scanear meus Velvia 50 batidos 20 anos atrás no Keukenhof (Holanda) e mando pra vocês!

    Responder

  • 09/03/2016 em 12:30 pm

    Bom dia! Tenho algumas perguntas sobre os filmes cromo e quero ver se podem me ajudar. Acabei de comprar um Fuji Provia 100f 135, ele vai dar certo na minha Canon EOS 7? Fiquei na dúvida pq você falou em médio formato, mas sendo 135 vai dar certo né?
    Segunda dúvida: Após fotografar minha máquina rebubina automaticamente, se eu quiser cortar os “Frames” e dar pagamento as pessoas, como devo fazer para abrir o filme?
    Grande abraço!

    Responder

    • Bruno Silva
      09/03/2016 em 1:29 pm

      Bom dia, Saulo. Pelas suas perguntas, acho que você está começando agora nisso, não é? Já teve contato com filmes antes? Você citou “Canon EOS 7” mas esta câmera não existe ou eu não conheço. Você não quis dizer “Elan 7”? Mesmo assim, se for a Elan ou linha EOS, estas câmeras são para filmes 135. Vai dar certo. Sobre a segunda dúvida, você tem que revelar o filme antes de qualquer coisa. Depois de revelado, no processo correto, você pode dar os slides a quem quiser.
      Sugiro que antes de mais nada, procure bons materiais de introdução à fotografia analógica. Aqui mesmo, no nosso site temos bastante material. Clique no menu “aprendendo”. http://www.queimandofilme.com/category/4_aprendendo/

      Responder

      • 09/03/2016 em 3:44 pm

        Com filmes analógicos sou iniciante, sempre fotografei no digital, e este será o primeiro filme cromo da minha máquina. A máquina é uma EOS 7 mesmo, ela é bem rara, foi vendida apenas no Japão com este nome. Se no aniversário da minha filha, eu fotografar todo o filme, abrir a máquina e retirar ele, vai ficar a imagem (no filme 35mm) positivo? Igual ” uma foto” com 35mm? Pq minha idéia é colar o filme em um cartão, e entregar para as pessoas dentro de uma Polaroid de papel.

        Responder

        • Bruno Silva
          09/03/2016 em 3:48 pm

          Saulo, respondendo mais uma vez, sua câmera é de filme, não polaroid instantânea. Seu filme positivo tem de ser revelado em lugar e químicos apropriados. Não é só tirar a foto, arrombar a bobina e a foto vai estar lá. Como eu disse, dá uma estudada, blz? Um abraço. Não vai se arrepender.

          Responder

  • 09/03/2016 em 10:42 am

    Há 4 anos que fotografo apenas com analógico (sou apenas um entusiasta). No ano passado tive a chance de fotografar um VELVIA 50 em formato 120. Ao observar o slide revelado, fiquei encantado com o grau de perfeição do filme. Até hoje, não vi nada que se compare.
    Mas a dificuldade e o preço da revelação explicam a “morte” desta tecnologia.
    Alguém pode indicar um laboratório no Brasil que faça a revelação de E6?

    Responder

    • Bruno Silva
      09/03/2016 em 10:56 am

      Ver um slide desse tamanho é maravilhoso. Mas o preço é realmente proibitivo. Em São Paulo tem o Vila 11’36. Dá uma procurada. Abraço!

      Responder

Deixa aí seu comentário!