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o álbum

por em 26/03/2016
 

O artigo de hoje foi enviado pelo meu xará e leitor Bruno Machado. Bruno, em parceria com sua namorada, Juliana Rocha, criou uma agência focada em desenvolvimento de projetos comerciais utilizando a fotografia analógica – essa agência chama-se “o álbum“.

Sem mais delongas, fica com a palavra, meu caro! :D

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Nós nos conhecemos pela fotografia. Trabalhávamos no mesmo lugar, ambos como fotógrafos (a Juliana como minha chefe). Hoje, não trabalhamos mais. Não no mesmo lugar, pelo menos. Mas, por incrível que pareça, foi um filme que nos uniu. Um tri-x, pra ser mais específico (tinha que ser um tri-x, mesmo que não fosse, eu mentiria e diria que foi, óbvio). Eu revelava os meus negativos no banheiro, e ela, por acaso, encontrou um negativo e pediu pr’eu revelar para ela.

oaqf2A Juliana acabara de lançar um projeto incrível, Copacabana Sentimental, onde retratou os humores do bairro, mais especificamente, da faixa de areia mais famosa do planeta. Eu apoiei o projeto no catarse, era todo feito de smartphone, em corridas matinais. A praia, muita vezes, se confundia com ela mesma. Eu já a admirava demais, mas ela era minha chefe, e não tínhamos qualquer conexão mais profunda.

Mas enfim, quando vi o negativo dela, quando eu revelei, alguns meses depois, vi uma foto que me deixou encucado. Um senhor, com água até o peito, no mar de copacabana. Ele vestia uma camisa, de botão, e admirava a paisagem. Esse foi o momento em que eu criei uma enorme conexão com ela. Foi um processo bem legal, porque quando ela viu o resultado, se apaixonou. Pelas fotos, claro. Por mim que não seria. Pelo mistério. Pela surpresa. E por tudo que o filme te proporciona.

E então, num piscar de olhos, nos tornarmos melhores amigos. Confidentes. Saíamos para jantar juntos, e contávamos sobre os nossos medos, como se fôssemos namorados, só que sem dar as mãos. Daí pra frente, nos encontrávamos no mínimo uma vez por semana para fotografar (além do trabalho, em filme). A Ju foi mergulhando mais e mais no processo analógico, e fui contando a ela tudo que eu já sabia, que tinha lido por aí.

Até nos fotografamos nus, duas vezes, antes de qualquer beijo que viria a acontecer. Esses foram dias tensos. Eu já tava pra lá de apaixonado.

Quando enfim, nos beijamos, já era tarde demais. Tínhamos criado um bicho, de umas 7 cabeças, um terceiro ser que era a linguagem que começamos a usar entre nós, durante esse processo todo. Uma língua secreta, que ninguém mais entendia. Começamos a produzir mais e mais projetos juntos. Quando percebemos, já tínhamos uma série. E a dificuldade de encontrar filme aqui no Rio nos unia.

A gente percebeu que podia se movimentar para fomentar esse mercado. Pra ajudar os laboratórios a sobreviverem. Demos câmeras de presente. Os celulares e os 36 mega pixels não faziam mais sentido pra gente. Agora era tudo sobre o grão. Sobre poder ir e vir com sua câmera pra lá e pra cá, como um diário no bolso. Sobre ver uma imagem nascer.

Com os frutos que fomos colhendo, percebemos que poderíamos realmente fazer uma diferença, a menor que fosse, pelo filme. E foi aqui que tivemos o click.

Click!

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Surgiu, assim, o álbum. Um projeto de apaixonados. de revoltados. Um álbum – em branco – que abre as páginas para o diálogo (ou para o debate). Uma agência que quer dar voz às fantasias. Que quer viver sonhos. Como diria Robert Adams:

“Photographers may or may not make a living by photography. but they are alive by it.”

Venha errar com a gente. Mas venha, acima de tudo, viver com a gente.

E seja bem vindo!

Hoje, um meio ameaçado de extinção, ganha fôlego. Hoje, o filme (sobre)vive.

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o álbum: site oficial | instagram | facebook

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