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A História da Contax – Parte 6

por em 24/03/2016
 

Contax IIa e IIIa

Kuppenbender, agora diretor geral da Zeiss Ikon e como sempre voluntarioso, tinha como essencial voltar a produzir a Contax. Porém não existiam mais os desenhos técnicos, nem ferramentas, nem nada. Foi preciso começar do zero . A partir de uma câmera antiga desmontada foram refeitos os desenhos – e o projeto melhorado. A idéia era diminuir ao máximo a câmera, de preferência diminuindo também o custo de produção. E isso conseguiram de maneira extraordinária.

A nova Contax era bem menor do que a anterior  – na prática se utilizou cada milímetro possível dentro da caixa. Como os mecanismos de retardo do obturador foram para a parte de cima foi possível também realocar a cortina (razão pela qual não é possível utilizar as Biogon 3,5cm pré-guerra nas câmeras novas. A cortina riscaria o elemento traseiro). O obturador ganhou também reforço de dois fios além das clássicas tiras de seda, diminuindo a tensão sobre estas e garantindo maior sobrevida. O telêmetro perdeu alguns centímetros e a mecânica mudou. Não é tão preciso como o do pré-guerra, mas também não havia mais razão para tanto sem objetivas de 180mm acopladas. Para uma 135mm é mais do que suficiente.

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A IIIa é uma IIa com um fotômetro em cima (tal como a III em relação à II). Só que um fotômetro MUITO mais sensível e, pelo que sabemos, incrivelmente preciso (como a celula fotossensível era de selênio dificilmente será possível encontrar um funcionando corretamente hoje em dia). Aliás, uma curiosidade: na época o modelo com fotômetro era o preferido do público, tanto que a partir de 1954/55 as vendas da IIIa são cerca de três vezes mais que as da IIa. Hoje em dia quem gosta de fotografar com Contax acaba preferindo as IIa, já que os fotômetros acabam sendo totalmente inúteis e aumentando o peso de uma máquina que já é pesada.

visor revolver 1Apesar do preço salgado, essas novas Contax foram lançadas em 1950 e literalmente venderam como água nos oito anos seguintes. O grosso da produção ia para os EUA, onde nem chegavam a esquentar as prateleiras. O design ficou praticamente intocado exceto pela sincronia para flash, antes através de cabos, depois interno (algo identificável facilmente pelo controle de velocidades. Se tudo em preto, é a “black dial”, sincronia mecânica por cabos. Se é colorido é “red dial”, cabo de flash standard e sincronia interna).  Ludwig Bertele, ainda firme na Zeiss, recalculou e melhorou várias objetivas e ainda teve tempo para bolar um clássico de primeira linha, a Biogon 21mm/f:4,5.

O grosso da produção foi até 1958, embora algumas ainda saíram de Sttutgart até 1963. A razão? Um modelo revolucionário de um concorrente aparecido em 1954 e que mudou completamente o mercado das rangefinder top de linha – a Leica M3. A resposta da Zeiss Ikon ao lançamento do novo modelo da rival foi simplesmente diminuir o preço da Contax em aproximadamente 100 marcos.

visor revolver 2Foram feitos alguns protótipos de Contax IV – mas só um ou outro chegou ao estágio de modelo funcional. Adicionar elementos como fotômetro integrado, requadros automáticos no visor (mesmo que as primeiras patentes da Zeiss a respeito datem de 1933), etc, demandariam um custo muito alto. E agora a Zeiss Ikon estava à procura de uma saída para o vermelho da conta bancária; ainda era a maior fabricante do mundo de câmeras, mas seus custos eram estratosféricos. Olhou então para o sistema SLR como sendo mais interessante para fazer dinheiro. Primeiro com o modelo amador Contaflex (bolado como uma forma de desovar os produtos da recém-adquirida fábrica de obturadores Compur, antes pertencente à Deckel) e depois com a nova “estrela”, a Contarex, esta lançada em 1959. Para todos os efeitos, a Contax pertencia ao passado.

Mesmo assim a Zeiss Ikon nunca mais deu lucro. O catálogo insanamente grande, ter adquirido outras empresas (como a Deckel e a Voigtlander em meados dos anos 50) custos de produção aumentando rapidamente a partir dos anos 60 (o que também iria complicar a vida de outros fabricantes como a Rollei e a Leitz), administração sem sensibilidade fizeram o gigante virar um dinossauro impossível de alimentar. E em mais alguns anos (1972) a Fundação Zeiss, cansada de colocar dinheiro na sua subsidiária, acordou de mau humor, bateu o martelo e, da noite para o dia, encerrou as atividades da Zeiss Ikon.

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